O país desenvolveu uma tecnologia de drones de ponta, testada em combate, que se revelou essencial para travar o maior exército russo e atraiu o interesse militar de todo o mundo.
Os sistemas de interceção ucranianos abateram mais de 33.000 drones russos em março, um número mensal recorde desde que Moscovo lançou a sua invasão em grande escala em 2022, disse o ministro da Defesa da Ucrânia.
Enquanto isso, os drones de ataque de longo alcance desenvolvidos internamente pela Ucrânia atingiram uma refinaria de petróleo russa e um terminal no Mar Negro pela terceira vez em menos de duas semanas, levando à retirada da população local como medida de precaução.
A Ucrânia desenvolveu uma tecnologia de drones de ponta, testada em combate, que se revelou essencial para travar o exército russo, de maiores dimensões, e que atraiu o interesse militar de todo o mundo.
Os drones intercetores, que fazem parte de um sistema de defesa aérea abrangente, estão agora a ser procurados por países do Médio Oriente e do Golfo Pérsico, no contexto da guerra com o Irão, de acordo com funcionários ucranianos.
A Ucrânia está a aumentar o fornecimento de drones intercetores para impedir os ataques aéreos russos e os seus militares introduziram um novo comando dentro da força aérea para aumentar as capacidades do país, disse o ministro da Defesa Mykhailo Fedorov numa publicação no Telegram na segunda-feira.
As capacidades ofensivas da Ucrânia também melhoraram, com o Ministério da Defesa a dizer na terça-feira que as forças do país mais do que duplicaram o alcance das suas capacidades de ataque profundo desde a invasão russa de fevereiro de 2022.
Naquela época, as forças ucranianas eram capazes de atingir alvos militares a cerca de 630 quilómetros de distância, disse. Agora estão a atingir alvos a cerca de 1.750 quilómetros atrás das linhas inimigas, avançou ministério em comunicado.
Esta melhoria permitiu à Ucrânia atingir instalações petrolíferas russas que fornecem receitas cruciais para o esforço de guerra de Moscovo. Também tem como alvo fábricas que abastecem as forças armadas russas.
A Ucrânia atacou uma refinaria de petróleo russa no porto de Tuapse, no Mar Negro, pela terceira vez este mês, numa operação coordenada que envolveu vários ramos dos serviços de defesa e segurança do país, informaram as Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia na terça-feira
Os dois ataques do início do mês destruíram 24 tanques de armazenamento de petróleo e danificaram outros quatro, segundo a mesma fonte. Não foi possível efetuar uma verificação independente das alegações.
O Ministério da Defesa russo afirmou na terça-feira que as suas defesas aéreas interceptaram 186 drones ucranianos durante a noite sobre as regiões russas, a Crimeia anexada e os mares Negro e Azov.
Europa pode precisar da Ucrânia
Com a Rússia a representar uma ameaça para toda a Europa, o continente pode precisar mais da Ucrânia do que a Ucrânia precisa da Europa, disse o Presidente finlandês Alexander Stubb na terça-feira, salientando as grandes e cada vez mais modernas forças armadas de Kiev.
"Em vez de pensarmos que a Ucrânia precisa da Europa, talvez devêssemos pensar que nós, na Europa, precisamos mais da Ucrânia", disse Stubb aos jornalistas numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo estónio Alar Karis.
"É a maior, mais eficiente e mais moderna força militar da Europa".
A Europa reforçou as suas capacidades defensivas face à invasão e aos ataques "híbridos" de Moscovo aos países europeus, incluindo sobrevoos de drones, alegadas sabotagens e desinformação.
Tanto Stubb como Karis manifestaram o seu apoio ao desejo de Kiev de aderir à União Europeia e à NATO.
"Temos de começar a pensar seriamente no quanto a Europa precisa realmente da Ucrânia, quer se trate da adesão à UE ou, na realidade, da adesão à NATO", afirmou Stubb.
Os líderes europeus apoiam amplamente as aspirações de adesão da Ucrânia à UE, mas há pouca vontade de acelerar o processo de adesão de Kiev, apesar dos apelos urgentes do Presidente Volodymyr Zelenskyy.
Kiev obteve oficialmente o estatuto de país candidato à adesão à UE em dezembro de 2023.
Stubb defendeu, entretanto, que a maré está a virar a favor da Ucrânia na guerra com a Rússia.
"Se olharmos para os últimos quatro meses, a Ucrânia está a sair-se muito melhor do que a Rússia", afirmou.
"O número de soldados mortos e feridos aumentou para 30.000 a 35.000 por mês do lado russo, com um rácio de um ucraniano para cinco russos", acrescentou Stubb.
"Para além disso, a Ucrânia tem agora a capacidade de lançar mais mísseis e drones contra a Rússia do que vice-versa. O ritmo a que a Rússia está a avançar é, na verdade, mínimo, com um custo de cerca de 250 mortos por quilómetro quadrado."