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Mudança da hora na primavera: mais luz, menos sono e efeitos na saúde

ARQUIVO: Walter Rodriguez, funcionário da Electric Time Co., limpa o mostrador de um relógio Wegman de 84 polegadas
Arquivo: funcionário da Electric Time Co. Walter Rodriguez limpa o mostrador de um relógio Wegman de 84 polegadas Direitos de autor  Copyright 2008 AP. All rights reserved.
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De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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Com a mudança da hora na Europa este domingo, especialistas de saúde alertam que até um adiantamento de 60 minutos perturba os ritmos circadianos.

Este domingo, 29 de março, os relógios adiantam uma hora. A maioria das pessoas vai dormir menos uma hora e, nos dias seguintes, as tardes começam aos poucos a ficar mais longas.

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A mudança da hora acontece duas vezes por ano e, apesar de várias tentativas para a abolir, todos os anos, com a chegada da primavera, o relógio salta uma hora.

A alteração sazonal da hora foi introduzida para poupar energia durante a Primeira Guerra Mundial e voltou a ser aplicada em muitos países na década de 1970.

Atualmente, porém, os investigadores alertam para os impactos na saúde, sobretudo da mudança de primavera.

Como é que a mudança da hora afeta o organismo?

Embora uma diferença de apenas uma hora possa parecer pouco importante, especialistas em saúde e vários estudos mostram que o impacto é maior do que se pensa.

Mesmo uma alteração de uma hora perturba o ritmo circadiano, o relógio interno de 24 horas que regula o sono, o estado de alerta, a produção de hormonas e o humor.

“A maioria das pessoas consegue ajustar-se e adaptar-se no espaço de uma semana, mas sabemos também que há quem tenha dificuldade em acertar o relógio interno e possa demorar semanas, se não meses, até o relógio biológico se adaptar a uma simples alteração de uma hora”, explicou à Euronews Health Jeffrey Kelu, investigador de pós-doutoramento em ritmos circadianos no King's College London.

Segundo o investigador, o relógio interno de cada pessoa é determinado pela genética e é preciso mais investigação para compreender porque é que algumas pessoas têm mais dificuldade em adaptar-se do que outras.

A mudança de hora na primavera, além de afetar o sono, tem sido associada a aumentos pontuais de acidentes de viação (fonte em inglês), enfartes (fonte em inglês) e episódios depressivos. (fonte em inglês)

Mais luz ao fim do dia

Muitas pessoas recebem bem a mudança de hora na primavera, já que as horas de luz estendem-se mais pela tarde.

No entanto, Kelu alerta que estar exposto à luz até tarde impede o organismo de reconhecer que é altura de abrandar e se preparar para dormir.

“A luz é um fator que suprime a libertação de melatonina, por isso atrasa o início do sono e pode dificultar adormecer”, assinalou Kelu.

A melatonina é uma hormona libertada pela glândula pineal quando o corpo começa a preparar-se para dormir. O organismo produz mais melatonina na escuridão e reduz a produção quando é exposto à luz.

De acordo com Kelu, escurecer totalmente o quarto antes de dormir, bloqueando a luz exterior, pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, já que o corpo recebe o sinal de que o dia terminou.

Porque são tão importantes os ritmos circadianos?

Quando os ritmos circadianos são robustos, o relógio biológico alinha-se bem com o dia de 24 horas e envia sinais claros para funções corporais essenciais.

As pessoas com ritmos mais fortes tendem a manter horários regulares de sono e de atividade diária, mesmo quando o seu horário ou as estações do ano mudam.

As perturbações do relógio biológico – seja devido a hábitos irregulares de sono ou de alimentação, jet lag, trabalho por turnos ou exposição à luz durante a noite – têm sido associadas a vários problemas de saúde, incluindo maior risco de obesidade, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e hipertensão.

Um estudo recente encontrou também uma ligação entre ritmos circadianos fracos e demência.

Se deixarmos de mudar a hora, qual é a melhor opção?

Há muitos anos que existem iniciativas para acabar com as mudanças de hora na Europa.

Em 2018, a Comissão Europeia propôs o fim definitivo das alterações sazonais da hora, na sequência de uma consulta pública em que 84 por cento dos 4,5 milhões de participantes defenderam a sua abolição.

Chipre e Grécia foram os únicos países onde uma pequena maioria foi a favor de manter o sistema atual.

Os Estados-membros da União Europeia nunca chegaram a uma posição comum e a proposta ficou bloqueada no Conselho.

Mas, se a mudança da hora fosse abolida, qual deveria ser a hora de referência?

“Nós [os cientistas] defendemos na verdade que se mantenha a hora padrão, a hora de inverno”, afirmou Kelu.

Se a hora de verão se tornasse permanente, a maioria das pessoas passaria grande parte do ano sem ver luz natural de manhã, antes de ir para o trabalho ou para a escola.

“A luz da manhã é crucial”, sublinhou. “Ficamos fechados no escritório e mantemo-nos sempre expostos à luz artificial”.

Embora a luz artificial também contribua para sincronizar o relógio interno do corpo, é mais fraca do que a luz natural.

“Isto é ainda mais importante no inverno porque, com a mudança de estação, os dias são curtos e o nascer do sol é mais tarde, por isso não devemos privar-nos dessa pequena quantidade de exposição à luz”, acrescentou Kelu.

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