Depois de ter falado com Ursula von der Leyen na quinta-feira à noite, Donald Trump adiou a sua ameaça de aplicação de direitos aduaneiros "muito mais elevados" à União Europeia até 4 de julho.
A União Europeia tem até 4 de julho para aplicar integralmente o seu acordo comercial com os Estados Unidos ou enfrentar "tarifas muito mais elevadas", afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, após uma conversa telefónica com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O anúncio, que surge no meio de tensões crescentes entre a UE e os EUA, adia uma ameaça feita por Trump na passada sexta-feira, quando disse que as tarifas sobre os automóveis fabricados na UE seriam aumentadas de 15% para 25% durante esta semana.
"Tenho estado pacientemente à espera que a UE cumpra a sua parte do acordo comercial histórico que definimos em Turnberry, na Escócia, o maior acordo comercial de sempre! Foi feita a promessa de que a UE cumpriria a sua parte do acordo e, conforme acordado, reduziria as suas tarifas para zero!", escreveu o presidente dos EUA nas redes sociais.
Referindo-se ao dia da independência dos Estados Unidos, Donald Trump informou ainda que "concordou" em dar até "ao 250º aniversário do nosso país ou, infelizmente, as suas tarifas iriam imediatamente saltar para níveis muito mais elevados".
No âmbito de um acordo desequilibrado alcançado no verão passado, a UE comprometeu-se a reduzir drasticamente os direitos aduaneiros remanescentes sobre os produtos norte-americanos. Em troca, os EUA concordaram com uma tarifa global de 15 % sobre a maioria dos produtos da UE, o que impediu a acumulação de direitos adicionais.
O Parlamento Europeu e os Estados-membros estão atualmente a negociar a legislação que permitirá a eliminação dos direitos aduaneiros. Uma ronda de conversações fracassou na quarta-feira à noite, mas os legisladores saudaram os progressos no sentido de uma possível resolução a 19 de maio.
O principal ponto de discórdia é a exigência dos legisladores de inserir salvaguardas no caso de Trump violar os compromissos conjuntos ou ameaçar a integridade territorial do bloco, como fez no início deste ano, quando ameaçou confiscar à força a Gronelândia à Dinamarca.
Os Estados-membros preferem manter a redação original, que não incluía quaisquer salvaguardas, e implementar o acordo o mais rapidamente possível.
Mas a ameaça de Trump de aumentar os direitos aduaneiros de 15% para 25% encorajou ainda mais os críticos do acordo, que acreditam que o presidente dos EUA irá, mais cedo ou mais tarde, recuar e exigir mais concessões aos europeus. A Casa Branca tem atacado repetidamente os regulamentos digitais e ambientais do bloco e apelado abertamente à sua abolição.
No início desta semana, Ursula von der Leyen respondeu a Trump.
"Um acordo é um acordo, e nós temos um acordo. E a essência deste acordo é a prosperidade, regras comuns e fiabilidade", disse von der Leyen.
"Queremos com este trabalho (alcançar) ganhos mútuos, cooperação e fiabilidade. E estamos preparados para todos os cenários", acrescentou, sugerindo uma potencial retaliação.
Von der Leyen também lembrou Trump que, de acordo com o limite máximo de 15% do acordo comercial, os EUA não podem aumentar unilateralmente as tarifas.
O telefonema de quinta-feira, que Trump descreveu como "ótimo", parece ter aliviado as tensões - por enquanto. Os dois líderes também discutiram o conflito no Médio Oriente.
"Discutimos muitos tópicos, incluindo o facto de estarmos completamente unidos quanto ao facto de o Irão nunca poder ter uma arma nuclear. Concordámos que um regime que mata o seu próprio povo não pode controlar uma bomba que pode matar milhões", disse Trump.
A maioria dos funcionários e diplomatas em Bruxelas não esperava que a tarifa de 25% se concretizasse, dado o historial de Trump de emitir ameaças e depois mudar de ideias.