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Europa reavalia contratos com a tecnológica de defesa norte-americana Palantir

ARQUIVO - Nesta foto de 23 de maio de 2018, Alexander Karp, cofundador e CEO da Palantir Technologies, sai após a cimeira 'Tech for Good' em Paris
ARQUIVO - Nesta foto de 23 de maio de 2018, Alexander Karp, cofundador e CEO da empresa de software Palantir Technologies, deixa a cimeira “Tech for Good”, em Paris Direitos de autor  AP Photo/Francois Mori
Direitos de autor AP Photo/Francois Mori
De Anna Desmarais
Publicado a Últimas notícias
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Críticos têm censurado a Palantir pelas ligações a exércitos envolvidos em conflitos ativos e à autoridade de imigração ICE nos Estados Unidos.

Governos europeus procuram reduzir a dependência da Palantir, a empresa norte-americana de análise de dados cujas plataformas servem de espinha dorsal de dados e inteligência artificial (IA) para forças armadas em todo o mundo.

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Derk Boswijk, secretário de Estado neerlandês da Defesa, disse na Câmara dos Representantes esta semana (fonte em inglês) que tem de existir uma “alternativa plenamente funcional” à Palantir no prazo de dois anos.

Boswijk afirmou que os Países Baixos utilizam a Palantir desde 2010 de forma “muito limitada, compartimentada e em pequena escala”, segundo a comunicação social local.

Ainda assim, disse que o governo está a trabalhar numa “estratégia de dois eixos para reduzir a dependência” da empresa, para poder operar de forma independente “o mais depressa possível”. Documentos entregues ao parlamento neerlandês indicam que o país procura uma alternativa europeia.

Boswijk respondia a uma pergunta da deputada neerlandesa Michelle Jagtenberg, que acusou a empresa de ter uma “ideologia racista e antidemocrática” e pediu ao governo que terminasse a relação com a Palantir. A intervenção surge na sequência de uma moção (fonte em inglês) aprovada em 2025 para tornar o governo mais independente da Palantir e encontrar soluções lideradas por europeus.

Os Países Baixos são o mais recente país europeu a querer afastar-se das tecnologias da Palantir nos seus contratos.

Um relatório recente do parlamento do Reino Unido afirma que os programas da empresa representam para o governo britânico um “ponto de vulnerabilidade inaceitável”. A Suíça rejeitou propostas da Palantir pelo menos nove vezes (fonte em inglês) por motivos de segurança e a Dinamarca procura igualmente alternativas locais ao software da Palantir.

Euronews Next analisa mais de perto que preocupações têm os governos europeus com esta tecnológica de defesa dos Estados Unidos e que contratos, se algum, estão a ser renegociados.

Porque é que a Palantir é controversa?

A Palantir afirma que trabalha com grandes quantidades de dados para criar “a melhor experiência de utilização do mundo para trabalhar com dados, que permite às pessoas colocar e responder a questões complexas”.

Um dos seus produtos, o software Gotham (fonte em inglês) de apoio à decisão para sistemas de armas, é descrito como uma ferramenta que apoia os soldados com uma “kill chain potenciada por IA” para identificar alvos.

A empresa e os seus responsáveis, o cofundador e presidente Peter Thiel e o diretor executivo Alex Karp, estão há algum tempo no centro de polémicas em ambos os lados do Atlântico.

Numa chamada com investidores (fonte em inglês), Karp disse que acredita que o software desenvolvido pela Palantir se destina a ser utilizado como arma letal.

“A Palantir existe para abalar… e, quando necessário, para assustar os nossos inimigos e, por vezes, para os matar”, afirmou, segundo a transcrição da conferência de resultados.

Karp terá dito aos investidores, noutra chamada (fonte em inglês), que tornar crimes de guerra constitucionais seria bom para o negócio, depois de os Estados Unidos terem atacado embarcações nas Caraíbas.

