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IA não conquista confiança pública; criadores ainda menos

ARQUIVO – Logótipo da OpenAI num telemóvel em frente a um ecrã que mostra parte do site da empresa, numa foto tirada em 21 de novembro de 2023, em Nova Iorque
ARQUIVO - O logótipo da OpenAI aparece num telemóvel em frente de um ecrã com parte do site da empresa, numa foto tirada em 21 de novembro de 2023, em Nova Iorque Direitos de autor  Copyright 2023 The Associated Press. All rights reserved.
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De Indrabati Lahiri
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Sondagens em ambos os lados do Atlântico revelam um público mais cauteloso do que fascinado com a IA, estendendo a desconfiança aos executivos que a promovem.

Apesar dos rápidos avanços tecnológicos, a IA ainda não convenceu as pessoas.

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Um novo estudo do Pew Research mostra que 52% dos norte-americanos estão hoje mais preocupados do que entusiasmados com a crescente presença da tecnologia no dia a dia, uma subida acentuada face aos 37% registados em 2021. Apenas 9% se dizem mais entusiasmados do que preocupados e os restantes 37% dividem-se de forma equilibrada entre as duas posições.

O desconforto é ainda mais visível entre as gerações mais novas. Pela primeira vez desde que o Pew começou a acompanhar esta questão, 55% dos adultos com menos de 30 anos dizem agora estar mais preocupados do que entusiasmados com a IA, passando a constituir uma maioria.

Esta crescente desconfiança vai além da própria tecnologia e atinge também quem a desenvolve.

Uma sondagem da CNBC Generation Lab perguntou a 1 088 inquiridos se confiavam em nove dos líderes mais proeminentes do sector para agirem de forma responsável e concluiu que a maioria desconfiava de todos eles.

O presidente executivo da Microsoft, Satya Nadella, foi o que se saiu relativamente melhor, embora 65% tenham dito, ainda assim, não confiar nele.

O presidente executivo da Palantir, Alex Karp, foi o pior avaliado, com 81% a dizerem não confiar nele. Dario Amodei, da Anthropic, e Sundar Pichai, da Alphabet, ficaram pouco atrás, ambos rejeitados por cerca de 75% dos inquiridos. Apenas 36% consideraram que deveria caber a um organismo independente de peritos definir as regras para a IA.

Europa: mais europeus receiam perder o emprego para a IA

As mesmas preocupações estão a surgir do outro lado do Atlântico.

Um estudo da EY, realizado em 2025, concluiu que 42% dos trabalhadores europeus receiam que a IA possa pôr em risco o seu emprego, enquanto um inquérito mais abrangente do Verian Group para a Comissão Europeia revelou que 66% do público em geral acredita que a IA acabará por destruir mais empregos do que aqueles que cria.

Ainda assim, o retrato não é totalmente negativo: metade dos europeus inquiridos pela Verian concordou que a IA pode ajudar a enfrentar grandes desafios globais, desde doenças graves às alterações climáticas.

As opiniões sobre o impacto mais amplo da tecnologia estavam igualmente divididas: 55% dos cidadãos da UE esperavam que a IA viesse a transformar de forma positiva o quotidiano nos próximos 20 anos, contra 35% que antecipavam o contrário.

Os europeus apoiam também, de forma esmagadora, uma supervisão mais apertada: 84% concordam que a IA e os robôs precisam de ser cuidadosamente regulados, sobretudo para proteger a privacidade e garantir a transparência.

Ao mesmo tempo, a maioria continua a ver com bons olhos a presença da IA nos locais de trabalho: 62% encaram-na favoravelmente, contra 32% que não.

Esta cautela pode resultar em parte de uma lacuna de conhecimento. Mais de 60% dos europeus dizem não se sentir informados sobre os riscos potenciais da utilização de IA na investigação científica.

Em conjunto, os dados sugerem que os europeus estão algo mais abertos à IA do que os norte-americanos, mas também mais inclinados a exigir regulamentação e mecanismos de segurança.

Já nos Estados Unidos, a expansão da IA depara-se com outro tipo de resistência. Os planos para construir novos centros de dados de IA em todo o país enfrentam uma forte oposição pública, mesmo onde os promotores oferecem incentivos como garantias de emprego.

Grande parte dessa contestação resulta de um simples desencontro: muitos consumidores não veem um benefício pessoal claro na infraestrutura que está a ser construída à sua volta.

Durante muito tempo, a IA foi algo mais limitado e útil, uma ferramenta de pesquisa, um chatbot.

Agora, surge em todo o lado: em televisores, plataformas de vídeo, correio eletrónico, música, trabalhos escolares e muito mais.

E, para muitas pessoas, a experiência dessa expansão tem sido sobretudo negativa, seja por verem alunos a recorrer à IA para fazer batota, seja por verem o trabalho de artistas a ser incorporado em dados de treino sem consentimento.

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