O Fórum Económico Mundial de Davos, que terminou na sexta-feira, revelou mais uma vez as profundas transformações geopolíticas internacionais em curso.
A edição deste ano do Fórum Económico Mundial de Davos teve lugar num momento particularmente tenso. A Europa e os Estados Unidos expuseram os seus desacordos sobre a Gronelândia em discursos sucessivos, fazendo temer uma guerra comercial entre os parceiros históricos.
Apesar de Washington ter acabado por recuar após um acordo com o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, sobre um "quadro de acordos futuros" sobre o território ártico, as cicatrizes são profundas e os riscos económicos permanecem.
Para Gita Gopinath, professora da Universidade de Harvard, as tensões sobre a Gronelândia e as ameaças de Donald Trump de impor direitos de importação a vários países europeus marcaram uma viragem política.
"Foi a mudança mais significativa a que assistimos em muitos anos em termos do que está a acontecer com a ordem mundial", explicou.
Para o antigo primeiro diretor-geral adjunto do Fundo Monetário Internacional, o mundo ainda não mudou completamente, mas as certezas estão a desaparecer umas após as outras.
"80% do comércio mundial continua a ser regido pelas regras da Organização Mundial do Comércio, pelo que não é completamente caótico, mas estamos num precipício", adverte.
Perante os riscos geopolíticos, a professora de Harvard considera que a resposta europeia deve passar pelo reforço do mercado único.
Para a professora de Harvard, a resposta europeia deve passar pelo reforço do mercado único. Para ela, a realização de reformas nos 27 Estados-Membros e a demonstração de que são capazes de se unir enviariam uma mensagem à comunidade internacional.