Quatro astronautas dos Estados Unidos e do Canadá preparam-se em breve para descolar na missão Artemis II, que irá orbitar a Lua.
A missão Artemis II tem descolagem prevista, o mais cedo, para 1 de abril, segundo a agência espacial norte-americana NASA.
Vai enviar quatro astronautas numa viagem de cerca de 10 dias em redor da Lua para testar a nave Orion, que deverá aterrar na Lua em futuras missões.
Os astronautas que participam nesta missão não irão aterrar na Lua desta vez, mas o voo levar-los-á milhares de quilómetros mais longe no espaço do que os astronautas das missões Apollo que fizeram as primeiras alunagens nas décadas de 1960 e 1970.
“Estamos muito, muito perto do lançamento e estamos prontos”, afirmou Lori Glaze, administradora associada interina da Direção de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA, em conferência de imprensa no fim de semana. “Todas as nossas operações têm decorrido sem problemas, tudo tem corrido muito bem.”
Quatro astronautas dos Estados Unidos e do Canadá compõem a equipa da missão Artemis. Antes do lançamento, estão a rever procedimentos de emergência e a passar tempo com as famílias no Centro Espacial Kennedy, na Florida.
Mantêm-se igualmente em quarentena para garantirem que se mantêm saudáveis antes da descolagem, que poderá ocorrer em qualquer dia entre 1 e 6 de abril.
Estes são os participantes na missão Artemis II.
Comandante Reid Wiseman
Reid Wiseman, capitão reformado da Marinha, era chefe do corpo de astronautas da NASA há três anos, quando lhe pediram que liderasse a tripulação.
Wiseman já passara mais de cinco meses na Estação Espacial Internacional (ISS), em 2014, como membro da Expedição 40. Mas as filhas adolescentes não mostraram “qualquer interesse” em voltar a vê-lo partir.
“Falámos sobre isso e eu disse: ‘Reparem, de todas as pessoas no planeta Terra neste momento, há quatro que estão em posição de ir voar em redor da Lua’”, afirmou. “Não posso dizer não a essa oportunidade.”
A parte mais difícil não é deixar a família, mas sim “o stress que lhes estou a causar”, disse. Wiseman é pai solteiro desde 2020, quando a mulher, Carroll, morreu de cancro.
Wiseman foi selecionado para a NASA em 2009, como um de nove candidatos a iniciar o treino de astronauta após a carreira militar. Na altura, era capitão-tenente na Marinha dos Estados Unidos.
Conta muitas vezes que quis ser astronauta desde que, em criança, assistiu ao vivo a um lançamento do vaivém espacial.
Piloto Victor Glover
Antes de qualquer lançamento, Victor Glover faz questão de ouvir duas músicas: “Whitey on the Moon”, de Gil Scott-Heron, e “Make Me Wanna Holler”, de Marvin Gaye, ambas da era Apollo, dominada por brancos.
Para Glover, são temas dessa era da exploração espacial norte-americana, dominada por brancos, que “captam o que fizemos bem e o que fizemos mal”.
Glover, um dos poucos astronautas negros da NASA, afirma que vê o seu papel na missão como “uma força para o bem” e uma oportunidade para inspirar outros a ir para o espaço.
Em 2018, Glover foi designado para voar no primeiro voo operacional da cápsula Crew Dragon, da SpaceX, até à Estação Espacial Internacional, onde permaneceu mais de seis meses. Foi o primeiro afro-americano a viver a bordo da ISS, noticiaram então os media locais na altura (fonte em inglês).
Na carreira anterior como piloto de caça no Exército dos Estados Unidos, acumulou mais de 3000 horas de voo em 40 tipos diferentes de aeronaves e participou em 24 missões de combate.
Antes desta missão, contou ter passado mais tempo a preparar as quatro filhas para o lançamento do que a preparar-se a si próprio.
Especialista de missão Christina Koch
Christina Koch, engenheira eletrotécnica de 47 anos, natural da Carolina do Norte, detém o recorde do voo espacial contínuo mais longo realizado por uma mulher, com 328 dias.
Nessa missão, que a levou à Estação Espacial Internacional em 14 de março de 2019, Koch participou também na primeira caminhada espacial composta apenas por mulheres. Ela e Jessica Meir saíram da ISS para realizarem uma longa série de melhorias nos sistemas de energia da estação e em observatórios de física.
A missão de 328 dias de Koch está a ser usada para estudar os efeitos físicos, biológicos e psicológicos das viagens espaciais de longa duração nas mulheres, segundo a agência Reuters (fonte em inglês).
Mais do que sobre qualquer pessoa em particular, a missão Artemis II “serve para celebrar o facto de termos chegado a este momento da história” em que as mulheres podem voar até à Lua, afirmou.
Koch passou um ano numa estação de investigação no Polo Sul antes de receber o convite da NASA. Entre essa experiência e a temporada no espaço, sente que já “inoculou” a maior parte da família e dos amigos.
“Até agora, não tenho sentido muitas preocupações por parte das pessoas. Talvez da minha cadela, mas garanti-lhe que são apenas 10 dias. Não vai ser tão longo como da última vez.”
Piloto de caça canadiano Jeremy Hansen
Jeremy Hansen, piloto de caça e físico canadiano, prepara-se para a estreia no espaço.
Será também o primeiro canadiano a viajar até à Lua.
“Talvez seja ingénuo, mas não sinto muita pressão pessoal”, disse Hansen à Associated Press.
Hansen, de 50 anos, cresceu numa quinta no Canadá rural antes de entrar para a Real Força Aérea Canadiana como capitão. Pilotou aeronaves como o CF-18 a partir da base em Alberta. Já tinha sido promovido a coronel quando recebeu o convite da Agência Espacial Canadiana (CSA), em 2009.
Hansen participou também em missões subaquáticas da NASA, como “aquanauta”, no laboratório submarino Aquarius, em 2014. Viveu sete dias num ambiente debaixo de água para simular as condições no espaço e testar os sistemas de orientação remota da agência.
Só agora tem plena noção do esforço que foi necessário para enviar homens à Lua durante o programa Apollo.
“Quando saio e olho agora para a Lua, ela parece-me um pouco mais distante do que costumava parecer”, admitiu. “Percebo nos detalhes como tudo é muito mais difícil do que julgava, quando apenas via vídeos.”