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Emma Bonino, antiga ministra italiana e ex-comissária europeia, morre aos 78 anos

Emma Bonino recebe doutoramento honoris causa da Universidade de Bruxelas
Emma Bonino recebe doutoramento honoris causa da Universidade de Bruxelas Direitos de autor  AP Photo
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De Stefania De Michele & Euronews
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Das lutas pelo aborto e pelos direitos das mulheres ao compromisso com a Europa e os direitos humanos: o percurso político de Emma Bonino.

Emma Bonino morreu aos 78 anos. A líder do +Europa, histórica dirigente do Partido Radical e por várias vezes ministra do governo italiano, morreu após o agravamento do seu estado de saúde que, nas últimas semanas, a tinha obrigado a vários internamentos.

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Bonino tinha sido internada nos últimos dias no hospital do Santo Spirito, em Roma, depois de uma crise respiratória. Chegada em estado grave, foi transferida para os cuidados intensivos para monitorizar o seu estado. Após uma primeira melhoria, a 10 de setembro deixou o serviço e foi transferida para uma estrutura privada. A situação, no entanto, permaneceu delicada.

A doença e os últimos internamentos

Em 2015, Bonino revelou que tinha um tumor no pulmão esquerdo. Submeteu-se durante anos aos tratamentos, mantendo ao mesmo tempo uma intensa atividade política. Em 2023 anunciou ter superado a doença.

Nos anos seguintes surgiram, porém, novos problemas de saúde. No outono de 2024 foi internada em Roma por problemas respiratórios e, em novembro de 2025, sofreu outro episódio grave que exigiu o internamento em cuidados intensivos. Nessa ocasião, os médicos afastaram uma recidiva do tumor e identificaram uma causa de natureza metabólica.

Uma vida nas lutas radicais

Durante mais de meio século, Emma Bonino foi uma das figuras mais reconhecíveis do radicalismo italiano. Do aborto à contraceção, da liberalização das drogas à luta contra a pena de morte, associou o seu nome a muitas das principais batalhas pelos direitos civis.

Nascida em Bra, na província de Cuneo, em 1948, entrou muito jovem no Partido Radical e, em 1976, foi eleita para a Câmara dos Deputados. Antes mesmo de chegar ao Parlamento, fundara, em 1975, o Centro de Informação sobre Esterilização e Aborto (CISA), empenhando-se em tornar possível em Itália um aborto seguro e acessível.

A sua militância leva-a também a expor-se pessoalmente: deixa-se deter para chamar a atenção para as condições das mulheres que recorriam ao aborto clandestino. É uma das campanhas que contribuem para fazer de Bonino uma das figuras de referência do movimento feminista italiano.

De Itália à Europa

Em 1979, chega ao Parlamento Europeu. A partir de Bruxelas, leva por diante sobretudo as lutas pelos direitos humanos nos países da Europa de Leste e contra os regimes autoritários.

No final da década de 1980 apoia o movimento Solidarność na Polónia e é detida e expulsa do país. Nos anos seguintes é também detida em Nova Iorque, durante uma campanha de distribuição de seringas estéreis, e no Afeganistão, onde é detida pelos talibãs depois de fotografar algumas mulheres.

Entretanto, a sua atividade alarga-se aos grandes dossiers internacionais: os crimes de guerra na ex-Jugoslávia e no Ruanda, a luta contra a pena de morte e a construção de uma justiça penal internacional. Está entre as defensoras da criação de um Tribunal Penal Internacional, instituído em 2002.

A fase europeia e as escolhas controversas

De 1994 a 1999, Bonino foi comissária europeia, com pelouros da ajuda humanitária, das pescas e da política de consumidores. Nesses anos, acompanha de perto a crise nos Balcãs e denuncia as responsabilidades e as consequências das violências na Bósnia.

O apoio que deu à intervenção militar ocidental nos Balcãs é uma das opções mais controversas da sua carreira e leva-a a entrar em conflito com uma parte do movimento pacifista.

Nas décadas de 1990 e 2000 continua a dedicar-se aos direitos das mulheres. Apoia campanhas contra as mutilações genitais femininas e pela proteção das mulheres no Afeganistão e empenha-se no reconhecimento dos direitos das mulheres africanas.

Ministra e protagonista da política italiana

Bonino regressou ao governo italiano em 2006, como ministra do Comércio Internacional e das Políticas Europeias, no segundo executivo Prodi. Em 2013 foi ministra dos Negócios Estrangeiros no governo liderado por Enrico Letta.

Ao longo da carreira, foi eleita sete vezes para a Câmara e duas para o Senado. A experiência parlamentar atravessa diferentes campos políticos, embora o seu percurso permaneça sobretudo ligado à área liberal e europeísta.

Em 2017, foi uma das protagonistas da criação do +Europa, formação política europeísta e liberal, que se torna partido em 2019. Mesmo nos últimos anos continuou a intervir no debate público sobre os direitos, sobre a Europa e sobre a política internacional.

Uma voz radical ao longo de meio século

Com a morte de Emma Bonino desaparece uma das figuras que mais marcaram a política italiana da segunda metade do século XX e dos primeiros decénios do século XXI.

Ao lado de Marco Pannella, com quem partilhou décadas de lutas radicais, Bonino levou para as ruas e para as instituições temas que, muitas vezes, quando os defendia, ainda estavam nas margens do debate político.

Uma presença que se tornou, com o tempo, parte da história italiana: combativa, divisiva para alguns, mas dificilmente indiferente. Das lutas pelo aborto à pena de morte, do Afeganistão aos Balcãs, até ao empenho europeísta, Emma Bonino construiu uma carreira política em torno de uma convicção que permaneceu constante: os direitos, para o serem de facto, têm de poder ser defendidos mesmo quando isso é incómodo.

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