Num discurso ao congresso do partido, esta sexta-feira, Farage garantiu que o Reform UK não violou quaisquer regras nem aceitou “dinheiro suspeito”.
A polícia britânica anunciou esta quarta‑feira a abertura de uma investigação criminal a alegações de que o partido anti‑imigração Reform UK violou as regras que proíbem donativos estrangeiros.
As alegações surgem de uma investigação encoberta divulgada pelo Channel 4 News.
Pela legislação britânica, os partidos políticos não podem aceitar donativos provenientes do estrangeiro.
A Polícia Metropolitana explicou que, após a emissão, a força “recebeu vários relatos relacionados com donativos e sondagens envolvendo um partido político”.
“Os inspetores analisaram a informação fornecida e concluíram que existem possíveis infrações que exigem investigação”, acrescentou.
O Reform UK afirmou que “nega ter cometido qualquer irregularidade e irá cooperar plenamente com a investigação”.
Após a divulgação da investigação, o assessor de Farage, Dan Jukes, e o responsável pela área programática do Reform, James Orr, demitiram‑se, adiantou o partido.
Um antigo diretor‑executivo da Comissão Eleitoral disse ao Channel 4 que as provas apontam para possíveis crimes.
Que mostra o documentário?
Na semana passada, o Channel 4 transmitiu uma investigação encoberta em que dois dirigentes do Reform UK surgem a discutir formas de fazer chegar dinheiro de um financiador norte‑americano através do filho residente no Reino Unido, contornando as regras.
As imagens mostram Jukes a discutir um possível donativo de 500.000 libras (580.000 euros) com dois homens que se faziam passar por um financiador dos Estados Unidos e pelo filho residente no Reino Unido, na presença de Farage. O alegado filho era, na realidade, um repórter do grupo de investigação Verbatim, enquanto o homem que se fazia passar pelo pai era um ator.
Noutro excerto, o responsável pela política do Reform UK, James Orr, parece discutir se o presumível doador norte‑americano poderia financiar sondagens encomendadas pelo partido.
Reform UK já sob escrutínio
O Reform UK já enfrentava escrutínio sobre o seu financiamento antes da emissão do documentário. Farage está a ser investigado pelo comissário parlamentar para os padrões de conduta por causa de uma oferta não declarada, avaliada em cerca de cinco milhões de libras (5,8 milhões de euros), feita em 2024 por um magnata das criptomoedas baseado na Tailândia.
A polícia está também a investigar donativos feitos ao Reform UK antes das eleições legislativas de 2024 pela mãe de George Cottrell, assessor de Farage que já cumpriu uma pena de prisão por fraude nos Estados Unidos.
A polícia afirmou esta quarta‑feira que as possíveis infrações levantadas pelo programa de televisão “são de natureza semelhante a questões já sob investigação pela Equipa de Inquéritos Especiais da Met, relativas a donativos feitos ao mesmo partido político. Como resultado, estes assuntos passarão a integrar essa investigação em curso”.