Búlgaros foram às urnas este domingo na oitava eleição em cinco anos, com o bloco anticorrupção do ex-presidente Rumen Radev a liderar as sondagens.
Os búlgaros foram às urnas este domingo pela oitava vez em cinco anos, com o bloco do candidato anticorrupção e antigo presidente Rumen Radev dado como favorito.
O membro mais pobre da União Europeia passou por uma sucessão de governos desde 2021, quando grandes manifestações contra a corrupção puseram termo ao governo conservador do líder de longa data Boyko Borissov.
Dados do Eurostat mostram que a Bulgária ocupa consistentemente o último lugar na UE em PIB per capita. Em 2025, a Bulgária (a par da Grécia) situava-se nos 68% da média da UE.
Radev, que defende o reatamento de laços com a Rússia e se opõe à ajuda militar à Ucrânia, foi presidente durante nove anos neste país balcânico de 6,5 milhões de habitantes.
Demitiu-se em janeiro para liderar a recém-formada coligação de centro-esquerda Bulgária Progressista, com sondagens anteriores à votação de domingo a apontarem para cerca de 35% dos votos.
O antigo general da Força Aérea afirma querer libertar o país do seu "modelo de governação oligárquico" e apoiou os protestos anticorrupção, no final de 2025, que derrubaram o mais recente governo apoiado pelos conservadores.
"Voto na mudança", disse Decho Kostadinov, 57 anos, aos jornalistas depois de depositar o boletim numa mesa de voto na capital, Sófia, acrescentando que os políticos corruptos "devem ir-se embora; que levem tudo o que roubaram e saiam da Bulgária".
As sondagens apontam para um aumento da participação, com mais de 3,3 milhões de búlgaros esperados nas urnas, segundo a Agência de Notícias Búlgara.
As urnas fecham às 17h00 GMT, com inquéritos à boca das urnas esperados de imediato. Resultados preliminares são aguardados para segunda-feira.
Preservar o que temos
O partido pró-europeu GERB, de Borissov, deverá ficar em segundo lugar, com cerca de 20%, à frente da aliança liberal PP-DB, segundo as sondagens.
"Voto para preservar o que temos. Somos um país democrático, vivemos bem", afirmou Elena, contabilista de cerca de 60 anos, que não quis revelar o apelido, depois de votar em Sófia.
O favorito Radev tem criticado duramente a política de energia verde da UE, que considera ingénua "num mundo sem regras".
Também se opõe a qualquer esforço da Bulgária para enviar armas para ajudar a Ucrânia a travar a invasão russa de 2022, embora tenha dito que não usaria o veto do país para bloquear decisões de Bruxelas.
Ao defender o restabelecimento de laços com a Rússia, Radev criticou um acordo de defesa de dez anos entre a Bulgária e a Ucrânia assinado no mês passado, o que lhe valeu novas acusações dos adversários de ser demasiado brando com Moscovo.
O ex-presidente também gerou indignação nas redes sociais ao projetar, no comício final da campanha, imagens dos seus encontros com líderes mundiais, incluindo o presidente russo Vladimir Putin.
"Temos de cerrar fileiras", disse a cerca de 10 mil apoiantes que o aplaudiam no comício, apresentando o seu partido como uma "alternativa não corrupta ao cartel perverso dos partidos à moda antiga".
Borissov, que liderou o país quase sem interrupções durante cerca de uma década, rejeita a ideia de que Radev traga algo "novo".
Num comício do seu partido no início da semana, insistiu que o GERB "cumpriu os sonhos dos anos 1990", com conquistas como a adesão do país à zona euro este ano.
Ninguém em quem votar
Radev procura alcançar uma maioria absoluta no parlamento de 240 lugares.
A falta de confiança na política tem afetado a participação eleitoral, que caiu para 39% nas últimas legislativas, em 2024.
Mas, com Radev a mobilizar eleitores, espera-se uma elevada afluência desta vez, segundo a analista Boryana Dimitrova, do instituto de sondagens Alpha Research.
Miglena Boyadjieva, taxista de cerca de 55 anos, disse que vota sempre, mas que "o problema é que não há ninguém em quem votar".
"Vota-se numa pessoa e acabam por vir outros. O sistema tem de mudar", afirmou aos jornalistas.
Os partidos políticos apelaram aos búlgaros para que vão votar, também para reduzir o impacto da compra de votos.
Nas últimas semanas, a polícia apreendeu mais de um milhão de euros em operações reforçadas contra a compra de votos.
Foram também detidas centenas de pessoas, incluindo autarcas e presidentes de câmara.