Os irmãos, nascidos nos Estados Unidos, foram detidos em Miami, na Florida, e enfrentam 59 acusações do Ministério Público britânico, incluindo violação, agressão e tráfico de seres humanos.
Um advogado que representa Andrew e Tristan Tate afirmou que os irmãos vão contestar a extradição para o Reino Unido, onde são acusados pelas autoridades britânicas de violação, tráfico sexual, agressão e outros crimes relacionados com imagens indecentes de uma criança e pornografia extrema.
Detidos em Miami no sábado, os dois irmãos foram presentes a um tribunal federal dos Estados Unidos na segunda-feira, envergando uniformes de prisioneiro e algemas. Mantiveram-se em silêncio durante a breve audiência, na qual o juiz marcou nova sessão para 27 de julho. Um juiz distrital decidirá se estão reunidas as condições legais para a extradição.
O advogado, Joseph McBride, disse que os irmãos irão opor-se a serem enviados para o Reino Unido, insistindo que são inocentes e sustentando que o pedido de extradição tem motivação política. Não apresentou provas dessa alegação, mas sugeriu que estará ligada a recentes acontecimentos políticos no Reino Unido e a reuniões que os irmãos tiveram em Washington antes da detenção.
"Estamos, naturalmente, a contestar a extradição porque Andrew e Tristan são inocentes", disse McBride aos jornalistas após a audiência. "Nunca fizeram nada de errado. Não devem ser extraditados por crimes que não cometeram."
Documentos judiciais tornados públicos na segunda-feira detalham acusações apresentadas por três mulheres. Uma delas acusa Tristan Tate de violação e agressão ao longo de uma relação de longa duração iniciada em 2012, incluindo alegadas agressões enquanto estava inconsciente. Outras duas mulheres acusam Andrew Tate de violação e agressão em episódios de 2014 e 2015, depois de o conhecerem através de uma empresa de webcams e de uma aplicação de encontros.
Desde a sua detenção pelo US Marshals Service, procuradores britânicos anunciaram um conjunto separado de acusações contra os irmãos Tate, envolvendo mais quatro alegadas vítimas. As alegações, relativas ao período entre 2010 e 2017, incluem violação, agressão, tráfico de seres humanos e crimes ligados a imagens indecentes de uma criança e pornografia extrema. McBride afirmou que a defesa não foi informada das identidades das novas queixosas.
Os antigos praticantes de kickboxing, que construíram uma vasta base de seguidores online com vídeos a promover estilos de vida de luxo e posições misóginas sobre as mulheres, tornaram-se algumas das figuras mais divisivas da internet.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou que as detenções foram autorizadas pela direção de topo da sua Divisão Criminal, depois de McBride ter afirmado que tinham sido aprovadas por um responsável de menor grau hierárquico, sem supervisão superior.