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Europa: hospitais em esforço com onda de calor a avançar para leste

As autoridades de Paris proibiram a venda de álcool durante grande parte do dia para aliviar a pressão sobre os hospitais, foto de arquivo
Autoridades de Paris proíbem venda de álcool durante grande parte do dia para aliviar pressão sobre os hospitais. Foto de arquivo Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved
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De Simon Ormiston
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Com hospitais sob pressão e alertas a alastrar para leste, a onda de calor expõe como grande parte da Europa continua pouco preparada para temperaturas extremas.

Uma onda de calor mortal está a pôr sob pressão hospitais, sistemas de transporte e serviços públicos em toda a Europa, enquanto as autoridades, desde a França até à Polónia, alertam que o continente está a ter dificuldade em lidar com vários dias de temperaturas sufocantes.

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Pelo menos 101 milhões de europeus enfrentaram temperaturas superiores a 35 °C, segundo a AFP, e centenas de pessoas terão morrido, incluindo uma criança de três anos encontrada sem vida no interior de um automóvel em Paris, bem como pessoas que se afogaram ao tentarem refrescar-se.

A onda de calor está a afetar particularmente os sistemas de saúde. Em França, os serviços de urgência registaram um aumento de quatro vezes nas admissões relacionadas com o calor e os casos de paragem cardíaca dispararam.

O chefe da polícia de Paris, Patrice Faure, advertiu que «estamos a aproximar-nos de um ponto de saturação nas unidades hospitalares. O número de internamentos continua a aumentar.»

As autoridades da capital francesa tomaram a rara medida de proibir a venda e o consumo de álcool em espaços públicos durante o fim de semana, numa altura em que os hospitais lutam contra o aumento das admissões.

No Reino Unido, o Serviço de Ambulâncias de Londres declarou que o calor extremo de quarta-feira provocou o maior número de chamadas de emergência com risco de vida num só dia. Vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (NHS) declararam também incidentes críticos, depois de falhas nos sistemas de arrefecimento terem afetado aparelhos médicos, blocos operatórios e enfermarias, aumentando a pressão sobre serviços que já estavam a lidar com casos de golpe de calor, desidratação e doentes idosos vulneráveis.

A onda de calor avança agora para leste. Na Alemanha, onde se esperam temperaturas de até 40 °C durante o fim de semana, foram cancelados vários eventos ao ar livre e a empresa ferroviária Deutsche Bahn recomendou que as pessoas evitem viajar.

As autoridades polacas emitiram avisos, numa altura em que as regiões ocidentais do país se preparam para enfrentar temperaturas igualmente perigosas.

A Europa do Sul já regista um balanço pesado. O sistema espanhol de monitorização da mortalidade MoMo indicou que 212 mortes entre domingo e quarta-feira poderão estar relacionadas com o calor, ao passo que a comunicação social italiana noticiou cinco mortes, incluindo trabalhadores agrícolas e um operário da construção civil.

Num estudo divulgado na sexta-feira, cientistas da World Weather Attribution afirmaram que as alterações climáticas provocadas pelo ser humano são "inequivocamente" responsáveis pela intensidade da vaga de calor recorde no Reino Unido, França, Espanha e Suíça. Temperaturas deste nível teriam sido "praticamente impossíveis" em junho há cinquenta anos, acrescentaram.

Simon Stiell, o responsável máximo da ONU para o clima, afirmou que a onda de calor "tem as impressões digitais da crise climática por todo o lado" e advertiu que o calor extremo continuará a agravar-se até a humanidade deixar de queimar grandes quantidades de carvão, petróleo e gás.

Outras fontes • AFP

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