As altas temperatura e a seca prolongada levaram a uma diminuição significativa no nível do rio Danúbio em vários pontos da Roménia. À entrada no país, o caudal está bem abaixo da média anual para o mês de julho. Setores dos transportes e agricultura estão a ser afetados.
As altas temperaturas e a seca prolongada levaram a uma diminuição significativa no nível do rio Danúbio em vários pontos da Roménia.
À entrada no país, o caudal está bem abaixo da média anual para o mês de julho. Estima-se que o recuo se agrave até ao início da próxima semana, sendo que a situação está já a criar obstáculos no setor dos transportes.
Várias barcaças carregadas de cereais ficaram encalhadas perto do porto de Bechet. Na verdade, os navios de cruzeiro também enfrentam problemas: aqueles que deveriam chegar à região do delta do Danúbio também atracam neste mesmo porto.
"Vamos ficar aqui durante dois dias. Os nossos hóspedes irão para Bucareste, porque todos os programas foram cancelados devido à situação hídrica", contou à Euronews Ayman Ismail, representante de um navio de cruzeiro.
O navio partiu de Budapeste, mas o baixo caudal do Danúbio obrigou a mudanças na passagem por vários países.
"O tráfego no Danúbio parou e não sabemos quando será retomado. Há navios de cruzeiro que vêm do ocidente todos os anos. E este ano enfrentam sérios problemas, ou seja, não conseguem chegar ao seu destino final", explica à Euronews Constantin Ionele, proprietário do porto de Bechet.
Nesta localidade do sul da Roménia, o ferry para a Bulgária está suspenso há vários dias e os condutores têm de encontrar rotas alternativas.
A agricultura é outra das vítimas da seca - quem depende dos canais de irrigação alimentados pelo Danúbio sente cada vez mais dificuldades.
"O baixo caudal do Danúbio, a falta de água... A partir de agora, começamos a contar cada cêntimo, porque há menos", lamenta o agricultor Constantin Iancu.
O nível do rio está abaixo do limite a partir do qual as estações de bombagem podem funcionar. Nos últimos dias, têm-se registado os patamares mais baixos das últimas duas décadas. O porto turístico de Corabia a sul, na fronteira com a Bulgária, teve de suspender as atividades.
A produção de energia nas centrais hidroelétricas também foi afetada, encontrando-se em níveis mínimos devido à redução do fluxo de água. Os especialistas alertam que os caudais podem ainda ser influenciados por manobras realizadas em barragens, algo suscetível de intensificar o problema.