Várias praias nem abriram este ano e, nas que abriram, quase não houve banhistas. No fim do verão, largos troços do leito do terceiro maior lago do país ficaram completamente secos.
No lago Velence, na Hungria, registou-se um nível de água historicamente baixo, que praticamente anulou este ano o turismo nas suas margens. No início de julho, a água já não chegava às escadas junto à margem; no fim do verão, a situação é ainda pior.
Atualmente, o nível da água está 40 centímetros abaixo do anterior mínimo histórico; junto à margem, uma larga faixa do fundo do lago está completamente seca e formam-se línguas de terra com centenas de metros que ligam às pequenas ilhas de caniço. Nestas condições, nadar é quase impossível, pelo que, nos últimos dias das férias de verão, mal se via alguém na praia de Gárdony.
Segundo os dados publicados pelo KSH, o instituto nacional de estatística húngaro, o número de hóspedes nos alojamentos locais caiu mais de 20 por cento nos primeiros dois meses de verão, face ao ano passado. Em Gárdony, em junho do ano passado, pernoitaram 8.102 pessoas; este ano foram apenas 6.367. Em julho, a situação melhorou ligeiramente, mas os 7.267 visitantes continuam a ficar mais de mil abaixo do valor mais baixo registado pelo KSH no período em análise, ou seja, nos últimos cinco anos. E o início desse período coincidiu ainda com a fase aguda da pandemia de coronavírus.
Além disso, o número de reservas de alojamento não reflete toda a realidade. Ao lago Velence, muitos costumam ir apenas passar um dia na praia, por exemplo, desde a vizinha Székesfehérvár ou da também próxima Budapeste. Para avaliar melhor o movimento nas praias, é decisivo perceber o que os empresários de restauração locais têm sentido nos últimos meses, e o retrato é muito fraco.
Na praia de Gárdony, apenas um bar de praia se encontrava aberto. O proprietário não quis prestar declarações, mas admitiu que o movimento de verão foi praticamente nulo. Há alguns anos passava o dia inteiro a fritar "lángos", uma especialidade local; este ano, dava-se por satisfeito se conseguisse vender uma ou duas dezenas por dia.
Garantiu apenas que não vai desistir e que continuará aberto enquanto conseguir. Já vários outros bares de praia nem chegaram a abrir este verão, e os respetivos proprietários limitam-se a esperar que no próximo ano haja novamente mais água no lago e possam retomar a atividade.