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Espanha: incêndio em Zaragoza já é o maior do ano, com 12.000 hectares

Dois bombeiros esforçam-se por apagar as chamas
Dois bombeiros esforçam-se por apagar as chamas Direitos de autor  X: @UMEgob
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De Cristian Caraballo
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Incêndio em Cinco Villas (Saragoça) já destruiu 12 000 hectares e levou à evacuação de seis aldeias. Guadalajara e Madrid combatem outros dois fogos, com mais de 2 000 pessoas confinadas, enquanto o de Ciudad Real está extinto após queimar 800 hectares.

Espanha enfrenta esta sexta-feira três incêndios florestais ativos e um já extinto, numa jornada marcada pelo calor, pelo vento e pela falta de humidade. O mais grave, na comarca de Cinco Villas, na província de Saragoça, tornou-se o maior do ano no país depois de já ter consumido 12 000 hectares.

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Declarado na quarta-feira, o incêndio continua "bastante ativo" e avançou de forma significativa durante a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta, segundo as autoridades. O perímetro já chegou aos 60 quilómetros e obrigou à evacuação de seis localidades: Orés, Asín, Luesia, Malpica de Arba e Uncastillo, em Saragoça, e Petilla de Aragón, em Navarra. No total, mais de 1 100 pessoas foram afetadas.

O fogo atinge sobretudo o Cerro de Cinco Villas, uma área de pinhais com uma antena repetidora, perto das urbanizações de Los Robles e San Lorenzo. A Câmara Municipal disponibilizou o pavilhão municipal como abrigo e a Unidade Militar de Emergência (UME) destacou unidades de apoio. A Guardia Civil deteve na quinta-feira um homem, suspeito de ter provocado o incêndio. Vários moradores alertaram as autoridades depois de terem visto a fuga de uma pessoa que lhes pareceu suspeita.

No momento da detenção, o suspeito transportava uma mochila com diverso material, entre o qual se encontravam numerosos produtos inflamáveis. Depois de o identificar, os agentes verificaram ainda que tinha antecedentes por factos semelhantes cometidos noutras províncias espanholas.

Por seu lado, o conselheiro de Ambiente, Agricultura e Interior da Comunidade de Madrid, Carlos Novillo, anunciou que o Governo regional irá exercer a acusação popular contra o detido e remeter o caso para a Advocacia-Geral da Comunidade. Explicou que a medida pretende defender o património natural madrileno, que, na sua opinião, foi colocado em grave risco "por culpa de uma pessoa, um desalmado que provocou um incêndio grave e pôs vidas em perigo".

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, apoiou esta decisão e recordou que o executivo autonómico aprovou uma norma que permite constituir-se como acusação popular em determinados crimes, entre eles os que atentam contra o património natural.

Mantêm-se cortadas as estradas A-1204, CV-813, A-1202, CV-841 e CV-628, embora o fornecimento de eletricidade já tenha sido restabelecido em todas as localidades. Na quinta-feira, cerca de 400 meios terrestres e 19 meios aéreos trabalharam na extinção e, durante a noite, os bombeiros concentraram esforços na proteção das habitações de Uncastillo.

Guadalajara pede reforços militares

Na serra norte de Guadalajara, outro incêndio declarado na quinta-feira obrigou à evacuação de La Mierla, Muriel e Umbralejo e ao confinamento de Almiruete, Palancares e da albufeira de Beleña. Um vigilante detetou o fogo às 13h55 em La Mierla e o incêndio propagou-se rapidamente: queimou 900 hectares em poucas horas, segundo explicou o diretor do Centro Operativo Regional de Incêndios Florestais de Castela-Mancha, Juan José Fernández. Face à virulência das chamas, o Governo regional pediu a intervenção da Unidade Militar de Emergência, que já destacou cerca de uma centena de militares para a zona.

Madrid: fogo sob controlo mas ainda por extinguir

O terceiro foco ativo surgiu na tarde de quinta-feira em Lozoyuela, na serra norte de Madrid. Evolui de forma favorável, embora nesta sexta-feira continuasse sem estar controlado nem com perímetro definido, com 70 hectares já queimados. Desde cedo trabalham na zona 28 meios terrestres, equipas do SUMMA112 e da ERICE de Proteção Civil, à espera da chegada dos meios aéreos.

Na quinta-feira foram evacuadas cerca de 100 pessoas e mais de 2 000 ficaram confinadas em Buitrago de Lozoya e nas aldeias de Cinco Villas e Manjirón, do município de Puentes Viejas; além disso, a Guardia Civil evacuou cerca de 50 crianças de um acampamento em Gandullas.

A Comunidade de Madrid ativou a Situação Operativa 2 do Plano INFOMA e enviou um aviso Es-Alert à população. Mantêm-se cortadas as estradas M-126 e M-135, e a A-1 chegou a encerrar durante uma hora a via da esquerda no sentido Burgos. O incêndio de Hinojosas, que começou na quarta-feira em Ciudad Real, foi dado como extinto depois de afetar cerca de 800 hectares.

Espanha: verão de incêndios repete-se

As temperaturas elevadas, o vento e a fraca humidade, aliados à vegetação abundante deixada por uma primavera chuvosa, explicam a rapidez com que estes incêndios se propagaram. Os especialistas acrescentam outro fator de fundo: o abandono da floresta e do mundo rural, em conjunto com as alterações climáticas, está a criar condições para que os incêndios sejam cada vez mais difíceis de controlar.

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