Críticos da Palantir, como a Amnistia Internacional (fonte em inglês), argumentam que a forma como a empresa trata estes grandes volumes de dados cria riscos em matéria de privacidade, transparência e revenda de dados de saúde, no âmbito do acordo celebrado com o governo britânico para a plataforma do Serviço Nacional de Saúde (NHS).

A Amnistia salientou que é problemático conceder “à Palantir um acesso sem precedentes aos registos de dados de saúde da população ao longo da pandemia, através de grandes contratos tecnológicos com o NHS”.

A tecnologia da Palantir terá sido (fonte em inglês) utilizada pelo Pentágono dos Estados Unidos para recolher informação classificada e usá-la na seleção de alvos em recentes ataques com mísseis contra objetivos iranianos.

A empresa assinou também um acordo (fonte em inglês) com as Forças de Defesa de Israel (IDF) em 2024 para “missões relacionadas com a guerra”, a fim de apoiar as suas operações militares em Gaza, e utiliza o seu software para localizar famílias migrantes nos Estados Unidos no âmbito das operações do Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro (ICE).

A Euronews Next contactou a Palantir para este artigo, mas não recebeu uma resposta imediata.

Que governos europeus têm contratos com a Palantir?

Vários governos europeus utilizam atualmente tecnologias da Palantir em partes do setor público, sobretudo na defesa, nas forças de segurança e nos serviços de informações, mas a dimensão da adoção varia significativamente de país para país.

O Reino Unido assinou um contrato com a Palantir como principal fornecedora do NHS, mas um relatório recente de uma comissão parlamentar (fonte em inglês) recomenda que esta relação termine em 2027, quando o contrato expirar, e que seja encontrado um fornecedor local.

A Palantir assinou ainda um contrato de três anos (fonte em inglês), no valor de 240 milhões de libras (276 milhões de euros), com o Ministério da Defesa britânico para fornecer (fonte em inglês) “apoio à tomada de decisões estratégicas, táticas e operacionais em tempo real em todos os níveis de classificação de informação de defesa, interoperável com a NATO e com outros sistemas Palantir de nações aliadas”.

Algumas forças policiais alemãs, na Baviera, em Hesse e na Renânia do Norte-Vestefália, utilizam uma versão limitada (fonte em inglês) do “Gotham” da Palantir para ajudar na investigação de ameaças graves, como atentados terroristas, segundo a imprensa local.

Ao nível federal, as Forças Armadas alemãs afirmaram que não irão contratar empresas norte-americanas, incluindo a Palantir, para estes contratos, segundo a Reuters.

“Por muito que nos interesse a funcionalidade para a nossa própria base de dados, é simplesmente inconcebível, neste momento, conceder ao pessoal da indústria acesso à base de dados nacional”, afirmou Thomas Daum, chefe da defesa cibernética da Alemanha, citado esta semana (fonte em inglês).

Em alternativa, o governo está a pré-selecionar soluções europeias, incluindo a empresa francesa ChapsVision (fonte em inglês), para responder às suas necessidades de software.

A Dinamarca assinou anteriormente um contrato de sete anos com a Palantir para as plataformas de vigilância e análise de dados Maven Smart System e Foundry. No entanto, anunciou recentemente (fonte em inglês) que passará a procurar soluções locais para substituir o software da Palantir.

Depois de o governo espanhol ter assinado, em 2023, um contrato de 16,5 milhões de euros com a Palantir, mais de 40 entidades utilizam o software da empresa, segundo a imprensa local (fonte em inglês). Até agora, quase não houve contestação pública de grande escala, em Espanha, à utilização da empresa em contratos públicos.

A Euronews Next contactou estes governos para perceber se estão a reconsiderar alguns dos seus contratos de defesa com o gigante norte-americano do sector, mas não obteve resposta imediata.

Continua a haver interesse por parte de empresas privadas europeias em utilizar soluções da Palantir: mais de uma centena de grandes bancos, gestoras de ativos e fundos de pensões europeus aumentaram o investimento na empresa no último ano, segundo uma investigação da Follow the Money (fonte em inglês).

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