Pierrakakis diz à Euronews que a política fiscal não deve contrariar os esforços do BCE para controlar a inflação, agora que o banco central se prepara para aumentar as taxas de juro. Roma apela a uma maior flexibilidade, tendo em conta o aumento dos custos da energia em consequência da guerra.
Em entrevista à Euronews, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, afirmou que a política orçamental na zona euro tem de complementar o esforço do Banco Central Europeu (BCE) para conter a inflação, após o conflito no Médio Oriente ter desencadeado uma subida dos preços da energia em todo o bloco.
Em entrevista ao programa matinal de referência da Euronews, o "Europe Today", Pierrakakis afirmou que os ministros das Finanças têm de encontrar um equilíbrio entre oferecer apoio orçamental e aplicar medidas específicas que não alimentem pressões inflacionistas mais amplas.
"Embora não comentemos a política monetária, confiamos que o BCE cumpra o seu papel de ancorar as expectativas de inflação", declarou o presidente do Eurogrupo à editora de Europa da Euronews, Maria Tadeo, à margem de uma reunião do Eurogrupo no Luxemburgo.
"Os ministros das Finanças devem aplicar políticas que não contrariem a política monetária", acrescentou Pierrakakis, numa altura em que os governos da zona euro ponderam medidas para atenuar o impacto da subida dos custos da energia, sem recorrer a subsídios generalizados.
A Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional têm apelado aos governos para adotarem medidas de apoio "direcionadas e adaptadas" aos mais afetados. Ainda assim, o Governo italiano tem pedido mais apoios.
No mês passado, Giorgia Meloni enviou uma carta à Comissão Europeia a sugerir que esta deveria tratar a crise energética desencadeada pelo fecho do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o abastecimento mundial, como uma emergência equiparável à defesa.
Meloni e o seu ministro das Finanças, Giancarlo Giorgetti, apelaram à Comissão para que esta alivie as regras orçamentais no domínio da energia, excluindo estas despesas do cálculo da dívida e do défice. De acordo com as regras da UE, todos os Estados-Membros devem manter o défice abaixo dos 3% do PIB.
Em resposta, a Comissão introduziu mais flexibilidade, permitindo a contabilização de investimentos relacionados com a energia até 0,3% do PIB para o período de 2026 a 2028.
As negociações sobre o próximo orçamento europeu comum começam agora. Pierrakakis reconheceu as divergências entre os Estados-Membros, afirmando à Euronews que "há diferentes pontos de vista em cima da mesa" e que o seu papel, enquanto presidente do Eurogrupo, é ajudar a alcançar um "consenso".
Com a operação Epic Fury, a administração norte-americana aumentou a pressão sobre Teerão, tanto a nível militar como económico, mas o regime não cedeu e mantém o estreito fechado. Durante a noite, o Irão e os Estados Unidos trocaram fogo, depois de o presidente Donald Trump ter prometido fazer o regime "pagar o preço" por não ter chegado a um acordo.
Pierrakakis afirmou à Euronews que a Europa tem de investir mais nas suas infraestruturas e projetos energéticos, considerando que tal é essencial para a "independência económica" do continente, tal como o investimento na defesa é determinante para proteger a "liberdade da Europa".
“Sabemos que a melhor política social passa por baixar os preços da energia a longo prazo, em vez de depender de soluções de curto prazo”, afirmou.
“O que a Comissão está a propor - mais flexibilidade para apoiar o investimento em projetos de energia - é uma abordagem muito direcionada e justa, e é isso que vamos discutir.”