Búlgaros foram às urnas este domingo na oitava eleição em cinco anos. Com mais de 60 por cento dos votos contados, o partido Bulgária Progressista de Radev lidera com 45 por cento que significa uma maioria absoluta de, pelo menos, 132 assentos parlamentares.
Os búlgaros foram às urnas este domingo pela oitava vez em cinco anos, com o bloco do candidato anticorrupção e antigo presidente Rumen Radev dado como favorito.
Com mais de mais de 60 por cento (60,79) dos votos contados, o partido Bulgária Progressista de Radev parece confirmar o favoritismo. Segundo os resultados oficiais da Comissão Eleitoral Central do país, Radev segue na liderança com 44,58 por cento dos votos, uma maioria absoluta de, pelo mens, 132 lugares parlamentares em 240 possíveis.
Radev, que defende o reatamento de laços com a Rússia e se opõe à ajuda militar à Ucrânia, foi presidente durante nove anos neste país balcânico de 6,5 milhões de habitantes.
Com 62 anos, o líder bulgaro demitiu-se no início do ano depois de nove anos como presidente do país, acabando por concorrer às legislativas com a promessa de combater a corrupção.
O partido ficou à frente da coligação liberal PP-DB, que obteve 15 % dos votos, e do partido GERB de Borissov, que obteve 13% (13,01), de acordo com a comissão eleitoral.
"O PB venceu de forma inequívoca — uma vitória da esperança sobre a desconfiança, uma vitória da liberdade sobre o medo", afirmou Radev aos jornalistas em Sófia, garantindo que o país "envidará todos os esforços para continuar no seu caminho europeu".
O membro mais pobre da União Europeia passou por uma sucessão de governos desde 2021, quando grandes manifestações contra a corrupção puseram termo ao governo conservador do líder de longa data Boyko Borissov.
Dados do Eurostat mostram que a Bulgária ocupa consistentemente o último lugar na UE em PIB per capita. Em 2025, a Bulgária (a par da Grécia) situava-se nos 68% da média da UE.
O antigo general da Força Aérea afirma querer libertar o país do seu "modelo de governação oligárquico" e apoiou os protestos anticorrupção, no final de 2025, que derrubaram o mais recente governo apoiado pelos conservadores.
Radev tem criticado duramente a política de energia verde da UE, que considera ingénua "num mundo sem regras".
Também se opõe a qualquer esforço da Bulgária para enviar armas para ajudar a Ucrânia a travar a invasão russa de 2022, embora tenha dito que não usaria o veto do país para bloquear decisões de Bruxelas.
Ao defender o restabelecimento de laços com a Rússia, Radev criticou um acordo de defesa de dez anos entre a Bulgária e a Ucrânia assinado no mês passado, o que lhe valeu novas acusações dos adversários de ser demasiado brando com Moscovo.
O ex-presidente também gerou indignação nas redes sociais ao projetar, no comício final da campanha, imagens dos seus encontros com líderes mundiais, incluindo o presidente russo Vladimir Putin.
"Temos de cerrar fileiras", disse a cerca de 10 mil apoiantes que o aplaudiam no comício, apresentando o seu partido como uma "alternativa não corrupta ao cartel perverso dos partidos à moda antiga".
Borissov, que liderou o país quase sem interrupções durante cerca de uma década, rejeita a ideia de que Radev traga algo "novo".
Num comício do seu partido no início da semana, insistiu que o GERB "cumpriu os sonhos dos anos 1990", com conquistas como a adesão do país à zona euro este ano.