Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Ucrânia: antigo primeiro-ministro diz que Putin tentará recrutar qualquer enviado às negociações

Arseniy Yatsenyuk, antigo primeiro-ministro ucraniano
Arseniy Yatsenyuk, ex-primeiro-ministro ucraniano Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Sasha Vakulina
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Arseniy Yatsenyuk, ex-primeiro-ministro ucraniano, disse à Euronews que, mesmo com líderes europeus a ponderar falar com a Rússia, Putin só aceita a rendição da Europa.

"Não subestimem este criminoso de guerra. Não é um idiota. É um agente do KGB", afirmou o antigo primeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, quando questionado sobre o presidente russo, Vladimir Putin, e a hipótese de um enviado da UE em negociações diretas com o Kremlin.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

"Putin vai escolher alguém que possa recrutar", disse Yatsenyuk.

Numa entrevista ao programa Europe Today, da Euronews, na quarta-feira, Yatsenyuk deixou alguns conselhos para qualquer negociação com Putin, baseados na sua própria experiência com o líder russo.

"Percebe sempre se a pessoa é fraca ou forte, por isso fareja cada pessoa com quem se cruza", recordou Yatsenyuk.

"Tudo depende da personalidade de quem vai falar com Putin (...) e de saber se essa figura política de alto perfil terá munições adicionais que sustentem a sua posição", explicou.

Ainda assim, Yatsenyuk considera que, quaisquer que sejam as iniciativas discutidas entre os líderes da UE, Moscovo simplesmente não quer falar com Bruxelas.

"Putin não está interessado, não está preparado para qualquer tipo de negociações neste momento. Talvez aceitasse algum tipo de mediador apenas por uma razão simples e óbvia: ganhar tempo, voltar a virar o jogo a seu favor e, no fundo, passar-nos a perna".

"Putin não está preparado para receber ninguém"

Yatsenyuk insistiu que a questão não passa pelos nomes dos potenciais candidatos, mas sim pela política europeia. «A única linguagem que Putin entende é a linguagem da força», afirmou.

Nesta fase, o presidente russo não está "pronto para receber ninguém (...). Mas Putin está pronto para aceitar a rendição da Ucrânia e, na verdade, dos europeus. E temos de perceber isto".

Yatsenyuk disse à Euronews que é também por isso que a Rússia intensificou as ameaças não só contra a Ucrânia, mas também contra os diplomatas europeus em Kiev e nos Estados bálticos.

"A Rússia representa uma enorme ameaça para a segurança da União Europeia e era óbvio que iria tentar intimidar toda a gente, sobretudo a União Europeia", afirmou, quando questionado sobre as recentes incursões de drones nos países bálticos.

"Isto faz parte da guerra por interposta pessoa que a Rússia trava contra a União Europeia e a NATO. Querem intimidar os cidadãos da União Europeia e acreditam que, assim, levarão os europeus a virar costas aos ucranianos".

Este cenário "nunca, nunca se concretizará", garantiu, ao explicar por que motivo o Kremlin intensificou agora as ameaças.

"Putin está a perder a guerra. Porque esperava tomar a Ucrânia há 12 anos", afirmou Yatsenyuk, que era primeiro-ministro da Ucrânia quando a Rússia lançou a primeira invasão, em 2014, e anexou a Crimeia.

"Depois lançou uma guerra total e chegou a entusiasmar-se com a ideia de tomar Kiev em três dias. No fim, perdeu cerca de 1,5 milhões de soldados russos".

Com a economia russa a ressentir-se gradualmente do impacto e agora em queda acentuada, "há uma espécie de fervilhar, mesmo dentro da própria Rússia, sobre qual será a melhor saída para Putin", disse.

É por isso que Yatsenyuk considera que a única opção de Putin agora é escalar o conflito.

"Trata-se da sua sobrevivência física, da capacidade de sobreviver como senhor Putin, e da sobrevivência política como presidente da Rússia. Por isso, vai escalar".

A China em posição de força

Yatsenyuk insistiu ainda que a situação política e geopolítica mudou de forma drástica.

"Os europeus têm de perceber que esta guerra não diz respeito apenas à Ucrânia nem apenas a Putin, mas a todos estes eixos do mal sob a égide da China", disse Yatsenyuk, apontando para o crescente apetite de guerra de Moscovo e o apoio de Pequim.

"A China continua em posição de força nesta guerra e é cúmplice", afirmou, rejeitando a alegada posição “neutra” de Pequim.

"São parceiros estratégicos de Putin. Assinaram vários acordos. Garantiram a linha de vida da Rússia de Putin, tanto em termos financeiros como de materiais de dupla utilização, que na prática são militares".

As hipóteses de colaborar com Pequim para que a China pressione Moscovo "são muito reduzidas, mas existem".

"Isto poderia, de facto, abrir caminho para negociações reais com Putin, porque nunca tivemos qualquer tipo de conversações verdadeiras".

Nem mesmo os esforços diplomáticos dos Estados Unidos pressionaram o Kremlin, disse Yatsenyuk, desvalorizando o encontro do presidente norte-americano, Donald Trump, com Putin, no Alasca, no ano passado.

"Nada teve a ver com verdadeiras negociações de paz. Foi uma operação especial do KGB para ultrapassar tanto os americanos como os ucranianos e contornar as sanções".

Moscovo procurou também criar divisões entre americanos e europeus, acrescentou, afirmando que "agora ficou óbvio até para os próprios americanos que os russos não estavam interessados em qualquer tipo de conversações", segundo Yatsenyuk.

Sem qualquer pressão diplomática, a Rússia conseguiu ampliar a agressão para lá da Ucrânia e ameaça agora abertamente os países europeus, onde as sirenes de ataque aéreo soaram pela primeira vez na última semana, gerando um novo sentido de urgência quanto à preparação da defesa da UE.

"Desejo que todos os cidadãos europeus estejam em segurança. Mas gostava também que todos percebêssemos que só há uma forma de vocês, europeus, estarem em segurança: é se nós, ucranianos, ganharmos esta guerra, ponto final", concluiu Yatsenyuk.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

“É difícil dialogar com alguém que nos quer matar”: ameaça russa perturba debate da UE

Países da UE rejeitam ameaça russa contra diplomatas e convocam embaixadores

Estados Unidos prontos para mediar paz enquanto Moscovo intensifica ameaças a Kiev