Andy Burnham proferiu um discurso em Downing Street momentos depois de ter sido confirmado como o novo primeiro-ministro do Reino Unido, abordando o apoio à Ucrânia, o fim das pessoas em situação de sem-abrigo e a estabilização da economia.
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, aproveitou o seu primeiro discurso no exterior de Downing Street para prometer estabilidade política após anos de turbulência, ao mesmo tempo que se comprometeu a manter o apoio à Ucrânia e a combater a crise do custo de vida que tem afetado as famílias em todo o país.
Burnham, que se tornou o sétimo primeiro-ministro britânico numa década após substituir Keir Starmer, afirmou que o seu governo trabalharia para restaurar a confiança na política, proporcionando "esperança" e "renovação nacional".
Comprometeu-se a apresentar um plano de 10 anos para reconstruir o país, argumentando que a Grã-Bretanha precisava de pôr fim a décadas de declínio económico e político.
"A Grã-Bretanha precisa de mostrar ao mundo que podemos recuperar a nossa estabilidade mais uma vez", afirmou Burnham logo após ter sido nomeado pelo rei Carlos III para substituir Keir Starmer.
Ele comprometeu-se a "emitir" uma "primeira instrução para acabar com a situação de pessoas a dormir na rua no nosso país" assim que assumir funções.
Ao contrário das anteriores disputas pela liderança do Partido Trabalhista, Burnham chegou a Downing Street sem ter de defender a sua plataforma em debates televisivos ou comícios eleitorais do partido, uma vez que concorreu sem oposição.
Isso alimentou as críticas dos opositores, que argumentaram que ele tinha evitado um escrutínio detalhado da sua agenda interna e não tinha explicado como iria financiar muitas das suas ambições.
No seu primeiro dia como primeiro-ministro, Burnham procurou dar resposta a essas preocupações ao anunciar um plano de 340 milhões de libras (400 milhões de euros) para acabar com a situação das pessoas que dormem na rua "na primeira oportunidade", apoiado por uma estratégia interministerial centrada na prevenção, no alojamento de emergência e no apoio à habitação a longo prazo.
Apoio a 100% à Ucrânia
No que diz respeito à política externa, o novo líder procurou garantir aos aliados que uma mudança no número 10 de Downing Street não significará uma reviravolta nos esforços de Starmer. Centrou-se na invasão da Ucrânia pela Rússia e afirmou aos jornalistas que o apoio do Reino Unido a Kiev continuaria a ser "firme" e "resoluto".
"Mais tarde, hoje, deixarei bem claro ao presidente Zelensky que não há qualquer mudança. Estarei ao seu lado a 100%", afirmou Burnham, acrescentando que também esperava ter uma conversa telefónica em breve com o presidente dos EUA, Donald Trump.
O presidente francês, Emmanuel Macron, felicitou Burnham, afirmando que esperava que a mudança na liderança ajudasse a reforçar os laços entre o Reino Unido e a União Europeia.
"Perante os desafios que nos unem, espero que aprofundemos a nossa relação ao serviço dos nossos povos e demos um novo impulso à parceria entre o Reino Unido e a União Europeia", escreveu Macron no X.
A mensagem surge depois de as negociações entre o Reino Unido e a UE sobre uma cooperação mais estreita terem sido suspensas e de uma cimeira ter sido cancelada na sequência da demissão do antecessor de Burnham, prevendo-se que os responsáveis retomem as conversações assim que o novo governo estiver constituído.
Starmer despede-se com "dignidade"
Starmer deixou Downing Street na manhã de segunda-feira, insistindo num discurso de despedida no qual afirmou que os seus dois anos no cargo tinham tornado o Reino Unido um "lugar melhor".
Apesar de uma série de reviravoltas políticas, demissões ministeriais, da incapacidade de acalmar a preocupação do público relativamente aos imigrantes ilegais e do escândalo em torno das ligações do embaixador britânico Peter Mandelson ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein — que levou à sua queda definitiva —, Starmer afirmou: "Parto de boa vontade, parto com um sorriso e parto orgulhoso de tudo o que alcançámos."
O monarca reuniu-se com Starmer para aceitar a sua demissão e, em seguida, Burnham chegou para o procedimento formal em que o rei lhe pediu para formar o próximo governo, tendo ele aceitado.
O ex-presidente da Câmara de Manchester, de 56 anos, é o sétimo primeiro-ministro a assumir o cargo em Downing Street nos últimos 10 anos.
Espera-se que comece a nomear os membros do seu gabinete nas próximas horas e dias, sendo que a maior questão em aberto diz respeito ao cargo de ministro das Finanças. Rachel Reeves é a atual titular do cargo, mas muitos preveem que esta leal apoiante de Starmer será uma das primeiras a ser substituída.