Aterrou em Dublin o presidente dos EUA, Donald Trump, para reuniões de alto nível com o primeiro-ministro irlandês Micheál Martin e a presidente irlandesa Catherine Connolly, antiga figura da esquerda radical. Mas a verdadeira razão da viagem é o golfe.
O presidente norte-americano chegou à Irlanda este sábado de manhã e já está a fazer ondas e a ameaçar uma crise diplomática com o Reino Unido ao dizer, na reunião a dois com o primeiro-ministro Micheál Martin, que "adoraria ver a Irlanda unificada", referindo-se à República da Irlanda e à Irlanda do Norte, que se mantém como um dos países constituintes do Reino Unido. Trump esteve também com a Presidente Catherine Connolly.
Antes desta gafe, Trump tinha já ameaçado abanar as relações com Londres, ao dizer que "poderia rever a posição dos Estados Unidos face às Malvinas", no seguimento da nova reivindicação do território feita pelo presidente argentino Javier Milei, seu aliado próximo. A este propósito, Trump disse que o Reino Unido "é hoje um país muito diferente" do que era em 1982, quando Margareth Thatcher ordenou a intervenção militar que fez recuar a invasão argentina das ilhas controladas pelo Reino Unido desde há vários séculos.
A visita de Trump à Irlanda coincide com a presença do presidente norte-americano no torneio de golfe Irish Open, que decorre no seu clube, o Trump International Golf Links and Hotel Doonbeg, no condado de Clare.
Trump deverá passar a maior parte das 48 horas da visita à Irlanda no seu clube de golfe, onde estão presentes jogadores de topo mundial, incluindo o norte-irlandês Rory McIlroy. Prevê-se que permaneça até à noite de domingo, altura em que deverá entregar o troféu ao vencedor do torneio.
Na reunião com Martin, foram abordados temas como as relações comerciais entre a UE e os EUA, o apoio à Ucrânia, o conflito com o Irão ou a situação em curso na Palestina. A Irlanda foi um dos 12 países que emitiram uma declaração a apoiar sanções contra os colonatos israelitas na Cisjordânia. Dublin esperava uma reação dura da Casa Branca pelo facto de visar um aliado chave, Israel, mas Washington ainda não respondeu.
O presidente deverá ainda instar a Irlanda a comprar gás natural liquefeito dos Estados Unidos (GNL), no âmbito das negociações comerciais em curso e numa altura de subida acentuada dos preços do gás e do petróleo devido à guerra com o Irão.
“A relação entre a Irlanda e os Estados Unidos é muito importante do ponto de vista económico”, afirmou Martin aos jornalistas, quando questionado sobre a visita de Trump. “É muito, muito significativa para ambos os lados”, acrescentou.
Já o encontro entre a chefe de Estado irlandesa e Trump está a provocar alguma inquietação nos círculos governamentais. Na última vez que Trump visitou a Irlanda, em 2019, Catherine Connolly era deputada e manifestou-se contra a visita de Trump à ilha.
Connolly é uma antiga ativista anti-guerra e, antes de ser eleita presidente da Irlanda, em 2025, foi muito crítica do primeiro mandato de Trump como presidente, chegando a descrevê-lo como “um agressor e um misógino”. A irmã, Margaret Connolly, foi detida pelas forças militares israelitas em maio de 2026, depois de estas terem intercetado um barco de ajuda humanitária com destino a Gaza.
Juntamente com vários outros políticos europeus e israelitas, o primeiro-ministro Micheál Martin condenou a interceção como “inaceitável”.
À espera de Trump está uma manifestação liderada pela atriz norte-americana Rosie O'Donnell, que se mudou para a Irlanda depois de Trump ter ganho um segundo mandato. "Ele é como um rei louco que destruiu o país”, disse a atriz ao jornal Irish Independent.