O bloco deve combater as terapias de conversão "bárbaras" e "vergonhosas" que afetam as comunidades LGBTQI+ da Europa, afirmou a comissária europeia para a Igualdade, Hadja Lahbib, em declarações exclusivas à Euronews.
A terapia de conversão é uma "tortura" que pode levar à depressão e ao suicídio, e é por isso que temos de reagir e combater estas práticas", afirmou Hadja Lahbib, diretora da Comissão Europeia para a Igualdade de Oportunidades, ao programa Europe Today da Euronews.
Os comentários surgiram na sequência de uma apresentação da Comissão Europeia sobre uma iniciativa de cidadãos com mais de um milhão de assinaturas que pedia a proibição da prática em todo o bloco.
Em vez de responder às exigências, a Comissão irá apresentar, no próximo ano, uma recomendação não vinculativa que inclui ações para aumentar a sensibilização da sociedade, ajudar as vítimas a recorrer à justiça e reforçar o apoio médico e psicológico.
Questionada sobre a razão pela qual o executivo não foi tão longe, Lahbib admitiu a falta de unanimidade entre os Estados-membros.
O artigo 19º dos Tratados da UE obriga à unanimidade para combater a discriminação em razão do sexo, raça ou origem étnica, religião ou crença, deficiência, idade ou orientação sexual.
"A Comissão Europeia está a enviar uma mensagem muito clara e sem ambiguidades a todos os Estados-membros desta União: proíbam já as práticas de conversão", afirmou Lahbib.
"Os Estados-membros têm um papel essencial a desempenhar, uma vez que esta matéria é em grande parte da sua responsabilidade", acrescentou, colocando o ónus nas capitais.
Atualmente, oito dos 27 Estados-membros - Bélgica, Chipre, França, Alemanha, Grécia, Malta, Espanha e Portugal - têm proibições em vigor. As leis não são idênticas. Por exemplo, preveem vários graus de sanções financeiras e penas de prisão.
"Mostraram que é possível fazê-lo", afirmou Lahbib, elogiando os oito países. "Estamos a aproveitar esse impulso e a apelar aos restantes países para que o sigam".