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União Europeia alerta: incêndios florestais levam resposta ao limite

Aeronave da proteção civil francesa atua no combate às chamas perto de Bordéus, França, 27 de julho de 2026..
Aeronave da proteção civil francesa atua no combate às chamas perto de Bordéus, França, 27 de julho de 2026.. Direitos de autor  AP Photo / Emma Da Silva
Direitos de autor AP Photo / Emma Da Silva
De Marta Pacheco
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A Comissão Europeia ativou o mecanismo de resposta de emergência para apoiar França e Espanha nos incêndios, enviando aviões, helicópteros e equipas terrestres de combate.

A Comissão Europeia diz que a capacidade de combate a incêndios na Europa está a ter dificuldade em acompanhar a intensidade dos fogos florestais em Espanha e França, numa altura em que os fogos continuam a sobrecarregar os recursos locais.

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“Estes incêndios ultrapassam a capacidade de resposta”, disse um responsável da Comissão aos jornalistas, esta segunda-feira, referindo-se aos fogos devastadores que já consumiram mais de 80.000 hectares em Espanha e mais de 42.000 hectares em França. Os dois incêndios permanecem fora de controlo e já obrigaram mais de 320.000 pessoas a abandonar as respetivas casas.

Enquanto os incêndios florestais continuam a alastrar em Espanha e França, a União Europeia (UE) acionou uma das maiores operações de emergência de sempre. Mesmo assim, responsáveis da Comissão reconhecem que o bloco enfrenta fogos de dimensão sem precedentes, que se propagam mais depressa do que os esforços de combate conseguem conter. A crise evidencia também a pressão crescente sobre o sistema de proteção civil da UE e a capacidade deste em responder a catástrofes de grande escala.

A comissária europeia para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, reconheceu recentemente, no jornal francês Le Monde, que o mecanismo de proteção civil do bloco está “sob pressão”, mas garantiu que “está a funcionar”.

Ainda assim, Bruxelas está a avançar para o reforço da frota de combate a incêndios em futuras emergências e a melhoria das capacidades de resposta a catástrofes transfronteiriças. Responsáveis da UE admitiram, esta segunda-feira, que as alterações climáticas estão a prolongar as épocas de incêndios florestais e a provocar fogos cada vez mais intensos, muito diferentes dos registados há apenas alguns anos.

Num incêndio recente em Espanha, as chamas propagaram-se a uma velocidade estimada de cerca de seis quilómetros por hora, muito acima da capacidade das equipas no terreno, que apenas conseguiram avançar e conter o fogo a cerca de 300 metros por hora.

O responsável da Comissão defendeu que não basta responder aos incêndios, sublinhando que a Europa tem de investir muito mais na prevenção de fogos catastróficos, em vez de depender de intervenções de emergência cada vez mais caras.

As declarações reconhecem que o modelo europeu de proteção civil - assente na partilha, entre Estados-membros, de aeronaves, equipamentos e pessoal em situações de emergência - está sujeito a uma pressão crescente, numa altura em que vários países são obrigados a combater grandes incêndios florestais em simultâneo.

Aviões e helicópteros mobilizados

A Comissão mobilizou sete aviões e quatro helicópteros para França, seis aviões e três equipas terrestres de combate a incêndios para Espanha, prestando simultaneamente apoio à Tunísia através do Mecanismo de Proteção Civil da UE, o principal instrumento de resposta de emergência do bloco.

Cinco aviões de combate a incêndios provenientes do Canadá foram também destacados para os dois países.

Mais de 770 bombeiros de 14 países foram pré-posicionados por todo o sul da Europa para o período de verão.

“Dois helicópteros devem ser enviados em breve da Alemanha para Espanha. Esperam-se também mais dois aviões provenientes da Turquia”, indicou a Comissão.

No entanto, os responsáveis sublinham que Bruxelas não pode simplesmente mobilizar toda a sua frota de combate a incêndios, explicando que os aviões pertencem ou são operados pelos Estados-membros, muitos deles a enfrentar, ao mesmo tempo, graves incêndios no próprio território. Assinalaram ainda que as limitações operacionais fazem com que nem todas as aeronaves sejam adequadas a todos os tipos de incêndio ou de terreno.

Enquanto a UE procura mais aviões e helicópteros de combate a incêndios, mais de 100.000 hectares de terreno continuam a arder e milhares de famílias são obrigadas a sair de casas. Ao mesmo tempo, vários helicópteros russos de combate a incêndios permanecem em terra, em Espanha, devido às sanções da UE introduzidas em março de 2022.

A Comissão não tinha ainda respondido, à hora de publicação, a um pedido da Euronews sobre a possibilidade de considerar uma derrogação temporária que permita utilizar estes meios, face à dimensão e gravidade dos incêndios em curso.

Mecanismo de proteção civil da UE é posto à prova

O principal mecanismo de resposta de emergência do bloco enfrenta uma pressão crescente, à medida que catástrofes relacionadas com o clima ocorrem em simultâneo em vários pontos da Europa, com responsáveis a alertar que a carga sobre o sistema deve aumentar nos próximos anos.

A Comissão adianta que a época de incêndios florestais deste ano começou excecionalmente cedo, com a primeira ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE no final de abril. Os responsáveis alertam que a temporada pode prolongar-se agora até outubro ou mesmo novembro.

“Começámos a época de incêndios ainda mais cedo do que no ano passado”, acrescentou o responsável da Comissão. “No fim de maio, o problema eram os incêndios que atingiam centenas de hectares de terreno. Em junho, já chegavam a milhares. Neste momento, contamos fogos que abrangem dezenas de milhares de hectares.”

A Comissão procura reforçar a capacidade de longo prazo com a aquisição de uma frota europeia permanente de 12 aviões Canadair e cinco helicópteros. Mas as entregas só vão ficar concluídas em 2030, deixando o bloco dependente, durante vários verões, dos aviões estacionados a nível nacional.

Bruxelas reforçou também o Centro de Coordenação de Resposta a Emergências, integrando analistas do comportamento dos incêndios florestais capazes de modelar a provável evolução dos fogos, o que permite às autoridades posicionar recursos antes de as condições se agravarem.

Mas os responsáveis insistem repetidamente que a tecnologia e mais aeronaves, por si só, não resolvem o problema.

“O que defendemos é uma abordagem integrada de gestão”, afirmou um segundo responsável da Comissão, apontando para a necessidade de uma melhor gestão florestal, incluindo a redução da vegetação combustível nas florestas e nas paisagens.

Os responsáveis da UE salientaram também que a adaptação às alterações climáticas se torna inseparável da política de proteção civil. Após ondas de calor sucessivas que secaram a vegetação em todo o sul da Europa, responsáveis da Comissão dizem que as condições de incêndio ultrapassam agora de forma sistemática as normas históricas e alertam que o risco extremo de incêndio deverá avançar em direção à Grécia.

Embora a Comissão evite prever se 2026 vai ultrapassar a época recorde de incêndios florestais do ano passado, os responsáveis reconhecem que a atividade já está acima das tendências anteriores.

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