No centro da acusação da Autoridade da Concorrência está a "omissão de informação e o engano" que alegadamente incentivaram a utilização precoce de cosméticos por menores
A Autoridade da Concorrência "abriu dois inquéritos, um contra a Sephora Italia e outro contra a Benefit Cosmetics e a LVMH Profumi e Cosmetici Italia", anunciou a mesma autoridade na sexta-feira.
"Por eventuais práticas comerciais desleais relacionadas com a utilização precoce de cosméticos", lê-se no comunicado, "para adultos, por crianças e adolescentes (incluindo os menores de 10/12 anos), incentivando a compra compulsiva de máscaras faciais, séruns e cremes anti-idade".
Na quinta-feira, de acordo com o comunicado de imprensa, foram efetuadas inspeções nos escritórios das empresas no centro da medida, com a ajuda da Guardia di Finanza.
Os riscos da "cosmeticorexia"
O fenómeno, segundo o comunicado de imprensa, é conhecido por "cosmetorexia" e consiste na obsessão dos menores pelos cuidados com a pele.
A tendência referida está a crescer rapidamente e vê cada vez mais adolescentes a utilizarem produtos de "beleza", mesmo caros, incluindo maquilhagem e cremes anti-envelhecimento.
A moda, que nasce principalmente nas plataformas sociais, onde crianças divulgam conteúdos em que mostram como usar produtos que, em muitos casos, não são adequados para peles demasiado jovens.
E é precisamente o aspeto relacionado com a utilização das redes sociais, como meio para as empresas aumentarem as compras, que está no centro da investigação.
"As empresas teriam adotado uma estratégia de marketing particularmente insidiosa, envolvendo jovens micro-influenciadores que exortariam os jovens, sujeitos particularmente vulneráveis, à compra compulsiva de cosméticos", informou a Autoridade.
Quando o desejo de se conformar com a perfeição também se torna um problema para os pais
Em termos psicológicos, é também definida de forma mais ampla como "ansiedade da idade", ou seja, o stress relacionado com o envelhecimento que leva raparigas muito jovens, mesmo com menos de dez anos, a utilizar produtos anti-envelhecimento, incluindo máscaras e cremes.
Um problema que, segundo os especialistas, não está apenas ligado à ideia de perseguir um ideal de beleza inatingível, mas também às eventuais responsabilidades do contexto familiar.
O aspeto mais delicado, próximo do "patológico", diz respeito, de facto, aos danos que este tipo de compras compulsivas pode causar nos menores a nível psicológico e de autoestima.
Além disso, para agravar a situação, existe também uma atitude considerada demasiado permissiva dos pais em relação aos filhos, que são livres de utilizar smartphones e aplicações sociais sem um controlo cuidadoso.