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Bulgária vota pela oitava vez em cinco anos

Homem coloca o boletim numa assembleia de voto em Sófia, Bulgária, domingo, 19 de abril de 2026, durante eleições legislativas antecipadas.
Um homem deposita o boletim de voto numa assembleia de voto em Sófia, na Bulgária, domingo, 19 de abril de 2026, durante as eleições legislativas antecipadas. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Rory Elliott Armstrong com AFP
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Búlgaros foram às urnas este domingo na oitava eleição em cinco anos, com o bloco anticorrupção do ex-presidente Rumen Radev a liderar as sondagens.

Os búlgaros foram às urnas este domingo pela oitava vez em cinco anos, com o bloco do candidato anticorrupção e antigo presidente Rumen Radev dado como favorito.

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O membro mais pobre da União Europeia passou por uma sucessão de governos desde 2021, quando grandes manifestações contra a corrupção puseram termo ao governo conservador do líder de longa data Boyko Borissov.

Dados do Eurostat mostram que a Bulgária ocupa consistentemente o último lugar na UE em PIB per capita. Em 2025, a Bulgária (a par da Grécia) situava-se nos 68% da média da UE.

Radev, que defende o reatamento de laços com a Rússia e se opõe à ajuda militar à Ucrânia, foi presidente durante nove anos neste país balcânico de 6,5 milhões de habitantes.

Demitiu-se em janeiro para liderar a recém-formada coligação de centro-esquerda Bulgária Progressista, com sondagens anteriores à votação de domingo a apontarem para cerca de 35% dos votos.

O antigo general da Força Aérea afirma querer libertar o país do seu "modelo de governação oligárquico" e apoiou os protestos anticorrupção, no final de 2025, que derrubaram o mais recente governo apoiado pelos conservadores.

"Voto na mudança", disse Decho Kostadinov, 57 anos, aos jornalistas depois de depositar o boletim numa mesa de voto na capital, Sófia, acrescentando que os políticos corruptos "devem ir-se embora; que levem tudo o que roubaram e saiam da Bulgária".

As sondagens apontam para um aumento da participação, com mais de 3,3 milhões de búlgaros esperados nas urnas, segundo a Agência de Notícias Búlgara.

As urnas fecham às 17h00 GMT, com inquéritos à boca das urnas esperados de imediato. Resultados preliminares são aguardados para segunda-feira.

Preservar o que temos

O partido pró-europeu GERB, de Borissov, deverá ficar em segundo lugar, com cerca de 20%, à frente da aliança liberal PP-DB, segundo as sondagens.

"Voto para preservar o que temos. Somos um país democrático, vivemos bem", afirmou Elena, contabilista de cerca de 60 anos, que não quis revelar o apelido, depois de votar em Sófia.

O favorito Radev tem criticado duramente a política de energia verde da UE, que considera ingénua "num mundo sem regras".

Também se opõe a qualquer esforço da Bulgária para enviar armas para ajudar a Ucrânia a travar a invasão russa de 2022, embora tenha dito que não usaria o veto do país para bloquear decisões de Bruxelas.

O antigo presidente búlgaro Rumen Radev discursa no comício de encerramento da campanha, em Sófia, quinta-feira, 16 de abril de 2026.
O antigo presidente búlgaro Rumen Radev discursa no comício de encerramento da campanha, em Sófia, quinta-feira, 16 de abril de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.

Ao defender o restabelecimento de laços com a Rússia, Radev criticou um acordo de defesa de dez anos entre a Bulgária e a Ucrânia assinado no mês passado, o que lhe valeu novas acusações dos adversários de ser demasiado brando com Moscovo.

O ex-presidente também gerou indignação nas redes sociais ao projetar, no comício final da campanha, imagens dos seus encontros com líderes mundiais, incluindo o presidente russo Vladimir Putin.

"Temos de cerrar fileiras", disse a cerca de 10 mil apoiantes que o aplaudiam no comício, apresentando o seu partido como uma "alternativa não corrupta ao cartel perverso dos partidos à moda antiga".

Borissov, que liderou o país quase sem interrupções durante cerca de uma década, rejeita a ideia de que Radev traga algo "novo".

Num comício do seu partido no início da semana, insistiu que o GERB "cumpriu os sonhos dos anos 1990", com conquistas como a adesão do país à zona euro este ano.

Ninguém em quem votar

Radev procura alcançar uma maioria absoluta no parlamento de 240 lugares.

A falta de confiança na política tem afetado a participação eleitoral, que caiu para 39% nas últimas legislativas, em 2024.

Mas, com Radev a mobilizar eleitores, espera-se uma elevada afluência desta vez, segundo a analista Boryana Dimitrova, do instituto de sondagens Alpha Research.

Miglena Boyadjieva, taxista de cerca de 55 anos, disse que vota sempre, mas que "o problema é que não há ninguém em quem votar".

"Vota-se numa pessoa e acabam por vir outros. O sistema tem de mudar", afirmou aos jornalistas.

Os partidos políticos apelaram aos búlgaros para que vão votar, também para reduzir o impacto da compra de votos.

Nas últimas semanas, a polícia apreendeu mais de um milhão de euros em operações reforçadas contra a compra de votos.

Foram também detidas centenas de pessoas, incluindo autarcas e presidentes de câmara.

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