Loader
Encontra-nos
Publicidade

Feijóo acusa Sánchez de saber desde o início da semana da ameaça migratória em Ceuta e não agir

Feijoo em Ceuta, 1 de agosto de 2026
Feijóo em Ceuta, 1 de agosto de 2026 Direitos de autor  x.com Feijoo
Direitos de autor x.com Feijoo
De Jesús Maturana
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O líder do PP deslocou-se a Ceuta e acusou o Governo de antecipar a vaga migratória, descrevendo-a como “ocupação premeditada”. Pediu esclarecimentos sobre o papel de Marrocos e sobre o reforço da fronteira externa da UE.

Alberto Núñez Feijóo deslocou‑se este sábado a Ceuta para avaliar no terreno o estado da crise migratória e, a partir daí, dirigiu críticas diretas a Pedro Sánchez. Segundo o líder do PP, o chefe do Governo sabia da ameaça que pendia sobre a cidade autónoma desde o início da semana e, apesar disso, não tomou medidas para a travar.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

“O Governo sabia‑o e nada fez”, repetiu Feijóo perante os jornalistas, insistindo que o sucedido não pode ser atribuído a uma fatalidade nem a um imprevisto. Citou os documentos estratégicos do Estado, que já apontavam para este risco, para sustentar que a vaga de pessoas em direção a Ceuta era, nas suas palavras, previsível.

Recusou ainda a versão do próprio Sánchez, que admitira ter ficado surpreendido com a dimensão do que aconteceu. “Não acredito que tenham falhado todos os serviços de informação do meu país”, afirmou.

Para o dirigente do PP, não se tratou de um incidente isolado, mas de uma ocupação planeada de território espanhol e, por extensão, europeu. Atribuiu a situação à política migratória do Executivo, que classificou como permissiva e responsável, segundo disse, por ter transmitido durante anos a ideia de que em Espanha é possível entrar de qualquer forma e acabar por ser regularizado.

Marrocos, a grande incógnita

Um dos eixos do discurso de Feijóo foi a atuação das autoridades marroquinas, que não impediram que milhares de pessoas, incluindo algumas com mobilidade reduzida, chegassem a Ceuta pelas colinas ou a nado até às praias. O líder popular exigiu que se esclareça o que falhou na cooperação bilateral, uma falha que, sublinhou, não deve repetir‑se.

Apesar de os governos de Espanha e de Marrocos insistirem em que a relação bilateral é excelente e que a coordenação migratória continua intensa, Feijóo não deixou passar em claro a coincidência temporal entre a crise e a recente viagem de Sánchez a Argel, país rival de Rabat, realizada para recompor as tensões surgidas após a mudança da posição espanhola sobre o Saara Ocidental e garantir o fornecimento de gás argelino.

Não é a primeira vez que se verifica uma situação semelhante. Já em 2021, entre 8 000 e 10 000 pessoas entraram de repente em Ceuta, pouco depois de a Espanha ter acolhido e tratado medicamente o líder da Frente Polisário, um episódio que então também foi interpretado como uma represália de Rabat, facilitada pelo afrouxamento deliberado dos controlos fronteiriços marroquinos.

Feijóo defendeu que a colaboração entre os dois países não pode depender das circunstâncias políticas do momento, devendo manter‑se de forma constante e eficaz.

Tensão com Bruxelas e críticas ao dispositivo

A crise pôs igualmente à prova as relações de Espanha com outros parceiros europeus. Vários países, entre eles a Itália, chegaram a equacionar a possibilidade de excluir a Espanha do espaço Schengen, algo que o próprio Sánchez lamentou publicamente antes de pedir uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Europeia.

Feijóo alinhou com quem defende uma política migratória europeia mais firme e coesa e avisou que Espanha não deve isolar‑se nem alimentar confrontos diplomáticos, mas sim reforçar as suas fronteiras, a começar por Ceuta, que considerou fronteira externa da União.

O dirigente do PP classificou ainda de “ridículo” o reforço colocado pelo Governo na fronteira marítima, uma barreira pneumática de 500 metros, combinada com uma linha de boias da Armada, e questionou por que motivo não foi instalada antes, se agora é considerada útil.

Na avaliação final, responsabilizou o Executivo pela imagem que, a seu ver, Espanha está a projetar perante o mundo, e rejeitou que a crise possa explicar‑se apenas pela pressão das máfias ou pelo acórdão do Supremo Tribunal espanhol que impede as devoluções na fronteira de quem chega a nado.

Já o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, considerou positivo que esta sexta‑feira tenha começado o regresso de migrantes a Marrocos, mas salientou que a cidade ainda não recuperou a normalidade, em contraste com as declarações do ministro do Interior, Fernando Grande‑Marlaska. Vivas assinalou que continuam a existir milhares de pessoas à espera de regressar e um clima de inquietação entre a população, ao mesmo tempo que pediu mais meios para concluir o processo.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Situação em Ceuta está praticamente controlada, mas o número de mortos sobe para 67

Hamburgo celebra Pride com mais segurança após ataque mortal em Berlim

Incêndios continuam a alastrar em França e na Grécia