A Europa está em alerta máximo depois de os voos de drones no espaço aéreo da NATO terem atingido uma escala sem precedentes em setembro passado, levando os líderes a concordar em desenvolver um "muro de drones".
Vários drones entraram no espaço aéreo da Letónia vindos da Rússia durante a noite, tendo dois deles caído e um provocado um breve incêndio num depósito de petróleo, informou o exército na quinta-feira.
"Vários veículos aéreos não tripulados entraram no espaço aéreo da Letónia", afirmou o exército do país membro da UE e da NATO que faz fronteira com a Rússia, em comunicado, acrescentando que dois deles "se despenharam".
Um dos drones despenhou-se num local de armazenamento de petróleo em Rezekne, no leste do país, informou a polícia nacional. O incêndio deflagrou mas foi rapidamente controlado pelos bombeiros.
"Enquanto a agressão russa contra a Ucrânia continuar, é possível que tais incidentes se repitam, quando uma aeronave não tripulada estrangeira entrar no espaço aéreo letão ou se aproximar dele", disse o exército.
Não ficou imediatamente claro qual a origem dos drones.
Em março, drones que se acredita serem da Rússia atingiram a Letónia e a vizinha Estónia.
Um drone "atingiu a chaminé da central elétrica de Auvere", na Estónia, informou o ISS (Serviço de Segurança Interna) em comunicado, enquanto outro caiu em território letão.
"Estes são os efeitos da guerra de agressão em grande escala da Rússia", disse a diretora-geral do ISS, Margo Palloson, manifestando preocupação com "a ocorrência de tais incidentes no futuro".
Alerta máximo
A Europa no seu todo está em alerta máximo depois de os voos de drones no espaço aéreo da NATO terem atingido uma escala sem precedentes em setembro passado, levando os líderes europeus a concordar em desenvolver um "muro de drones" ao longo das suas fronteiras para melhor detetar, seguir e intercetar os drones que violam o espaço aéreo europeu.
Em novembro, oficiais militares da NATO afirmaram que um novo sistema antidrone dos EUA tinha sido instalado no flanco oriental da aliança.
Na sequência de uma violação do espaço aéreo polaco, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou a criação do programa Eastern Sentry, que visa impedir novas incursões russas.
Alguns funcionários europeus descreveram os incidentes como um teste de Moscovo à resposta da NATO, o que levantou questões sobre o grau de preparação da aliança contra potenciais ameaças da Rússia.
O Kremlin rejeitou as alegações de que a Rússia está por trás de alguns dos voos de drones não identificados na Europa como "infundadas".