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Zelensky ruma a Bruxelas com novos compromissos do G7

Friedrich Merz, Keir Starmer, Donald Trump, Emmanuel Macron, Volodymyr Zelenskyy e Sanae Takaichi na cimeira do G7 em Evian-les-Bains, França, 16 de junho de 2026
Friedrich Merz, Keir Starmer, Donald Trump, Emmanuel Macron, Volodymyr Zelenskyy e Sanae Takaichi na cimeira do G7 em Evian-les-Bains, França, 16 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Sasha Vakulina
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Ucrânia obtém novo apoio militar e diplomático do G7, incluindo defesa aérea, numa altura em que aumenta a pressão sobre a Rússia para negociar

A Ucrânia garantiu novos e significativos compromissos de apoio por parte de líderes mundiais na cimeira do G7 em França, reforçando as suas defesas e a margem de manobra diplomática face à Rússia, após meses de um debate transatlântico marcado por divisões.

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Volodymyr Zelenskyy chega a Bruxelas, vindo de Évian-les-Bains, para a cimeira da UE munido de compromissos para reforçar as defesas aéreas da Ucrânia e aumentar a pressão sobre Moscovo, numa tentativa de empurrar o Kremlin para negociações diretas com Kiev.

“A cimeira do G7 em França trouxe resultados importantes para a Ucrânia. Sobretudo, concordámos em reforçar ainda mais a defesa aérea ucraniana”, afirmou Zelenskyy na rede social X.

“Os nossos parceiros garantirão apoio à nossa defesa e à resiliência energética”, acrescentou, sublinhando que também irão impor novas sanções e pressão sobre a Rússia.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, cumprimenta Volodymyr Zelenskyy antes da foto de grupo na cimeira do G7, em 16 de junho de 2026, em Evian-les-Bains, França
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, cumprimenta Volodymyr Zelenskyy antes da foto de grupo na cimeira do G7, em 16 de junho de 2026, em Evian-les-Bains, França AP Photo

Mais defesa aérea

Os líderes do G7 adotaram uma declaração conjunta em que se comprometem a aumentar as entregas de armamento, incluindo sistemas de defesa aérea e capacidades de longo alcance.

Talvez ainda mais significativo seja o facto de, pela primeira vez, a Ucrânia poder vir a produzir no próprio território mísseis intercetores antimísseis balísticos.

Na declaração conjunta, os líderes do G7 afirmam estar “prontos para ponderar” a concessão à Ucrânia de licenças de produção militar.

“Louvamos a Ucrânia pela resiliência e pelos progressos no campo de batalha nos últimos meses e sublinhamos que existe agora uma nova dinâmica. Para apoiar e acelerar essa dinâmica, concordamos em aumentar a entrega de capacidades de defesa aérea, sistemas adicionais e intercetores, e capacidades de longo alcance”, lê-se no texto.

“Estamos também prontos para ponderar a concessão à Ucrânia do benefício de licenças que permitam aumentar a produção militar ucraniana.”

Kiev pretende fabricar na Ucrânia intercetores para os sistemas de mísseis Patriot de defesa antimíssil balístico, e Zelenskyy confirmou, na terça-feira, que voltou a abordar o tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cimeira do G7.

O sistema de defesa aérea Patriot continua a ser o único sistema de mísseis terra-ar no arsenal ucraniano capaz de responder à ameaça de mísseis balísticos de Moscovo.

Produzidos nos Estados Unidos pela Raytheon e pela Lockheed Martin, os sistemas de mísseis Patriot tornaram-se uma peça central da defesa aérea de muitos aliados norte-americanos, sobretudo na região do Golfo, e também da Ucrânia.

Mas a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão esgotou quase um terço das reservas mundiais de mísseis intercetores Patriot.

Segundo algumas estimativas, os países do Golfo dispararam, no conjunto, mais de 1 100 intercetores nos últimos meses.

A Lockheed Martin produz cerca de 600 intercetores por ano e Zelenskyy afirma que a produção mensal não ultrapassa os 60 a 65 mísseis.

Kiev sustenta que a Rússia tem capacidade para produzir o dobro, cerca de 120 mísseis balísticos por mês, além de outros tipos de mísseis.

Moscovo tem aproveitado a escassez de intercetores da Ucrânia nos ataques mais recentes, lançando mais de 30 mísseis balísticos por noite contra cidades ucranianas.

“A Rússia deve fazer um acordo”

Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, Zelenskyy tem dedicado tempo e esforço a convencer o presidente norte-americano de que o principal obstáculo a um acordo de paz, ou mesmo a um cessar-fogo, não é Kiev, mas Moscovo.

Durante algum tempo, porém, Washington pareceu exercer mais pressão sobre a Ucrânia do que sobre a Rússia, instando Kiev a aceitar o que era amplamente visto como um compromisso desfavorável.

Na reunião do G7 de terça-feira, Trump afirmou que “a Rússia deve fazer um acordo”, sinalizando potencialmente uma mudança na abordagem de Washington.

“Eles continuam, a combater, a perder soldados. Perdem tantos soldados. Isto é... desde a Segunda Guerra Mundial que não há nada comparável”, afirmou o presidente dos EUA na terça-feira.

No entanto, mesmo que Trump aceite pressionar Vladimir Putin a manter conversações diretas com Kiev, o Kremlin continua a rejeitar essa hipótese.

Quanto a Zelenskyy, saudou o crescente consenso entre os líderes do G7 - incluindo o presidente dos EUA – de que Putin está a prolongar deliberadamente o conflito.

“Toda a gente vê que não há qualquer vontade da Rússia em pôr fim a isto, que está a fazer jogos, que é Putin quem não quer terminar a guerra. Mas tem de ser obrigado a fazê-lo”, disse Zelenskyy.

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