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Hegseth anuncia revisão das forças norte-americanas na Europa e critica aliados da NATO

Secretário da Defesa dos EUA Pete Hegseth discursa numa reunião de ministros da Defesa na sede da NATO, em Bruxelas, a 18 de junho de 2026
Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fala numa reunião de ministros da Defesa da NATO na sede da organização, em Bruxelas, a 18 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Virginia Mayo
Direitos de autor AP Photo/Virginia Mayo
De Malek Fouda
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Hegseth criticou a Europa por, segundo ele, colocar ideais liberais à frente das necessidades práticas de defesa, atacando os chefes militares da NATO numa rara visita à sede da aliança em Bruxelas.

O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criticou duramente os aliados da NATO esta quinta-feira ao anunciar uma revisão de seis meses, conduzida pelo Pentágono, às forças do seu país na Europa, cujo resultado dependerá da rapidez com que os europeus assumirem a responsabilidade pela própria segurança.

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A revisão constituiu mais uma surpresa para os aliados europeus e para o Canadá, que procuram adaptar-se a um aliado cada vez mais imprevisível.

Responsáveis e altos oficiais militares norte-americanos tinham prometido coordenar estreitamente com os europeus a redução da presença de tropas norte-americanas no continente, processo que começou na Alemanha, em Espanha e em Itália depois de o presidente Donald Trump se ter desentendido com os respetivos líderes.

Comandantes militares da NATO ouvem o secretário da Defesa dos EUA criticar os aliados da Aliança pela falta de prioridade dada à defesa, na sede da NATO em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026
Comandantes militares da NATO ouvem o secretário da Defesa dos EUA criticar os aliados da Aliança pela falta de prioridade dada à defesa, na sede da NATO em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026 Virginia Mayo/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

Nos últimos meses, Trump e o Pentágono emitiram sinais contraditórios sobre se os Estados Unidos estão a reduzir ou a aumentar a sua presença militar na Europa, ao mesmo tempo que ameaçaram anexar a Gronelândia, ilha semiautónoma que pertence ao aliado Dinamarca.

Há poucas semanas, a administração Trump afirmou que deixaria de prestar o mesmo nível de apoio militar caso qualquer membro da NATO fosse atacado.

"Será uma verdadeira revisão. Será concebida para garantir que a NATO avança de forma rápida e irreversível para uma Europa em posição de liderança, que assume a responsabilidade principal pela defesa da Europa", disse Hegseth aos homólogos da NATO reunidos em Bruxelas.

Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, conversa com o homólogo norueguês antes da reunião de ministros da Defesa da NATO, na sede da Aliança em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026
Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, conversa com o homólogo norueguês antes da reunião de ministros da Defesa da NATO, na sede da Aliança em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026 Virginia Mayo/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

"É uma avaliação em que alguns países reprovarão e outros passarão com distinção", acrescentou o responsável norte-americano pela Defesa.

Mais tarde, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que os aliados há muito conhecem os planos de Washington para retirar tropas da Europa em determinado momento e que têm de cuidar da própria segurança.

"Sabemos que temos de fazer mais e estamos a fazê-lo", declarou Merz.

Num discurso inflamado na sede da NATO em Bruxelas, Hegseth atacou os aliados europeus por não terem concedido às forças norte-americanas acesso a bases na Europa para lançar ataques contra o Irão, qualificando essa recusa de "vergonhosa".

Chanceler alemão, Friedrich Merz, à chegada à cimeira da UE em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026
Chanceler alemão, Friedrich Merz, à chegada à cimeira da UE em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026 Omar Havana/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

"Estes aliados colocaram os filhos e filhas da América, os nossos filhos e filhas, em risco, ao negarem-lhes o acesso previsível, o estacionar de forças e os direitos de sobrevoo que nunca deveriam ter sido postos em causa", afirmou, acrescentando que a revisão avaliará também se os Estados Unidos dispõem de acesso e sobrevoo plenos "quando for necessário".

Enquanto ministros da Defesa e responsáveis militares permaneciam em silêncio, Hegseth atacou as políticas de migração e de igualdade de género na Europa, com declarações que recordaram as do vice-presidente JD Vance, em fevereiro do ano passado, e que indignaram muitos europeus.

"Em vez de carros de combate, caças e sistemas de defesa aérea, a atenção centrou-se na equidade de género, nas alterações climáticas e na austeridade na Defesa. As fronteiras europeias abriram-se, os Estados sociais expandiram-se, os orçamentos de defesa colapsaram, tal como a própria confiança da Europa em si e na sua civilização", sublinhou Hegseth.

Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, cumprimenta Pete Hegseth durante a foto de grupo dos ministros da Defesa da NATO, na sede da Aliança em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026
Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, cumprimenta Pete Hegseth durante a foto de grupo dos ministros da Defesa da NATO, na sede da Aliança em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026 Virginia Mayo/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

Esta foi uma rara visita de Hegseth à NATO, a primeira deste ano depois de ter faltado a uma reunião em fevereiro.

O chefe do Pentágono não permaneceu muito tempo, saindo bem antes do final do encontro e horas antes de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, instar os aliados a fornecerem mais armas ao seu país.

Falando aos jornalistas no aeroporto de Bruxelas, antes de regressar a casa, Hegseth afirmou: "Foi encorajador ouvir país após país dizer: 'Vamos cumprir a nossa meta. Vamos cumprir a nossa meta.' Ainda há alguns retardatários e seremos claros com eles à medida que fizermos esta revisão."

As declarações inflamadas podem, no entanto, criar um clima de incerteza entre os aliados da NATO, que deverão reunir-se na Turquia no início do próximo mês, numa cimeira de líderes já agendada.

Outras fontes • AP

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