Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Rutte reúne-se com Trump para aliviar tensões antes da cimeira da NATO

Secretário-geral da NATO Mark Rutte
Secretário-geral da NATO Mark Rutte Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Shona Murray
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O encontro do secretário-geral com Trump antecede uma cimeira de líderes potencialmente tensa em julho. As relações entre a administração Trump e a Europa continuam difíceis devido à guerra no Irão, com os EUA a reduzirem drasticamente os compromissos de defesa europeus

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, eeúne-se na quarta-feira, na Casa Branca, com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, para abordar o descontentamento do líder norte-americano com os aliados europeus, devido à recusa destes em participar na guerra no Irão.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Com a decisiva cimeira de líderes da NATO marcada para julho, fontes disseram à Euronews que Rutte estará numa ofensiva de charme, munido de dados sobre níveis recorde de despesa em defesa em toda a aliança, em resposta às exigências de Trump para que os europeus contribuam mais para a própria segurança.

Rutte deverá também salientar o dinamismo do mercado de trabalho norte-americano à medida que a produção de armamento aumenta para responder à nova procura da Europa e do Canadá.

«Os gráficos vão ser apresentados em negrito, dourado e vermelho e vão mostrar a Trump como é um grande líder», disse uma fonte. «Rutte vai mostrar a Trump como a sua influência na NATO levou os aliados a atingirem um total de mil milhões de dólares em despesa.»

Rutte está habituado a recorrer à bajulação para manter Trump do seu lado. Na cimeira do ano passado, chegou mesmo a referir-se ao presidente norte-americano como «pai» ao comentar a sua gestão dos conflitos no Médio Oriente.

Na reunião de ministros da Defesa da NATO, em Bruxelas, na semana passada, Rutte afirmou que os aliados europeus e o Canadá gastaram, em conjunto, montantes inéditos em defesa.

«Os aliados europeus e o Canadá estão realmente a dar um passo em frente, com aumentos recorde no ano passado, mais de 90 mil milhões de dólares adicionais, em termos reais, face ao ano anterior», disse aos jornalistas, numa conferência de imprensa na sede da NATO.

«É extraordinário», acrescentou, reconhecendo que «ainda há aliados a conter-se um pouco e que precisam de fazer mais».

Os aliados voltam a reunir-se na cimeira anual em Ancara, a 7 e 8 de julho, numa agenda dominada pela despesa dos aliados com a segurança europeia e ártica e pela necessidade de aumentar de forma significativa a produção de defesa.

Washington espera ver provas do compromisso dos países da NATO em subir a despesa em defesa até 5% do PIB até 2035, na sequência do acordo para aumentar o limiar de investimento alcançado na cimeira do ano passado, na Haia.

Rutte tem encontro marcado com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, na Sala Oval, às 15h30 locais, na quarta-feira. Ao longo da visita de dois dias, deverá ainda reunir-se com membros do Congresso e responsáveis da CIA.

«Coisa estúpida de se dizer»

Soube a Euronews que a declaração final ou conclusões a publicar no fim da cimeira de julho ainda não incluem o compromisso de realizar outro encontro deste tipo em 2027. Fontes da NATO, entre elas Rutte, estarão a ponderar o futuro do evento anual, numa tentativa de evitar embaraços de grande visibilidade provocados por uma administração Trump beligerante.

A Albânia deverá acolher a cimeira de 2027, mas, segundo as mesmas fontes, o encontro poderá ser transferido se o país não mostrar progressos no sentido de ultrapassar o limiar de 2% do PIB em despesa de defesa definido pela aliança. Outros membros, como Espanha, Itália e Chéquia, são igualmente vistos como «atrasados» na persecução dessa meta, e a Bélgica só recentemente atingiu o objetivo de financiamento fixado.

Na segunda-feira, Trump ameaçou suspender a assistência militar prevista na doutrina de defesa coletiva da NATO aos países que rejeitaram os apelos para ajudarem os Estados Unidos na guerra no Irão.

«Gastámos todo este dinheiro. E depois, quando queremos talvez alguma ajuda em questões menores... dizem que não, que preferem não ajudar», afirmou Trump aos jornalistas, na Sala Oval. «Coisa estúpida de se dizer, porque também podemos dizer isso a eles se quisermos, e talvez o façamos».

Trump continua irritado com vários países europeus pelo que afirma ser a falta de apoio adequado aos Estados Unidos durante a guerra no Irão. Alguns aliados da NATO recusaram autorizar forças norte-americanas a aterrar em bases navais e militares no percurso para o Médio Oriente. Nos primeiros dias do conflito, Espanha anunciou que iria limitar o uso do seu espaço aéreo por aviões dos EUA no quadro da guerra; o Reino Unido recusou inicialmente o acesso, mas cedeu pouco depois para ataques «defensivos» contra mísseis iranianos.

Desde então, o Pentágono anunciou um conjunto de medidas que reduzem, na prática, a participação de longo prazo dos EUA na aliança. Depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter criticado publicamente a estratégia militar norte-americana e israelita no Irão, classificando-a de «mal concebida», Trump comunicou à NATO que iria retirar cinco mil militares da Alemanha.

E, na reunião de ministros da Defesa da NATO em Bruxelas, na semana passada, o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, atacou os homólogos dos outros 31 aliados, qualificando os respetivos países de «vergonhosos» por se recusarem a participar ou apoiar a campanha.

Hegseth anunciou uma revisão de seis meses dos destacamentos militares dos EUA na Europa, com cortes drásticos esperados. Ameaçou ainda retirar financiamento do orçamento da NATO como forma de represália contra alguns países que não pagam a sua parte.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Países da UE podem restringir ou proibir importações dos colonatos israelitas?

Hegseth anuncia revisão das forças norte-americanas na Europa e critica aliados da NATO

Bruxelas: manifestação pressiona UE a limitar comércio com colonatos