A Europa lança grandes projetos de infraestruturas subterrâneas e testa um novo ecossistema tecnológico para eliminar riscos humanos e reduzir emissões de carbono num dos setores mais intensivos em energia do mundo.
Máquinas pesadas autónomas e drones juntam forças para reduzir emissões e aumentar a segurança na construção de túneis, graças a uma iniciativa europeia liderada por Espanha.
Sendo o setor da construção responsável por quase 40% das emissões globais de CO2 relacionadas com a energia, a pegada de carbono dos materiais e processos usados num único grande projeto de túnel pode equivaler às emissões de centenas de milhares de voos intercontinentais.
Com grandes obras como o Corredor Mediterrânico, em Espanha, e o Túnel de Base do Brenner, nos Alpes, atualmente em curso, a adoção de soluções de baixa emissão e elevada eficiência está a tornar-se uma prioridade para o setor.
Na atmosfera perigosa que se segue a uma detonação num túnel, a visibilidade é praticamente nula e o risco de cargas não deflagradas representa uma ameaça constante para os trabalhadores.
É aqui que o projeto Beeyonders intervém, retirando o “fator humano” da zona de perigo.
O local-piloto escolhido para esta fase da experimentação foi a Fundación Santa Bárbara, em Ribera de Folgoso, uma antiga pedreira agora reconvertida em centro de formação e simulação para equipas técnicas envolvidas em construção, manutenção e resposta a emergências no noroeste de Espanha.
Este ambiente controlado permite a investigadores e engenheiros testar e aperfeiçoar, em segurança, sistemas autónomos em condições realistas antes de os implementarem em obras de infraestruturas em atividade.
"Utilizamos drones em duas fases distintas", explica Marco Montes Grova, engenheiro de Perceção e IA na CATEC. «Primeiro, cartografam o túnel para criar um gémeo digital. Depois, após a detonação, o drone funciona como os olhos da pá-carregadora, guiando-a através do fumo até à frente de escavação. A câmara térmica consegue até detetar engenhos não detonados."
Nova tecnologia poupa tempo
Esta sinergia não só salva vidas como otimiza todo o ciclo de construção. Ao permitir que as máquinas entrem no túnel imediatamente após a explosão, quando o ar ainda é demasiado denso para os trabalhadores, a tecnologia reduz de forma significativa os tempos de paragem.
A mesma tecnologia de pá-carregadora autónoma está a ser adaptada a trabalhos à superfície, com ensaios realizados recentemente num local-piloto ao longo da autoestrada Roma-L'Aquila, em Itália.
Aqui, a pá-carregadora autónoma funciona dentro de um ecossistema digital sofisticado. Os drones realizam fotogrametria para mapear a zona e definir o percurso ideal da máquina, enquanto os trabalhadores estão equipados com sensores RTK vestíveis.
Estes sensores permitem à pá-carregadora identificar e evitar o pessoal em tempo real, parando automaticamente para garantir segurança total na obra.
"Esta pá-carregadora mecânica, convertida para condução autónoma, pode reduzir o consumo de combustível em cerca de 10% num setor tão intensivo em energia como a construção rodoviária", afirma Fabrizio Federici, gestor de projeto na AISCAT Servizi. "A informação recolhida permite ao gémeo digital calcular o percurso mais eficiente e seguro, reduzindo diretamente a poluição ambiental."
Ao automatizar inspeções e operações de carga pesada, tanto no subsolo como em autoestradas em serviço, estas inovações procuram transformar as obras de infraestruturas em ambientes digitais de elevada precisão e baixas emissões.