As condições meteorológicas extremas fizeram com que a colheita de batata deste ano fosse invulgarmente reduzida, o que suscita receios de uma escassez de oferta e de um aumento dos preços por parte do maior exportador mundial de batatas fritas congeladas.
Os produtores de batatas belgas alertam que a colheita deste ano poderá ser demasiado pequena para produzir as famosas batatas fritas do país, depois de condições meteorológicas extremas terem afetado as colheitas.
Em Amay, perto da cidade de Liège, no leste do país, o agricultor Mathieu Comijn está a retirar do solo ressequido batatas da variedade Bintje que mal têm o tamanho de bolas de pingue-pongue.
"Como se pode ver, o solo está extremamente seco", afirmou Comijn. "Normalmente, deviam ter pelo menos quatro vezes este tamanho. Neste momento, não podemos fazer batatas fritas com estas batatas."
As chuvas intensas e as tempestades no final da primavera enfraqueceram o solo, antes de um verão excecionalmente quente e seco ter impedido que as batatas se desenvolvessem normalmente.
A família Comijn cultiva cerca de 500 hectares de batatas e tem contratos que a obrigam a entregar volumes acordados aos transformadores. A família planeia recorrer aos stocks da colheita invulgarmente abundante do ano passado para cumprir alguns desses compromissos.
A Bélgica é o maior exportador mundial de batatas fritas congeladas, com a sua indústria de transformação de batata a processar mais de seis milhões de toneladas por ano. Cerca de 90% das batatas fritas congeladas que produz são exportadas para mais de 120 mercados.
A escassez poderá, eventualmente, repercutir-se nos consumidores.
Na famosa barraca de batatas fritas "La Maison Antoine", em Bruxelas, o proprietário Pascal Willaert explica que as batatas grandes e alongadas é que seriam ideais para fazer batatas fritas.
"Mas, neste momento, com as estações do ano a variarem de forma tão acentuada, é difícil encontrar a batata perfeita para batatas fritas", afirmou.
A associação nacional de vendedores de batatas fritas da Bélgica, que representa cerca de 4.500 estabelecimentos, também alertou que a escassez de batatas poderá fazer subir os preços.