Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Acordo comercial entre a UE e os EUA num momento decisivo em Estrasburgo

O Presidente dos EUA, Donald Trump, e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegaram a acordo comercial em Turnberry, na Escócia, em julho de 2025
O Presidente dos EUA, Donald Trump, e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegaram a acordo comercial em Turnberry, na Escócia, em julho de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Vincenzo Genovese
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Os governos da UE e o Parlamento Europeu vão voltar a discutir a aplicação do acordo comercial entre a UE e os EUA, perante as ameaças de aumento das tarifas por parte de Trump. Como o tempo está a passar, esta pode ser a última oportunidade para o finalizar antes do prazo de 4 de julho.

O Parlamento Europeu e os países da UE estão a preparar-se para a reta final das negociações do acordo comercial entre a UE e os EUA, numa altura em que as conversações estão a ser intensificadas pela pressão crescente da administração de Donald Trump.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Na terça-feira, às 21h00, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, legisladores e diplomatas vão voltar a discutir a implementação do acordo, que reduziria para zero os direitos aduaneiros europeus sobre os produtos americanos e estabeleceria um limite máximo de 15% para os direitos aduaneiros americanos sobre os produtos europeus. O tempo está a esgotar-se, uma vez que o acordo deve ser finalizado antes de junho, para ser aprovado na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu, no mesmo mês, e cumprir o prazo estabelecido por Trump.

Após uma chamada com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na semana passada, o presidente dos EUA disse que daria à UE até 4 de julho para implementar os seus compromissos, antes de aumentar as tarifas sobre os produtos da UE, incluindo automóveis, para "níveis muito mais elevados".

O Parlamento Europeu e o Conselho chegaram entretanto a um acordo provisório para que o acordo comercial possa ser suspenso em caso de perturbação do mercado causada por um aumento das importações norte-americanas, mas há outros pormenores que ainda não foram definidos e os grupos políticos não estão totalmente alinhados.

Em particular, a chamada "cláusula sunrise" - nascer do sol, numa tradução literal - que define quando é que o acordo começa a ser aplicado. O Parlamento Europeu quer que o acordo só comece a ser aplicado quando Washington cumprir o limite máximo de 15% dos direitos aduaneiros, enquanto a Comissão e vários Estados-membros preferem que seja aplicado imediatamente.

A cláusula de arranque foi introduzida pelos eurodeputados depois de um acórdão do Supremo Tribunal dos EUA, em fevereiro, ter declarado ilegais as tarifas norte-americanas de 2025, levando Washington a introduzir novos direitos sobre os produtos da UE, que agora ultrapassam o limite máximo acordado, violando assim o acordo.

Os eurodeputados também querem que a UE possa suspender o acordo em caso de ameaças à integridade territorial da UE, como as feitas por Trump no início deste ano. Mas a Comissão opõe-se a esta disposição. As negociações sobre a data de expiração do acordo prosseguem, com os legisladores europeus a proporem março de 2028.

Os negociadores do Parlamento Europeu têm prioridades diferentes

Enquanto discutem os pormenores com os diplomatas dos países da UE, os legisladores têm de garantir o apoio da maioria do Parlamento para que a versão final seja aprovada.

Os pormenores do acordo podem criar fricções no seio da frágil "maioria centrista" que apoia a Comissão de von der Leyen. O Partido Popular Europeu (PPE), os Socialistas e Democratas (S&D) e o Renew Europe concordam com a necessidade de um acordo, mas divergem quanto à linha a manter nas conversações com os diplomatas.

É mais provável que o PPE ceda às pressões, uma vez que pretende concluir o acordo o mais rapidamente possível para evitar riscos de perturbações para a indústria europeia.

"Quanto mais cedo conseguirmos fechar as negociações, mais cedo daremos clareza às empresas e, de facto, mais previsibilidade numa situação turbulenta", disse à Euronews o eurodeputado sueco Jörgen Warborn, que está a negociar o acordo, depois de a última tentativa ter falhado há duas semanas.

O S&D tem uma posição mais firme e quer que as cláusulas sejam incluídas no acordo.

Bernd Lange, o principal negociador do Parlamento Europeu, recusou-se a avançar com as conversações e considera que a legislação europeia não deve ser moldada por mensagens ameaçadoras nas redes sociais de Washington.

"Os últimos desenvolvimentos mostram que foi correto mantermo-nos firmes contra a campanha americana de ameaças", afirmou num comunicado de imprensa recente, referindo-se às decisões judiciais dos EUA contra as tarifas globais impostas por Trump.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Exclusivo: Negociadores da UE chegam a acordo sobre as principais cláusulas do acordo UE-EUA

Socialistas rejeitam proposta do PPE para avançar com negociações sobre acordo comercial UE-EUA

Não nos deixaremos intimidar": Parlamento Europeu insiste em atrasar acordo comercial com os EUA