Os custos de frequentar o ensino superior em Portugal são mais elevados para as famílias portuguesas do que na maioria dos outros países da União Europeia.
Frequentar o ensino superior é mais barato em Portugal do que nos restantes países da União Europeia (UE), mas os custos são mais elevados para as famílias portuguesas. Esta é a conclusão do estudo "Ensino superior e emprego jovem em Portugal: tendências, resultados e comparações internacionais" da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), divulgado esta quinta-feira.
Para a análise, onde se pretendiam observar os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior, foi tido em consideração o retorno financeiro obtido desse investimento, ou seja, a diferença entre os ganhos salariais ao longo da vida e os custos de frequentar uma universidade.
Em comparação com os restantes países do bloco, os custos de estudar no ensino superior em Portugal são mais baixos, o que explica, em parte, porque os jovens que ficam pelo ensino secundário costumam ganhar salários mais baixos. Os licenciados recebem, em média, mais 28% do que quem não frequentou a universidade, aponta o estudo.
O relatório indica, no entanto, que os custos diretos de frequentar uma universidade em Portugal - propinas, taxas ou materiais de estudo - são elevados em comparação com o PIB per capita e representam uma parte importante do total gasto. Tal não acontece na maioria dos países do bloco, onde o maior custo costuma ser o dinheiro que os estudantes deixam de ganhar por não estarem a trabalhar.
Entre os restantes países da UE, só Espanha e a Hungria ultrapassam Portugal no que diz respeito ao peso do ensino superior no orçamento dos agregados familiares. Os autores do estudo alertaram, também, para o facto de os custos iniciais para entrar no ensino superior poderem condicionar o acesso às universidades.
Estudo destaca pouco investimento na educação
De acordo com os dados divulgados, têm-se registado investimentos "relativamente baixos" na educação no nosso país. Em 2022, Portugal pagou, em média, cerca de 12.000 euros por estudante. Isto é, 35% abaixo da média da UE, sendo que um terço desse valor foi pago pelas famílias. Este valor coloca Portugal entre os Estados-membros do bloco onde os agregados familiares mais contribuem para o financiamento do ensino superior.
O modelo de partilha de custos seguido por Portugal, que combina financiamento público e propinas a cargo dos estudantes, é apontado como insuficiente pelo relatório.
Numa apresentação das conclusões à comunicação social, o coordenador do estudo, Luís Catela Nunes, recordou que o valor atual das bolsas de estudo é muito baixo e defendeu mecanismos de apoio financeiro sólidos, cita a agência Lusa. Catela Nunes garante que estes mecanismos são cruciais para garantir que nenhum estudante fica excluído do ensino superior por motivos financeiros.
"Pensando no futuro, a dúvida é que se as propinas vierem a aumentar, isso vai colocar uma pressão ainda maior nas famílias", alertou o cordenador do estudo, citado pela Lusa, acrescentando que "qualquer mudança nas propinas tem de ser acompanhada de bolsas de estudo".
Os autores do relatório apelam à reflexão sobre um sistema de empréstimos indexados aos rendimentos das pessoas. Defendem que este sistema teria de ter regras claras, formas seguras de pagamento e medidas de proteção para garantir que possam ter acesso ao ensino superior.
Número de licenciados tem vindo a aumentar
Apesar dos elevados custos para as famílias portuguesas, a percentagem de jovens adultos diplomados em Portugal passou de 11%, no final da década de 1998, para 43%, em 2024. O estudo revela que as licenciaturas continuam a ser a qualificação mais comum (58%), com os mestrados a ocuparem a segunda maior parcela (33%). Já os doutoramentos mantêm-se estáveis, nos 3%.
Os dados mostram, ainda, que quem conclui o mestrado alcança taxas de emprego de 88% no prazo de um a dois anos e de 93% ao fim de cinco anos, em linha com a média da União Europeia. Os licenciados registam uma taxa de emprego inferior (75%).