Liechtenstein, pequeno país rico com 40 mil habitantes entre a Suíça e a Áustria, tem uma monarquia invulgarmente poderosa para os padrões europeus.
A casa real do Liechtenstein anunciou que as regras de sucessão do pequeno país vão ser alteradas para que, no futuro, uma mulher possa herdar o trono do principado.
O príncipe herdeiro Alois anunciou a alteração e afirmou que esta foi aprovada pela maioria de dois terços necessária dos membros da família com direito de voto nestas matérias.
“A capacidade de combinar continuidade e renovação é também um princípio que cultivamos dentro da casa principesca”, afirmou Alois, segundo o texto das suas declarações publicado no site da casa real.
“Ao longo da nossa história de vários séculos, tem-nos sido útil tomar decisões com uma perspetiva de longo prazo e de forma muito ponderada.”
“A linha de sucessão será ajustada, passando da primogenitura masculina para a primogenitura absoluta”, disse Alois. “Isso significa que, no futuro, o primogénito, independentemente do sexo, será o herdeiro do trono e, mais tarde, a princesa ou o príncipe do Liechtenstein.”
Um comunicado da casa real especificou que a mudança só se aplicará aos descendentes dos filhos de Alois e da sua mulher, a princesa herdeira Sophie, que venham a nascer no futuro, pelo que não terá impacto na atual linha de sucessão.
O príncipe Hans-Adam II continua a ser chefe de Estado, mas em 2004 transferiu a maior parte dos seus poderes para Alois, o filho mais velho, que tem agora 58 anos.
Esse passo vai ao encontro de uma tradição em que os monarcas do Liechtenstein entregam o poder aos seus herdeiros.
O mais velho dos quatro filhos de Alois é o príncipe Joseph Wenzel, de 31 anos. A segunda é a princesa Marie Caroline, de 29.
Liechtenstein, um país rico com 40 mil habitantes que faz fronteira com a Suíça e a Áustria, tem uma monarquia invulgarmente poderosa para os padrões europeus.
O príncipe reinante tem poderes para vetar resultados de referendos, nomear juízes e demitir o governo.
O principado é tradicionalmente conservador e, em 1984, tornou-se o último país europeu a conceder às mulheres o direito de voto em eleições nacionais. Os eleitores do sexo masculino aprovaram por margem reduzida a mudança, apoiada por Hans-Adam, em referendo.
No ano passado, Brigitte Haas tornou-se a primeira primeira-ministra do principado.