Na presença do presidente francês, a siderúrgica confirmou a construção do seu maior forno elétrico na Europa, na fábrica de Dunquerque. Emmanuel Macron diz que há um "futuro industrial" para França e para a Europa.
O investimento foi prometido em maio de 2024, mas a ArcelorMittal finalizou-o com grande pompa e circunstância a 10 de fevereiro de 2026. Na presença do presidente francês Emmanuel Macron, do comissário europeu Stéphane Séjourné e por vários ministros, a siderúrgica ratificou oficialmente um futuro investimento de 1,3 mil milhões de euros na sua fábrica de Dunquerque.
Segundo a empresa, este investimento permitirá a construção de um forno elétrico de arco gigante com uma capacidade de 2 milhões de toneladas por ano, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2029.
O objetivo é produzir aço sem carvão, cuja combustão emite muito CO2 e contribui para o aquecimento global.
O investimento neste forno de arco elétrico insere-se numa estratégia, proposta pela empresa, de transição de várias siderurgias europeias do Grupo do carvão para o hidrogénio. A fábrica de Dunquerque é um grande poluidor, sendo responsável por 15% das emissões de CO2 da indústria francesa.
Até 50% do investimento será financiado através do mecanismo do certificado de economia de energia (CEE), um regime regulado pelo governo que obriga os fornecedores de energia a financiar projectos destinados a reduzir o consumo de energia.
Investimento adiado
No entanto, há muito que a ArcelorMittal se mostra relutante em formalizar esta promessa de investimento. Quando foi anunciada pela primeira vez, em maio de 2024, o grupo siderúrgico anunciou que a confirmação seria dada "depois do verão".
Esta acabou por chegar com mais de um ano e meio de atraso. Em novembro de 2024, a empresa justificou a sua decisão de adiar o investimento por aguardar "medidas adicionais para proteger o aço europeu antes de se comprometer com qualquer investimento".
O grupo viu as medidas aparecerem com a entrada do Mecanismo de Ajustamento de Carbono de Fronteira(MACF) na sua fase definitiva a 1 de janeiro de 2026.
"A decisão de construir um forno elétrico de arco na ArcelorMittal Dunquerque, a fim de produzir aço de baixo carbono em grande escala para os nossos clientes, foi possível graças às condições agora criadas para concretizar este projeto", explica Geert van Poelvoorde, CEO da ArcelorMittal Europe, num comunicado de imprensa. "O novo contingente pautal ajudará a conter o fluxo de importações desleais para a UE, enquanto o MACF está agora operacional para criar condições mais equitativas para os produtores europeus".
O MACF, há muito solicitado pelos produtores de aço europeus, tem por objetivo sujeitar os produtos importados para o território aduaneiro da União Europeia a uma tarifação do carbono equivalente à aplicada aos fabricantes europeus desses produtos.
Apoio do governo francês
O projeto de construção do forno também teve o apoio do governo francês. Em 2023, a ArcelorMittal recebeu a confirmação de um subsídio de 850 milhões de euros para descarbonizar as suas fábricas de Dunquerque e Fos-sur-mer.
Uma segunda fábrica que Emmanuel Macron não esqueceu. Durante a sua visita a Dunquerque, o presidente francês apelou ao grupo para "levar a aventura até ao fim" e "construir o segundo forno, continuar com o hidrogénio", bem como dar "um futuro a Fos-sur-Mer", a outra grande fábrica francesa da ArcelorMittal.
A assinatura oficial do investimento de 1,3 mil milhões de euros parece tranquilizar o Presidente francês, garantindo que a principal siderurgia francesa e, na verdade, a principal siderurgia europeia, permanecerá em França.
No entanto, Gaétan Lecocq, delegado da CGT em Dunquerque, não vê as coisas assim. Gaétan Lecocq, delegado da CGT em Dunquerque, não vê as coisas assim. "Aguardamos algo de concreto" e "uma data firme" para a construção do forno elétrico.
Em 2024, quando a ArcelorMittal anunciou o seu investimento maciço em Dunquerque, a empresa confirmou também que mantinha o seu plano de supressão de 638 empregos em França.