A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou aos líderes da UE que é altura de se prepararem e de ponderarem a possibilidade de um mandato UE para negociar com a Rússia sobre a Ucrânia, numa altura em que a controversa aproximação de Costa ao Kremlin suscita reações negativas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que este é o momento certo para se preparar e ponderar um mandato para negociar com a Rússia, numa intervenção no contexto de uma reunião à porta fechada com os líderes da UE, na quinta-feira.
A presidente da Comissão disse que a UE deve começar a ponderar um mandato de negociação para as conversações de paz sobre a Ucrânia, salientando, ao mesmo tempo, que Kiev deve continuar a liderar o processo diplomático, segundo a Euronews pôde confirmar.
Referiu ainda aos líderes que as sanções estão a surtir efeito, apontando para um conjunto de indicadores económicos que revelam que a economia russa está a perder fôlego e que a inflação está a aumentar.
Von der Leyen disse também aos líderes que acredita que a maré da guerra está a virar a favor da Ucrânia, acrescentando que a mudança na dinâmica no campo de batalha é notável.
As suas declarações ocorreram durante uma reunião privada dos líderes da UE, na presença do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que coordena os 27 Estados-membros.
No início desta semana, soube-se que Costa tinha instruído o seu chefe de gabinete para estabelecer um canal diplomático com o Kremlin, contactando um assessor sénior do presidente russo Vladimir Putin, que se acredita ser Yuri Ushakov.
A presidente da Comissão foi informada por Costa antes da chamada acontecer. No entanto, apenas um pequeno grupo de líderes foi consultado, deixando muitos na ignorância e a tomar conhecimento do assunto através de notícias na imprensa na quarta-feira.
A iniciativa gerou polémica quando os 27 se reuniram em Bruxelas, com vários Estados-membros, nomeadamente da ala oriental, a insistirem que, longe de ser o momento certo para considerar qualquer aproximação a Moscovo, a UE deve reforçar as sanções para obrigar Putin a fazer concessões reais.
Em resposta a uma pergunta da Euronews durante uma conferência de imprensa na sexta-feira, von der Leyen afirmou: "O nosso continente está em risco, e é por isso que a Europa deve ser uma das arquitetas de uma paz justa e duradoura."
"Mais cedo ou mais tarde, a Rússia terá de sentar-se à mesa das negociações, nomeadamente devido à pressão das nossas sanções", acrescentou. "E quando esse momento chegar, precisamos de uma mensagem europeia unida dirigida ao presidente Putin."
Na reunião de alto nível dos líderes da UE, Costa salientou que não tinha iniciado negociações formais, mas que se tinha limitado a abrir uma via diplomática, em conformidade com o quadro institucional da UE.
Segundo a Euronews, vários líderes indicaram que Costa dispõe, de facto, de um mandato em questões relacionadas com sanções, alargamento e ativos congelados, mas que quaisquer assuntos relacionados com garantias de segurança são da competência de cada Estado-membro. Por conseguinte, a "Coligação de Boa Vontade", liderada por França e pelo Reino Unido, deverá assumir a liderança nessas negociações.
No entanto, a presidente von der Leyen defendeu, na sexta-feira, o mandato de Costa, afirmando que este "representa os 27 Estados-membros".
Costa também disse aos líderes que nenhum representante individual da UE poderia negociar em nome da Ucrânia no que diz respeito a territórios. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que Kiev não abdicará dos territórios que controla. No entanto, instou os líderes a estarem preparados para eventuais negociações com Putin, apelando a que a UE esteja presente à mesa de negociações ao lado da Ucrânia.
Ainda assim, durante o debate de quinta-feira, Zelenskyy reiterou que a única forma de pôr fim à guerra era enfraquecer a Rússia, acrescentando que um cessar-fogo sem garantias de segurança não seria suficiente para a Ucrânia.
Acrescentou ainda que a ideia de um negociador da UE continua a ser hipotética, a menos que a Rússia demonstre vontade de se sentar à mesa de negociações, algo que, segundo Zelenskyy, Putin não está disposto a fazer.