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Itália: papel de luxo feito de resíduos ajuda a aliviar pressão sobre as florestas

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De Monica Pinna
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Beber uma simples chávena de café pode ajudar a criar papel ecológico: em Itália, uma histórica fábrica de papel transforma resíduos agrícolas e têxteis em matéria-prima que substitui parte da celulose obtida de árvores

As paredes da fábrica de papel veneziana Favini (fonte em inglês), no norte de Itália, respiram história, mas a produção há muito que se orienta para o futuro. Esta empresa familiar, que assinala este ano o 120.º aniversário, foi das primeiras no mundo a industrializar a produção de papel ecológico com fibras alternativas e materiais de desperdício. Assim reduz-se a pressão sobre as florestas e dá-se uma segunda vida a materiais que de outra forma seriam descartados, como subprodutos agrícolas e têxteis.

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E a procura de novos materiais não pára.

Sede e unidade histórica de produção da fábrica de papel Favini, em Rossano Veneto, Itália
Sede e unidade histórica de produção da fábrica de papel Favini, em Rossano Veneto, Itália Monica Pinna, Euronews

"Neste momento estamos a trabalhar com dois tipos de resíduos: peles de tomate e milho. Ao longo dos anos, experimentámos mais de 500 tipos diferentes de biomassa, mas apenas cerca de 5% pôde, no fim, ser escalado para produção industrial", explica Giacomo Berton, responsável de Investigação & Desenvolvimento na Favini.

Zona de armazenamento de matérias-primas, Favini. Os resíduos que podem ser recuperados e ganhar uma segunda vida vão de subprodutos de amêndoa, citrinos e resíduos de azeitona a grainhas de uva, aparas de couro...
Zona de armazenamento de matérias-primas, Favini. Os resíduos que podem ser recuperados e ganhar uma segunda vida vão de subprodutos de amêndoa, citrinos e resíduos de azeitona a grainhas de uva, aparas de couro... Monica Pinna, Euronews

Os materiais recuperados representam entre 10% e 40% do produto final. Estes subprodutos acabam em papéis de luxo, sacos reutilizáveis e embalagens de gama alta. O responsável de Marketing, Michele Posocco, explica o que a empresa consegue produzir com 14 tipos diferentes de resíduos:

"Com estes 14 materiais criámos uma gama chamada Crush, que vendemos em todo o mundo. É um exemplo claro de como resíduos de uma cadeia industrial podem ser reaproveitados de forma criativa e transformados em novas matérias-primas."

Farinha de espiga de milho é um exemplo de como resíduos de uma cadeia industrial podem ser reaproveitados de forma criativa e transformados em novas matérias-primas
Farinha de espiga de milho é um exemplo de como resíduos de uma cadeia industrial podem ser reaproveitados de forma criativa e transformados em novas matérias-primas Monica Pinna, Euronews

Tudo começou no final da década de 1980 e início de 1990. A necessidade de recuperar a lagoa de Veneza e travar a proliferação de algas transformou um problema numa oportunidade: usar as algas para produzir papel. Assim nasceu a Alga Carta, o primeiro papel ecológico da empresa, patenteado em 1992.

"Tomámos esta opção graças à visão do meu avô", explica o diretor de Exportação & Marketing, Andrea Favini. "Colocou esta pequena empresa num mercado de nicho. Na altura, as preocupações ambientais na indústria do papel interessavam apenas a um número muito limitado de clientes. Tivemos de convencer os clientes a aderir ao projeto porque tinha um valor real para a ecologia e o ambiente."

Diretor de Exportação & Marketing, Andrea Favini, e a repórter Monica Pinna na Favini, em Rossano Veneto
Diretor de Exportação & Marketing, Andrea Favini, e a repórter Monica Pinna na Favini, em Rossano Veneto Monica Pinna, Euronews

Hoje, os papéis ecológicos continuam a ser um mercado de nicho na Europa, mas são o segmento que mais cresce na empresa, já responsável por 10% do volume de negócios anual, beneficiando de preços comparáveis aos de outros papéis tradicionais de alta qualidade. O desafio passa por garantir uma cadeia de abastecimento estável. Cerca de uma dúzia de empresas italianas e internacionais fornecem os seus subprodutos à fábrica de papel. Entre elas está a torrefação de café Dersut (fonte em inglês), sediada no Véneto.

A presidente executiva da empresa, Lara Caballini di Sassoferrato, mostrou-nos a chamada "silverskin", a pele que envolve o grão de café e se solta durante a torrefação. É também a matéria-prima que a Dersut forneceu à fábrica para produzir 60 000 sacos de compras de gama alta para a marca.

Presidente executiva da Dersut, Lara Caballini di Sassoferrato, mostra o subproduto usado para produzir papel ecológico, a chamada
Presidente executiva da Dersut, Lara Caballini di Sassoferrato, mostra o subproduto usado para produzir papel ecológico, a chamada Monica Pinna, Euronews

"Sempre o recolhemos", afirma Caballini di Sassoferrato. "Pode ser usado como fertilizante do solo, por exemplo na agricultura biológica. Mas em 2022 iniciámos uma colaboração com a Universidade de Pádua, que concluiu que também podia ser utilizado na produção de papel."

O projeto valeu à Dersut o prémio Sustainable Company 2025 (fonte em inglês) e já levou os parceiros envolvidos a equacionar os próximos passos da colaboração.

Os papéis ecológicos são papéis de luxo concebidos para garantir um elevado desempenho na impressão e na transformação de papel. Para explorar as suas aplicações, termino a minha viagem numa empresa de produção de embalagens de gama alta que trabalha com a fábrica de papel Favini há 30 anos. Aqui, a sustentabilidade cruza-se com a qualidade estética e a atenção ao detalhe típicas dos produtos Made in Italy.

Fábrica da DueGi onde os papéis ecológicos da Favini se transformam em embalagens de luxo
Fábrica da DueGi onde os papéis ecológicos da Favini se transformam em embalagens de luxo Monica Pinna, Euronews

"Nos últimos anos, as nossas compras à Favini cresceram 300%", afirma Gabriele Rostellato, responsável de Produção da DUEGI Packaging (fonte em inglês). "Esse crescimento foi impulsionado por clientes que valorizam o trabalho artesanal, apoiados por um parceiro industrial capaz de produzir em larga escala. Crescemos juntos e eles cresceram connosco."

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