O cantor francês decidiu cancelar a digressão que devia começar a 2 de outubro. Alvo de cerca de 30 queixas e arguido em quatro casos de violência sexual, afirma fazer “a escolha do apaziguamento”, mas continua a contestar as acusações.
Patrick Bruel não subirá ao palco este outono. O cantor anunciou, esta terça-feira, o cancelamento da digressão "Alors Regarde 35", que deveria ter início em 2 de outubro, em Chartres, e comemorar os 35 anos do seu álbum de sucesso homónimo. Esta decisão surge num momento em que a digressão se encontrava suspensa há várias semanas, num contexto de forte polémica em torno das acusações de violência sexual de que é alvo.
O anúncio foi feito diretamente pelo cantor na sua conta de Instagram. Explica que desejou durante muito tempo manter estes concertos, mas considera que já não estão reunidas as condições para que a digressão continue a ser “momentos de música e de partilha”. Diz que faz “a escolha do apaziguamento” e garante que esta decisão não significa que renuncie a defender-se perante a justiça.
A digressão deveria incluir 35 datas, sobretudo em França, mas também em Bruxelas e em Genebra. Nas últimas semanas, começou a suscitar numerosas reações. Vários eleitos, designadamente os presidentes das câmaras de Dijon, Estrasburgo, Saint-Étienne e Nancy, opuseram-se à vinda do cantor às suas cidades, enquanto várias vozes criticavam a manutenção destes concertos numa altura em que se multiplicam os processos judiciais.
32 queixas e oito processos judiciais
O caso ganhou uma nova dimensão na primavera, após a publicação de várias investigações com testemunhos de mulheres que acusam Patrick Bruel de violências sexistas e sexuais. Desde então, as queixas multiplicaram-se em França e também na Bélgica. O número de queixas conhecidas chega agora às 32, por factos que vão do assédio sexual à agressão sexual, passando por acusações de tentativa de violação e violação.
Após 48 horas sob custódia policial, em junho, Patrick Bruel foi presente a vários juízes de instrução. A 10 de junho, foi formalmente acusado em quatro processos, por factos presumidos de violação, tentativa de violação, agressão sexual e assédio sexual. Noutros quatro casos, foi colocado sob o estatuto de testemunha assistida, um estatuto que significa que a justiça suspeita que possa ter participado nos factos, mas que, nesta fase, os elementos reunidos não justificam uma acusação formal.
As quatro acusações formais dizem respeito a uma acusação de violação em Neuilly-sur-Seine, em 2008, a uma tentativa de violação presumida em Bruxelas, em 2010, e a dois processos relativos a factos de violência ou assédio sexual durante massagens, em Perpignan e em Ajaccio, em 2019.
Os outros quatro processos dizem respeito a acusações de violação em Dinard, em 2012, e em L’Isle-sur-la-Sorgue, em 2015, a uma tentativa de violação em Neuilly-sur-Seine, em 2010, e a factos denunciados durante o festival de Nyon, na Suíça, em 2019.
Patrick Bruel contesta as acusações de que é alvo e reafirma a sua inocência. Diz estar preparado para responder aos investigadores e para se defender perante a justiça.