A discussão eclodiu depois de a professora ter pedido à criança de 9 anos para não "se armar em esperto". O pai foi imediatamente detido e agora condenado a seis meses de prisão.
Um homem foi condenado na quinta-feira a seis meses de prisão efetiva, com detenção imediata, pelo tribunal correcional de Toulouse, depois de ter ameaçado "cortar a cabeça” a uma professora da escola do filho.
Os factos remontam a 4 de setembro, três dias após o início do ano letivo. Convocado pela direção da escola onde do filho de nove anos, em Le Fauga, uma localidade perto de Toulouse, o pai de três crianças confrontou uma professora no parque de estacionamento do estabelecimento.
O filho acabara de ser mudado de turma devido ao seu comportamento. Ao vê-lo sorrir à saída das aulas, a professora tinha-o convidado a não “se armar em esperto”, observação que o pai não aceitou.
A altercação continuou depois no interior da escola, onde o pai reiterou as ameaças, nomeadamente perante a diretora.
Palavras de “grande violência”
Durante audiência no tribunal, o arguido apresentou desculpas, afirmando não ter “medido a gravidade” das suas palavras.
Descrevendo-se como “muito protetor” dos filhos, garantiu não ser uma pessoa violenta e disse não saber o que lhe aconteceu naquele dia.
O presidente do tribunal, Fabrice Rives, denunciou “declarações extremamente preocupantes” e de “grande violência”, fazendo referência explícita ao assassínio de Samuel Paty.
A procuradora da República, Marie Caumont, tinha requerido seis meses de prisão com pulseira eletrónica. Pediu igualmente uma ação de sensibilização para a cidadania, assim como a proibição, durante três anos, de contactar a professora ou de se aproximar da escola.
O tribunal foi mais longe ao decretar seis meses de prisão efetiva, com detenção imediata, mantendo as penas acessórias requeridas pelo Ministério Público.
A advogada de defesa, Me Majouba Saihi, reconheceu “factos graves”, mas pediu que o seu cliente fosse julgado como “um pai de família”, sem atender à sua confissão muçulmana.
Professora “traumatizada”
Com 58 anos e experiente, a professora está atualmente de baixa médica. Encontra-se “traumatizada”, segundo o advogado do reitorado, Me Jocelyn Momasso-Momasso.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, indicou que lhe foi concedida a “proteção funcional”. Anunciou igualmente a aplicação de um decreto publicado este verão para proteger o pessoal da Educação Nacional face às ameaças e violências de pais de alunos.
Em vigor desde o fim de julho, o diploma permite impor a mudança de escola a um aluno quando um dos pais “compromete gravemente” o seu funcionamento ou “faz recair um risco claro sobre a segurança ou a saúde de um membro da comunidade educativa”.
Em audiência, o arguido referiu já ter aceitado mudar de escola dois dos três filhos que ali estavam inscritos.