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Barcelona quer quase triplicar taxa turística de cruzeiros para 30 € diários

Um político defendeu que deveria funcionar como dissuasor deste tipo de turismo e enviar uma mensagem clara sobre o papel que Barcelona quer para as chegadas de cruzeiros.
Um político defendeu que a medida deve servir de travão a este tipo de turismo e enviar uma mensagem clara sobre o papel que Barcelona quer atribuir às chegadas de cruzeiros. Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved
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De Rebecca Ann Hughes
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A taxa agravada aplicaria‑se apenas aos cruzeiros que façam escala e permaneçam atracados menos de 12 horas

Políticos em Barcelona defendem o aumento da taxa turística aplicada aos passageiros de cruzeiros, numa tentativa de travar o excesso de turismo.

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A proposta foi acordada pelos partidos representados na Câmara Municipal de Barcelona, mas o Parlamento da Catalunha ainda tem de a aprovar para que possa tornar-se lei.

Se for aprovada, a taxa quase triplicará, para 30 € por dia. Actualmente, os passageiros de cruzeiros pagam 11 € se passarem menos de 12 horas na cidade, valor que inclui um suplemento municipal de 5 € e uma taxa regional de 6 €.

Aumento da taxa para passageiros deve travar turismo de cruzeiros de curta duração

O aumento só se aplicará aos cruzeiros que façam escala e permaneçam atracados menos de 12 horas, já que os críticos consideram que trazem poucos benefícios para a economia local face aos constrangimentos que provocam.

Os itinerários que começam ou terminam em Barcelona ficarão isentos do aumento, uma vez que estas rotas são vistas como geradoras de maior retorno económico para a cidade, nomeadamente em estadias de hotel e serviços de transporte.

Mantém-se o debate sobre os objectivos do aumento da taxa. Marc Serra, do partido de esquerda BComú, sublinhou que o reforço da cobrança não deve servir apenas para gerar mais receita.

Defendeu que a medida deve funcionar como factor dissuasor deste tipo de turismo e enviar uma mensagem clara sobre o papel que Barcelona pretende que as chegadas de cruzeiros tenham, segundo o meio de comunicação local APD (fonte em inglês).

Outros partidos defendem a fixação de um tecto máximo para o número de passageiros de cruzeiros que chegam à cidade todos os anos, mas o município afirma que se trata de uma medida mais complexa de aplicar.

Os passageiros de cruzeiros representam 7,5% dos visitantes diários da cidade na época alta e passam em média 5,7 horas em Barcelona.

«Aumentos repentinos de impostos raramente produzem os efeitos desejados»

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) manifestou preocupação com a proposta, alertando que a medida pode enfraquecer a competitividade da cidade e ter efeitos inesperados na economia local.

«Embora compreendamos os desafios complexos de gerir um destino de nível mundial, a proposta [...] pode colocar Barcelona em desvantagem competitiva face a outros portos mediterrânicos», afirmou em comunicado Gloria Guevara, presidente e directora-executiva do WTTC.

«Os dados recolhidos pelo WTTC noutras zonas de destino mostram que aumentos repentinos de impostos raramente produzem os efeitos pretendidos. Custos adicionais para quem visita Barcelona tenderiam a reduzir o contributo económico global gerado pela indústria de cruzeiros, à medida que os turistas ajustassem os seus padrões de consumo em terra.»

Acrescentou que Barcelona é um dos principais portos base de cruzeiros do mundo, recebendo cerca de 4 milhões de passageiros por ano e gerando uma despesa local média de cerca de 255 € por passageiro de porto base, entre as mais elevadas do mundo.

«O impacto mais amplo de medidas deste tipo pode ser particularmente significativo, não só ao nível da procura turística, mas também no contributo fiscal que sustenta as economias local e regional. Só a indústria de cruzeiros contribuiu, em 2024, com 11,9 milhões de euros em impostos para a Câmara Municipal de Barcelona», afirmou.

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