Rutte respondeu com alguma delicadeza às mais recentes queixas de Trump sobre a NATO, afirmando: «Sei que houve casos isolados que o desapontaram muito, mas, em geral, os seus aliados europeus têm estado ao seu lado».
Em visita a Washington na quarta-feira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, encontrou-se com o presidente norte-americano, Donald Trump, deixando elogios mas respondendo com cautela às mais recentes críticas à Aliança.
Trump voltou a queixar-se da NATO por, segundo disse, não apoiar a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, afirmando ter sido “abandonado”.
Os Estados Unidos e Israel atacaram em conjunto o Irão a 28 de fevereiro. Trump não consultou a NATO previamente e vários aliados europeus importantes manifestaram ceticismo quanto à necessidade da guerra.
Trump apelou aos aliados para “apenas serem leais”, acrescentando: “Não precisamos do dinheiro deles, não precisamos de nada. Temos, de longe, as forças armadas mais poderosas do mundo. Mas só quero lealdade.”
Rutte respondeu com diplomacia: “Sei que houve casos isolados que o deixaram muito desiludido, mas, de um modo geral, os aliados europeus estiveram ao seu lado.”
Salientou ainda que entre 4.000 e 5.000 aviões norte-americanos descolaram de bases na Europa antes de Irão e Estados Unidos acordarem um cessar-fogo.
Teerão acusa NATO de "cumplicidade"
As declarações de Rutte suscitaram condenação imediata por parte de Teerão, que acusou a NATO de “cumplicidade” na guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
Em declarações à Fox News após o encontro com Trump, Rutte afirmou: “País após país, aliado após aliado, disponibilizaram as suas bases para a operação Fúria Épica.”
“Quinhentos aviões norte-americanos descolaram de bases dos EUA em Itália para apoiar a Fúria Épica”, acrescentou, referindo-se ao nome dado por Washington à operação de ataques contra o Irão.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, condenou o que classificou de “cumplicidade ativa” da NATO numa “guerra ilegal”, escrevendo no X: “Trata-se de uma confissão clara e condenatória da cumplicidade ativa da NATO numa guerra de agressão ilegal contra um Estado soberano membro da ONU.”
Acusou ainda a NATO de “violação flagrante de normas imperativas do direito internacional e dos princípios fundamentais da Carta da ONU”.
Itália apressou-se a distanciar-se das declarações de Rutte. O Ministério da Defesa afirmou que estas transmitiam “uma mensagem completamente enganadora, ao confundir o tipo de voos que foram autorizados”, acrescentando que Roma apenas permitiu voos norte-americanos “técnicos e logísticos”, ao abrigo dos acordos bilaterais existentes.
As mais recentes críticas de Trump à NATO surgem a apenas duas semanas de os líderes dos 32 Estados-membros se reunirem na cimeira da Aliança, em Ancara, marcada para 7 e 8 de julho.
Este segundo mandato tem sido marcado por tensões recorrentes com aliados, incluindo ameaças de anexar a Gronelândia, das quais recuou em janeiro, numa altura em que Washington pressiona a Europa a assumir a responsabilidade principal pela própria defesa convencional, enquanto o foco estratégico dos EUA se desloca para a China.
O Pentágono já informou os aliados de que está a reduzir os meios disponíveis para operações da NATO em todo o mundo, alimentando receios de maior vulnerabilidade num continente que continua a depender de Washington para capacidades militares essenciais e onde a postura da Rússia permanece uma fonte de grande preocupação.