O PPE quer antecipar a próxima ronda de negociações sobre o acordo comercial entre a UE e os EUA, mas o presidente do Grupo Socialista, Lange, insiste em manter o dia 19 de maio.
O acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos está a criar um fosso entre os dois maiores grupos do Parlamento Europeu - o Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas e Democratas (S&D) - depois da última tentativa de implementar o acordo ter falhado na semana passada.
Nos últimos dias, o PPE tentou antecipar a próxima ronda de conversações entre o Parlamento Europeu e os Estados-membros da UE para afinar os pormenores do acordo.
No entanto, Bernd Lange, o eurodeputado socialista alemão que preside à Comissão do Comércio, rejeitou o pedido e insistiu em manter o dia 19 de maio como data para a próxima ronda de negociações, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Euronews.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deu aos europeus até 4 de julho para finalizarem o acordo, que reduziria as tarifas da UE sobre os produtos americanos para zero e limitaria as tarifas norte-americanas a 15%.
Apesar dos eurodeputados esperarem um resultado positivo antes do prazo estipulado por Trump, o desacordo sobre o calendário das próximas conversações evidencia as diferentes opiniões dos grupos políticos sobre a urgência da situação.
O PPE argumenta que as empresas europeias precisam de ter certezas sobre as relações comerciais com os EUA o mais rapidamente possível, alertando para o facto de que qualquer atraso adicional pode representar riscos para a indústria.
O partido também aponta para a crescente pressão de Donald Trump sobre a Europa, incluindo ameaças de impor tarifas de 25% sobre os carros e camiões europeus se a UE não implementar o acordo.
O S&D, por sua vez, não quer ceder à pressão, especialmente à luz das recentes decisões judiciais dos EUA contra as tarifas globais impostas por Trump.
"Os últimos desenvolvimentos mostram que foi correto mantermo-nos firmes contra a campanha americana de ameaças. A legislação europeia não deve ser moldada por mensagens ameaçadoras nas redes sociais de Washington", afirmou Lange num comunicado de imprensa recente.
Lange defendeu que os procedimentos democráticos da UE "não são negociáveis" e rejeitou as críticas dos EUA de que a Europa está a avançar demasiado devagar.
"Os atrasos foram causados pelas ações irresponsáveis do presidente Trump, por exemplo, no que diz respeito ao seu pedido de anexação da Gronelândia. A sua afirmação de que nós, europeus, não estamos a cumprir as nossas obrigações é simplesmente falsa", afirmou.