Lucros recorde, trabalhadores descontentes: milhares de funcionários da Samsung ameaçam greve devido a bónus.
Milhares de trabalhadores da Samsung Electronics protestaram esta quinta-feira no seu complexo de chips na Coreia do Sul, exigindo bónus mais elevados e ameaçando fazer greve numa altura em que a empresa regista lucros recorde graças à inteligência artificial, que está a impulsionar a procura por chips de memória.
Empunhando cartazes e faixas, os trabalhadores concentraram-se no complexo fabril em Pyeongtaek, sob forte presença policial, gritando: “Tornem transparente a compensação e eliminem os limites máximos aos bónus!”
Representantes sindicais estimaram a participação em cerca de 40 000 membros, embora a polícia não tenha divulgado um número oficial.
O protesto teve lugar no mesmo dia em que o principal concorrente da Samsung, a SK Hynix, apresentou os melhores resultados trimestrais de sempre, com receitas e lucros operacionais recorde nos primeiros três meses do ano, que a empresa atribuiu ao forte aumento do investimento mundial em centros de dados e infraestruturas de IA, o que impulsionou a procura pelos seus chips de memória.
Juntamente com a SK Hynix, a Samsung produz cerca de dois terços dos chips de memória mundiais e previu, no início deste mês, que o lucro operacional do primeiro trimestre atingiria um recorde de 57,2 biliões de won (33 mil milhões de euros).
Representando cerca de 74 000 trabalhadores, o sindicato da Samsung afirma que a empresa não tem oferecido uma compensação adequada, apesar do seu bom desempenho. O sindicato rejeitou a proposta da administração de bónus em ações restritas e exige a eliminação dos tetos aos bónus.
Se as conversações com a administração fracassarem, o sindicato ameaça uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio, estimando que isso custaria à empresa mais de 1 bilião de won (578 milhões de euros) por dia.
“Não vamos parar esta luta até que as nossas reivindicações justas sejam atendidas”, afirmou Choi Seung-ho, dirigente sindical, através de um megafone, de cima de uma estrutura montada num guindaste.
Os fabricantes de semicondutores da Coreia do Sul têm beneficiado do boom da IA, mas a guerra no Médio Oriente ensombrou as perspetivas, ao perturbar o abastecimento de materiais essenciais, como o hélio, crucial para a produção de chips, e ao fazer subir os custos de energia.
Numa conferência telefónica esta quinta-feira, Woo Hyun Kim, diretor financeiro da SK Hynix, afirmou que a empresa está a acompanhar de perto o conflito, mas não espera um impacto significativo na produção.