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Kiev quer licença para fabricar sistemas Patriot para a Europa

ARQUIVO: Volodymyr Zelenskyy em frente a um sistema de mísseis de defesa aérea Patriot, na Pomerânia Ocidental, Alemanha, 11 de junho de 2024.
ARQUIVO: Volodymyr Zelenskyy junto a um sistema de mísseis antiaéreos Patriot na Pomerânia Ocidental, Alemanha, 11 de junho de 2024 Direitos de autor  AP Photo
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De Sasha Vakulina
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Com a Rússia a atacar o sistema energético da Ucrânia no inverno, Zelenskyy disse no G7 querer acabar a guerra antes do próximo inverno, numa altura em que Kiev está mais forte no terreno e nos ataques em profundidade à Rússia.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou esperar conseguir pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia antes do próximo inverno ou, pelo menos, obter até lá um cessar-fogo, advertindo que Moscovo não demonstra qualquer vontade real de negociar.

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Num discurso após as conversações com os líderes do G7, Zelenskyy afirmou que está a crescer o consenso entre os aliados ocidentais de que o presidente russo, Vladimir Putin, evita deliberadamente negociações diretas e prolonga o conflito.

"Todos veem que não há vontade, da parte da Rússia, de pôr fim a isto – que está a fazer jogos, que é Putin quem não quer acabar com a guerra. Mas tem de ser forçado a fazê-lo", disse Zelenskyy.

Numa mensagem de voz partilhada no canal presidencial do WhatsApp, Zelenskyy afirmou que as sanções continuam a ser o instrumento mais eficaz para pressionar Moscovo a entrar em negociações.

Acrescentou, contudo, que enquanto Putin recusar a hipótese de conversações diretas, a Ucrânia terá de dar prioridade ao reforço das defesas aéreas, sobretudo contra a ameaça de mísseis balísticos.

Licenças para sistemas Patriot

Zelenskyy confirmou que um dos principais temas da reunião dos líderes do G7 é a questão dos sistemas de defesa aérea para a Ucrânia.

"Todos reconhecem isto e todos vão ajudar", afirmou, acrescentando que "todo o G7 vai trabalhar para reforçar as nossas defesas".

Mas, além de adquirir mais sistemas Patriot e intercetores fabricados nos Estados Unidos, Kiev quer poder produzi-los em território ucraniano – e Zelenskyy confirmou, na terça‑feira, que voltou a abordar o tema com o presidente norte-americano, Donald Trump, à margem da cimeira do G7.

"Abordei com Trump a transferência de licenças para a produção destes sistemas", disse Zelenskyy depois do encontro nas margens da cimeira. "O líder norte‑americano respondeu de forma positiva."

"A nossa equipa vai trabalhar nisso. Se Deus quiser, desta vez conseguiremos obter licenças para fabricar os respetivos sistemas e mísseis antibalísticos".

O sistema de defesa aérea Patriot continua a ser o único sistema de mísseis terra‑ar no arsenal ucraniano capaz de neutralizar a ameaça de mísseis balísticos de Moscovo. Produzidos nos Estados Unidos pela Raytheon e pela Lockheed Martin, os Patriot são amplamente utilizados pelos aliados de Washington – nomeadamente no Golfo, além da própria Ucrânia.

Mas a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irão esgotou quase um terço das reservas de intercetores Patriot. Segundo algumas estimativas, os países do Golfo dispararam em conjunto mais de 1 100 destes mísseis nos últimos meses.

A Lockheed Martin produz cerca de 600 intercetores por ano e Zelenskyy referiu, em declarações anteriores, que a produção mensal chega, no máximo, aos 60 a 65 mísseis.

Segundo Kiev, a Rússia tem capacidade para produzir o dobro: cerca de 120 mísseis balísticos por mês, além de outros tipos de mísseis.

Moscovo tem aproveitado deliberadamente a escassez de intercetores da Ucrânia nos ataques mais recentes, lançando mais de 30 mísseis balísticos por noite contra cidades ucranianas.

Perícia no combate a drones

Embora a defesa aérea antibalística da Ucrânia enfrente falta de intercetores, a taxa de interceção de mísseis de cruzeiro por parte de Kiev ronda os 80%, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado nos Estados Unidos.

Mas o domínio ainda maior da Ucrânia está no combate a drones. As forças ucranianas intercetam em média mais de 90% de todos os drones russos, lançados às centenas todas as noites. Além disso, Kiev fá-lo com armamento e conhecimento desenvolvidos no próprio país.

Esta experiência transformou a Ucrânia não só em recetora, mas também em fornecedora de defesa aérea para países do Médio Oriente e da Europa.

Zelenskyy afirmou que estes chamados acordos sobre drones foram discutidos no G7. Segundo o presidente ucraniano, Kiev está prestes a concluir um importante acordo de drones com o Canadá.

"Todos reconhecem a nossa liderança no apoio ao Médio Oriente. Graças à nossa experiência", declarou na terça‑feira.

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