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Banidas mas pagas: contas de desinformação continuam a lucrar no Facebook

FICHEIRO - Nesta foto de arquivo de 16 de maio de 2012, o logótipo do Facebook é exibido num iPad em Filadélfia
ARQUIVO - Nesta foto de arquivo de 16 de maio de 2012, o logótipo do Facebook é mostrado num iPad em Filadélfia Direitos de autor  AP Photo/Matt Rourke, File
Direitos de autor AP Photo/Matt Rourke, File
De Anna Desmarais
Publicado a
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Um novo estudo revela que páginas do Facebook sinalizadas mais de dez vezes por conteúdo falso por verificadores de factos continuam a lucrar com o conteúdo, mesmo após suspensão.

Agentes de desinformação continuam a ganhar dinheiro no Facebook mesmo depois de violarem as regras da plataforma, indica um novo estudo.

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A What to Fix, organização sem fins lucrativos dedicada a políticas tecnológicas, e a Raskrinkavanje, organização bósnia de verificação de factos, analisaram (fonte em inglês)mais de 290 páginas de Facebook na Bósnia que foram assinaladas por difundirem conteúdos falsos em mais de 10 ocasiões por um dos parceiros de verificação da Meta.

Cinquenta e uma das contas assinaladas pelos verificadores de factos por promoverem desinformação pelo menos dez vezes “têm um historial de participação em, pelo menos, um programa de monetização do Facebook”, afirmou a Raskrinkavanje na sua análise.

Entre essas contas, uma em cada três conseguiu inscrever‑se em mais do que um canal de monetização antes de 2024, ano em que a Meta agregou as várias fontes de receita num único programa apenas por convite.

Outras nove contas foram convidadas pela Meta a aderir a esse programa (fonte em inglês), que paga em função do desempenho dos conteúdos publicados.

“As nossas conclusões levantam questões importantes sobre a capacidade da Meta para cumprir o compromisso de desmonetizar os infractores reincidentes em matéria de desinformação”, conclui o estudo.

A Meta, empresa‑mãe do Facebook, enfrenta há muito críticas nos Estados Unidos e na Europa por não conseguir travar a propagação de desinformação nas suas plataformas.

Depois de surgirem preocupações com a integridade da informação durante as eleições norte‑americanas de 2016, a Meta começou a trabalhar com verificadores de factos independentes para verificar conteúdos. No ano passado, começou a reduzir estas capacidades em alguns mercados, substituindo‑as pelas Community Notes, em que os utilizadores podem acrescentar notas para esclarecer ou sinalizar publicações potencialmente enganosas.

A actual política da empresa (fonte em inglês) não permite a monetização de qualquer conteúdo que os verificadores de factos independentes que trabalham com a Meta classifiquem como “falso”, nem de conteúdos do tipo clickbait, indica o relatório.

Conteúdo “falso” é tudo o que “não tem qualquer base factual”, incluindo (fonte em inglês) conteúdos com citações falsas, alegações impossíveis, teorias da conspiração, material fabricado ou imagens reais usadas como “prova de um acontecimento sem relação”, explicou a empresa.

No entanto, o relatório assinala que a Meta não especifica que limiares utiliza para aplicar restrições a infractores reincidentes.

Algumas das contas avaliadas acabaram por ser desmonetizadas ou suspensas por violarem as regras da plataforma, mas o estudo concluiu que 84 % conseguiram recuperar o acesso à monetização.

Mais de 50 % das contas alvo de restrições voltaram a estar activas ao fim de um mês e, nalguns casos, a suspensão durou apenas dois dias.

“Isto sugere que a Meta poderá ter permitido que actores sujeitos a restrições continuassem a monetizar conteúdos no Facebook, apesar de os ter identificado correctamente como infractores repetidos das suas políticas de monetização”, conclui o relatório.

A Euronews Next contactou a Meta para obter um comentário, mas não obteve resposta imediata.

A What To Fix afirmou que o estudo é limitado porque a Meta não mantém disponível informação sobre a monetização das contas na plataforma.

Em vez disso, as organizações de verificação de factos dispõem apenas de uma base de dados contínua de divulgações públicas, que permite identificar quando as contas foram monetizadas, e de um arquivo interno das verificações efectuadas.

É também possível que, devido ao âmbito limitado do estudo, a Meta tenha trabalhado com outros verificadores de factos para remover outras contas e noutros mercados.

Ainda assim, os autores do estudo apelaram à União Europeia para que averigue se a Meta está a cumprir as regras do bloco ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais (DSA) e as suas obrigações ao abrigo do Código de Conduta sobre a Desinformação, que inclui o compromisso de “desmonetizar a desinformação”.

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