Loader
Encontra-nos
Publicidade

Astronauta Luca Parmitano prepara regresso da humanidade à Lua

Luca Parmitano, da tripulação da Artemis III, agradece aos filhos em conferência de imprensa no Johnson Space Center, em Houston, 9 de junho de 2026 (Foto AP/Annie Mulligan)
Luca Parmitano, da tripulação da Artemis III, agradece aos filhos em conferência de imprensa no Johnson Space Center, em Houston, a 9 de junho de 2026 (AP Photo/Annie Mulligan) Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Alice Carnevali
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

A NASA apresentou a missão Artemis III, novo passo rumo a uma alunagem, como uma das operações mais complexas da agência. Luca Parmitano explica porquê e como se está a preparar.

Em abril de 2026 ficou concluída a Artemis II, a segunda missão do programa da NASA para levar novamente seres humanos à Lua.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A missão foi complexa: exigiu um lançamento bem-sucedido com o Space Launch System (SLS), um dos foguetões mais poderosos alguma vez construídos, e levou quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer ser humano tinha ido até agora.

Mas o passo seguinte do programa lunar da NASA, a Artemis III, é igualmente crucial. Segundo Jeremy Parsons (fonte em inglês), gestor do programa Artemis, pode ser facilmente considerada “uma das missões mais complexas e ambiciosas que a NASA alguma vez realizou”.

Mas o que torna a Artemis III tão exigente e como se estão a preparar os astronautas?

A Euronews falou com Luca Parmitano, astronauta da ESA escolhido como piloto desta missão e único europeu na tripulação.

Artemis III marca salto tecnológico e humano

Com lançamento previsto para a segunda metade de 2027, a Artemis III vai enviar uma tripulação de quatro astronautas para a órbita baixa da Terra a bordo da nave Orion, lançada pelo SLS. A tripulação irá depois realizar manobras de rendezvous e acoplamento com dois módulos lunares.

O rendezvous consiste em aproximar duas naves espaciais, enquanto o acoplamento é a junção física desses dois veículos.

Segundo Parmitano, a Artemis III é exigente tanto do ponto de vista tecnológico como humano.

“Temos três lançamentos que têm de acontecer com pouco intervalo e a partir de veículos espaciais muito diferentes”, disse ao programa “12 Minutes With”.

Pela forma como estas três naves têm de funcionar em conjunto, Parsons descreve a missão como uma ‘dança altamente coreografada (fonte em inglês)’, com lançamentos realizados por três dos foguetões mais poderosos do mundo.

O módulo lunar da Blue Origin, de Jeff Bezos, será o primeiro a descolar, seguido da nave Orion da NASA e do módulo lunar da SpaceX, de Elon Musk.

Esta sequência é tanto técnica como estratégica. A Blue Origin, explicou Parmitano, é o único veículo capaz de permanecer em órbita cerca de 30 dias, enquanto a nave Orion tem um limite de 21 dias de recursos.

As duas empresas comerciais vão voar versões de teste dos seus módulos lunares e, no caso da Blue Origin, dois membros da tripulação da Orion irão abrir a escotilha e entrar no módulo. “São aspetos tecnológicos realmente complexos”, comentou Parmitano em “12 Minutes With”.

As manobras de rendezvous e acoplamento serão simultaneamente manuais e automáticas, exigindo enorme concentração e treino da tripulação. “Vamos sempre acompanhar de perto a aproximação automática, porque é algo que ainda não foi testado”, explicou Parmitano.

Para além dos desafios técnicos, os astronautas terão também de se adaptar a condições humanas complicadas.

O espaço habitável da Orion é de apenas cerca de 8 metros cúbicos e o ambiente foi concebido para condições de espaço profundo, não para a órbita baixa da Terra. “Está a acontecer muita coisa, há muito treino e muita reflexão sobre como vai ser a missão”, sublinhou Parmitano.

Os membros da tripulação da Artemis III Randy Bresnik, Luca Parmitano, Frank Rubio e Andre Douglas posam durante uma conferência de imprensa no Johnson Space Center, em Houston, a 9 de junho de 2026.
Os membros da tripulação da Artemis III Randy Bresnik, Luca Parmitano, Frank Rubio e Andre Douglas posam durante uma conferência de imprensa no Johnson Space Center, em Houston, a 9 de junho de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.

Astronautas preparam-se para a Artemis III

Três astronautas da NASA juntam-se a Luca Parmitano na Artemis III: Randy Bresnik, Frank Rubio e Andre Douglas.

A tripulação tem aproximadamente um ano e meio para se preparar para a missão, um período reduzido face ao calendário de treino da equipa da Artemis II, que se prolongou por cerca de três anos.

Por isso, a agenda de Parmitano já está extremamente preenchida. Há duas semanas, a tripulação esteve em Pax River, na United States Naval Test Pilot School, no Maryland, para treinar competências de pilotagem e de engenharia. “Voámos até lá com duas aeronaves, apenas para relembrar algumas das técnicas”, contou Parmitano em “12 Minutes With”.

Na semana passada, os astronautas começaram também a treinar com simulações. “A primeira, na maquete, foi com o fato espacial completo, para nos familiarizarmos com os fatos”, explicou Parmitano. “E depois o Andre e eu estivemos numa simulação de seis horas a lidar com várias avarias diferentes”, acrescentou.

Estas simulações vão continuar durante o resto do verão e, no outono, a tripulação começará a treinar com os sistemas de aterragem, adiantou Parmitano.

O calendário poderá, no entanto, sofrer alterações, já que especialistas consideram ambiciosa a previsão de prazos da NASA.

Em maio, o foguetão New Glenn da Blue Origin, concebido para levar para a órbita o módulo lunar da empresa, explodiu durante um teste, danificando a plataforma de lançamento. Muitos viram o incidente como um grande revés para a Artemis III, mas o administrador da NASA, Jared Isaacman, tem repetido desde então que a missão está dentro do calendário.

Apesar dos desafios, Parmitano está entusiasmado por voltar à órbita e disse em “12 Minutes With” que não vai deixar nada por fazer. “Quando se parte para uma missão destas, quando se tem esse privilégio, deixa-se tudo em terra, sabendo que se vai estar lá, e sobe-se a pensar em tudo o que se pode retirar de viver em órbita”, afirmou.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

China: novo Qwen da Alibaba rivaliza capacidades autónomas de Claude

Espanha observa primeiro eclipse solar total em mais de um século

Astronauta Luca Parmitano prepara regresso da humanidade à Lua