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Agente funerário no Reino Unido guardou corpos por cremar em prateleiras

Imagem de uma urna de cremação criada no Canva
Imagem de urna crematória criada com o Canva. Direitos de autor  Canva
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De Greta Ruffino
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O agente funerário, de 48 anos, já se tinha declarado culpado de 67 crimes cometidos ao longo de 12 anos, que afetaram centenas de vítimas.

Um agente funerário britânico enfrentou esta segunda-feira uma possível pena de prisão, na sequência de um escândalo em que corpos foram deixados “guardados em prateleiras” e não cremados, enquanto familiares receberam cinzas de outras pessoas, o que levou a apelos por uma regulamentação mais rigorosa do setor funerário.

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Após uma denúncia, a polícia revistou as instalações da agência funerária de Robert Bush e encontrou 31 corpos em câmaras frigoríficas que já deveriam ter sido cremados há vários meses, incluindo o de um bebé nado-morto, cujo corpo ali estava há quase dois anos.

Encontraram também mais de 100 urnas com cinzas.

“Havia corpos guardados nas prateleiras de ambos os lados da sala”, disse o advogado no Tribunal da Coroa de Hull, no nordeste de Inglaterra.

“A grande maioria estava destapada e em diferentes estados de decomposição”, acrescentou.

Na primeira entrevista à polícia, Bush disse que tinha problemas de tesouraria porque “as pessoas nem sempre pagavam” e que tinha dívidas de cerca de 90 mil libras (104 mil euros).

Referiu que tinha dificuldades em cumprir os pagamentos das rendas e que acreditava haver cerca de 30 corpos numa das suas agências funerárias, cinco ou seis deles “recentes” e à espera de cremação. O procurador rejeitou, porém, as dificuldades financeiras como explicação para o que aconteceu.

Entre março de 2017 e abril de 2024 foram depositados mais de 3 milhões de libras (3,5 milhões de euros) na empresa, enquanto cada cremação custava cerca de 500 libras (580 euros), adiantou o procurador Richard Paxton.

“O senhor Bush optou por não tratar dos corpos que lhe tinham sido confiados, preferindo atuar como entendia e gastar o dinheiro em si próprio e noutros”, afirmou, acrescentando que Bush se entregou a “gastos pessoais desenfreados”.

Reino Unido: leis dos funerais sob escrutínio

O caso veio também relançar o debate sobre a regulamentação do setor funerário. Em Inglaterra e no País de Gales, os agentes funerários podem operar sem licença e qualquer pessoa é livre de abrir uma empresa de serviços fúnebres.

A Escócia introduziu em março de 2025 um Código de Conduta legalmente vinculativo para agentes funerários.

Bush, que dirigia a Legacy Independent Funeral Directors, em Hull, gozava da confiança das famílias enlutadas, mas abusou dessa confiança “quase em escala industrial”, segundo Paxton.

A polícia abriu uma investigação em março de 2024, após receber uma denúncia sobre alegadas preocupações com “os falecidos” na agência funerária.

Mais de 100 vítimas deverão prestar declarações durante a audiência de sentença.

Bush confessou dezenas de crimes, incluindo impedir um enterro digno e conforme a lei, roubo e fraude.

Quatro das acusações de fraude dizem respeito a ter apresentado falsamente cinzas a mulheres como sendo os restos mortais dos seus filhos que não chegaram a nascer.

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