A reunião com o Presidente Nikos Christodoulides abriu a agenda do secretário-geral da ONU, que prevê contactos sucessivos com ambas as partes e um encontro conjunto dos líderes na quarta-feira.
O secretário-geral da ONU reiterou o compromisso de prosseguir com todos os esforços para a retomada das conversações sobre a questão cipriota, após as reuniões separadas que manteve em Nicósia com o Presidente da República de Chipre, Nikos Christodoulides, e com o líder cipriota turco, Tufan Erhürman.
Numa breve declaração, à saída do Palácio Presidencial em Nicósia, o secretário-geral das Nações Unidas afirmou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar o esforço.
“Esta é uma visita de solidariedade para com o povo de Chipre e para mostrar o meu forte compromisso em garantirmos que possamos, finalmente, alcançar uma solução para Chipre. Isso depende, obviamente, dos próprios cipriotas, mas também das potências garantidoras, que têm um papel a desempenhar. Farei tudo o que puder para apoiar os cipriotas gregos e os cipriotas turcos neste momento tão importante. Muito obrigado”, declarou Guterres perante as câmaras de televisão.
Logo no início da reunião, no Palácio Presidencial, António Guterres tinha afirmado que “se há um momento em que a resolução da questão cipriota é importante, esse momento é agora”, invocando o caos na região mais alargada e as mudanças geopolíticas que, como disse, podem colocar súbitamente Chipre no centro de desenvolvimentos indesejáveis.
Descreveu a sua presença em Chipre como “visita de solidariedade e humildade”, com o objetivo de apoiar as duas comunidades na procura de uma solução.
“Uma solução para a questão cipriota não terá apenas um impacto muito positivo para Chipre, será também extremamente útil no contexto da situação muito difícil na região”, afirmou.
Garantiu ao Presidente Christodoulides que pode contar com o seu total empenho, esclarecendo ao mesmo tempo que o papel da ONU não é indicar às partes o que devem fazer.
“Não me compete dizer a ninguém o que deve ser feito. Mas estou aqui, com humildade e com total compromisso, para apoiar os vossos esforços”, disse.
Nikos Christodoulides afirmou, por seu lado, que a presença do secretário-geral constitui mais um sinal claro do seu empenho na resolução da questão cipriota com base nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
“Precisamos de boas notícias em Chipre. Precisamos de boas notícias na região. Precisamos de boas notícias a nível internacional e contamos com o vosso apoio e com o vosso compromisso político”, afirmou o Presidente da República de Chipre.
Acrescentou que a comunidade internacional tem a responsabilidade de fazer o que for necessário para assegurar o respeito pelo direito internacional, pelos valores e princípios internacionais, numa altura em que, como disse, alguns atores estão a minar o sistema internacional estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.
Encontro com Erhürman
Pouco depois da uma da tarde terminou o encontro de António Guterres com o líder cipriota turco, Tufan Erhürman, nos territórios ocupados do norte da ilha.
Nas declarações que fez, Guterres reiterou que continua empenhado na retoma das negociações. “Houve uma reunião produtiva com os dois líderes e continuará o esforço”, disse.
Na declaração divulgada pelo gabinete de Tufan Erhürman sublinha‑se que o líder cipriota turco enfatizou a forte vontade da comunidade cipriota turca em alcançar uma “solução justa e duradoura”.
Manifestou a sua satisfação pela presença de Guterres e da sua delegação, referindo que a parte cipriota turca está a trabalhar para cumprir as obrigações relativas às Medidas de Fomento da Confiança.
Sustentou ainda que, ao contrário das experiências de 2004 e de 2017, a parte cipriota turca trabalha desta vez com “uma nova e realista metodologia”, que, como disse, pode contribuir para a concretização do objetivo comum.
António Guterres voltou a assegurar que continua empenhado em fazer tudo o que puder para apoiar as duas comunidades na procura de uma solução.
“Sabemos que uma solução depende também do contributo dos países garantes. Por isso, atribuímos grande importância a qualquer contribuição que possa reforçar a prosperidade de ambas as comunidades e a sua determinação em chegar a uma solução”, sublinhou.
Acrescentou que a ONU continuará a apoiar todos os esforços que possam contribuir para aproveitar as oportunidades existentes nesta fase e para fazer avançar o processo.
Nicósia: objetivo é que a atual dinâmica conduza a uma conferência alargada
O porta-voz do Governo da República de Chipre, Constantinos Letymbiotis, classificou como substancial e sincera a conversa entre o Presidente Nikos Christodoulides e o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Letymbiotis saudou o forte compromisso pessoal e político do secretário-geral com a resolução da questão cipriota no quadro das resoluções das Nações Unidas.
“Vamos contribuir, por todos os meios possíveis, para os esforços que o senhor Guterres está a desenvolver”, afirmou, salientando que o objetivo da parte greco-cipriota é “transformar a atual dinâmica em desenvolvimentos concretos”.
Explicou que Nicósia pretende a convocação de uma conferência alargada, onde possa ser discutida a substância da questão cipriota.
O porta-voz governamental assinalou ainda que António Guterres se referiu tanto aos próprios cipriotas como ao papel das potências garantidoras.
A reunião começou em formato alargado, com a participação de responsáveis da República de Chipre e das Nações Unidas.
Do lado cipriota participaram, além do Presidente Christodoulides, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Constantinos Kombos, a vice‑ministra para os Assuntos Europeus, Marilena Raouna, o negociador Menelaos Menelau, o porta‑voz do Governo, Constantinos Letymbiotis, o diretor do Gabinete Diplomático do Presidente, Doros Venezis, e a representante permanente da República de Chipre junto das Nações Unidas, Maria Michael.
Em representação da ONU estiveram os secretários‑gerais adjuntos Rosemary DiCarlo e Jean‑Pierre Lacroix, a enviada pessoal do secretário‑geral para a questão cipriota, María Ángela Holguín, e o representante especial da ONU em Chipre e chefe da UNFICYP, Hasim Dian.
António Guterres chegou a Chipre de madrugada, tendo sido recebido no aeroporto de Lárnaca “Glafcos Clerides” pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Constantinos Kombos.
Numa publicação na plataforma X, pouco depois da chegada, António Guterres escreveu que está em Chipre “para expressar o meu compromisso de apoiar as comunidades em Chipre na procura de uma solução abrangente e duradoura para a questão cipriota”. Acrescentou ainda que “as Nações Unidas não podem impor a paz”, sublinhando que “só os cipriotas, através dos seus líderes, a podem construir”.
O secretário-geral é acompanhado pela sua enviada pessoal, María Ángela Holguín, que na segunda-feira manteve reuniões separadas com o Presidente Christodoulides e com o líder cipriota turco, Tufan Erhürman, no quadro da preparação dos contactos do chefe da ONU.
Os próximos contactos de Guterres
O programa para o resto do dia inclui ainda a deposição de uma coroa de flores no memorial dos soldados mortos da UNFICYP, uma visita ao laboratório antropológico da Comissão de Desaparecidos e encontros com os negociadores dos dois lados, com os responsáveis das Comissões Técnicas bicomunitárias e com representantes da sociedade civil.
À noite, António Guterres vai oferecer um jantar privado aos dois líderes, na residência do seu representante especial em Chipre, Hasim Dian, no aeroporto de Nicósia.
Na quarta-feira está prevista uma reunião conjunta do secretário-geral com Nikos Christodoulides e Tufan Erhürman, antes da conferência de imprensa com que concluirá a visita.