Em agosto, a temperatura média global do ar ficou 1,65 ºC acima do nível pré-industrial. Ondas de calor precoces e prolongadas fizeram a Europa Ocidental bater o recorde de 2003.
Agosto foi o mês mais quente de que há registo, igualado a julho de 2023, segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo observatório europeu do clima Copernicus.
No último mês, a temperatura média global do ar atingiu os 16,96 °C, o que representa um aumento de 1,65 °C em relação ao período de referência pré-industrial entre 1850 e 1900. Este foi o primeiro mês desde novembro de 2023 a ultrapassar os 1,5 °C, o limite estabelecido pelo Acordo de Paris relativo às alterações climáticas.
Os oceanos fora das regiões polares também bateram o seu recorde de temperatura média no último mês devido ao aquecimento global, sublinha o Copernicus. A temperatura média atingiu os 21,07 °C, o valor mais elevado de sempre registado em agosto, superando o recorde estabelecido em 2023.
"Agosto de 2026 foi um mês notável nos registos climáticos globais. Foi simultaneamente o agosto mais quente e o mês mais quente de sempre", afirmou Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima no ECMWF (Centro Europeu de Previsão Meteorológica a Médio Prazo).
"Estas observações mostram como as alterações climáticas estão a intensificar extremos tanto na atmosfera como nos oceanos. Os impactos destas condições fazem-se sentir cada vez mais em comunidades, economias e ecossistemas em todo o mundo", acrescentou.
Europa Ocidental regista verão mais quente de sempre
No que diz respeito especificamente ao continente europeu, estes números marcam o fim do verão mais quente de sempre registado na Europa Ocidental, com ondas de calor prolongadas, intensas e precoces que começaram já em maio. Para a região, o verão de 2026 bateu o recorde estabelecido durante o mesmo período em 2003.
Em agosto deste ano, a temperatura média atingiu os 20,26 °C no território europeu, tornando o mês passado o quarto agosto mais quente de que há registo, de acordo com o Copernicus.
O continente também sofreu com uma seca generalizada, com níveis de água excepcionalmente baixos em rios como o Reno, o Danúbio, o Vístula, o Ródano e o Pó. As condições mais secas do que a média também provocaram inúmeros incêndios florestais em várias regiões da Europa.
“As evidências são irrefutáveis: este é o preço crescente do vício da humanidade nos combustíveis fósseis e da crise climática global que este está a alimentar”, declarou Simon Stiell, Secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
“Enquanto a humanidade não deixar de queimar quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, a poluição que isso causa continuará a aquecer o nosso planeta, e o calor extremo continuará a bater recordes históricos”, acrescentou Stiell.
Para o secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas, a solução para impedir que sejam estabelecidos novos recordes de temperatura é clara: “uma transição mais rápida para as energias limpas”.