Isto acontece num contexto de temperaturas em alta em toda a Europa, numa altura em que o continente enfrenta mais uma onda de calor.
Uma seca que afeta a Europa Central provocou níveis de água historicamente baixos no rio Danúbio, obrigando os governos da região a adotar medidas drásticas para evitar uma crise energética iminente.
Na Roménia, onde o caudal do Danúbio terá descido para 1.500 metros cúbicos por segundo, a Marinha realizou uma explosão controlada para remover rocha junto ao canal Bala, numa tentativa de manter o caudal necessário para garantir o funcionamento seguro da central nuclear de Cernavodă.
A medida foi tomada depois de as autoridades já terem desligado um dos reatores da central de Cernavodă.
O setor energético romeno está em estado de alerta desde sexta-feira, quando o primeiro-ministro interino, Ilie Bolojan, apelou aos residentes para reduzirem voluntariamente o consumo de eletricidade nas horas de maior procura, à noite, e advertiu que o baixo nível do Danúbio poderia levar à paragem do segundo reator da central de Cernavodă.
Na Sérvia, o governo avançou com medidas para reduzir a produção de energia em algumas centrais hidroelétricas do país.
As duas maiores, Djerdap I e Djerdap II, que fornecem cerca de 18% da eletricidade produzida na Sérvia, reduziram a produção para 20% e 30% das respetivas capacidades, disse a ministra da Energia, Dubravka Đedović, aos meios de comunicação social locais.
A Hungria enfrenta igualmente desafios na produção de energia.
No domingo, o primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, anunciou que é esperado o encerramento da única central nuclear do país, numa altura em que as temperaturas disparam em toda a região.
"Devido à nova descida do nível de água do Danúbio, uma das duas últimas unidades geradoras da Central Nuclear de Paks será desligada à 1h30", escreveu Magyar numa publicação na rede social X, pouco depois da meia-noite de domingo.
"Como resultado, a produção da central vai cair para apenas 240 megawatts e, amanhã, será totalmente encerrada pela primeira vez em 44 anos", acrescentou.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro apresentou uma atualização ligeiramente mais positiva, afirmando que as "previsões de gestão da água" para os próximos dias "se tornaram um pouco mais otimistas".
"O nível de água do Danúbio manteve-se estável desde esta manhã, tanto em Paks como em Budapeste", disse, acrescentando: "A última turbina em Paks continua a produzir energia".