O relatório elaborou um ranking dos países europeus pela abundância de lagos classificados como «excelentes», isto é, com água segura para banho
Com a Europa sob uma onda de calor, mergulhar num lago ou rio refrescante parece quase a única opção sensata neste momento.
Mas, por mais tentadores que sejam estes espelhos de água, muitos não são seguros para banhos. À medida que as temperaturas bateram recordes em várias cidades francesas esta semana, as autoridades reportaram 40 mortes por afogamento em zonas não vigiadas.
“Há uma vaga trágica de afogamentos”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu na terça-feira. “Os últimos dados que recebemos apontam para 40 mortes desde 18 de junho. A maioria das vítimas são jovens.”
Quem quiser dar um mergulho pode fazê-lo em segurança escolhendo apenas zonas de banho vigiadas e prestando atenção à sinalização sobre a qualidade da água, correntes fortes ou perigos submersos, como ramos de árvores e outros detritos.
Europa: os melhores lagos para nadar em segurança na natureza
Um ranking recente da Iglu Cruise (fonte em inglês) recorreu a dados da Agência Europeia do Ambiente (AEA) para classificar os países europeus consoante a abundância de lagos avaliados como “excelentes”, ou seja, com qualidade de água segura para banhos.
Na análise, só foram considerados lagos de banho, isto é, locais oficialmente designados e regularmente monitorizados para natação ao abrigo da Diretiva europeia sobre águas balneares.
Eis os melhores países para mergulhos em lago e os seus principais locais de banho.
Áustria
Na Áustria, 96,5% das águas balneares interiores foram classificadas como excelentes pela AEA em 2025. Cerca de dois terços do território é coberto pelos Alpes, o que contribui para a elevada qualidade da água: o relevo montanhoso cria reservatórios naturais que proporcionam águas límpidas e cristalinas.
O lago Klopein atinge no verão temperaturas de cerca de 26 ºC, enquanto o Attersee, o maior lago situado inteiramente na Áustria, é conhecido pela água extremamente pura e transparente, que no verão permite visibilidade subaquática entre 7 e 9 metros.
Hallstatt é outro destino muito procurado, com zonas de natação delimitadas como a Badeinsel Hallstatt, uma pequena ilha artificial ideal para apanhar sol, com relvado e prancha de saltos.
Finlândia
Na Finlândia, 94,7% das águas balneares interiores têm qualidade classificada como excelente. O país é conhecido como a “terra dos mil lagos” – na realidade são mais de 187 mil com mais de 500 metros quadrados – e muitos são adequados para banhos.
O lago Tuusula, localizado no sul da Finlândia, é um dos mais quentes lagos do país, chegando no verão aos 18‑22 ºC, e foi em tempos um ponto de encontro social para artistas finlandeses no início do século XX.
Saimaa é o maior lago do país, com 4 400 quilómetros quadrados, e o quarto maior de toda a Europa; tem uma estrutura labiríntica complexa, com quase 14 mil ilhas dispersas, e oferece ainda a possibilidade de avistar uma das poucas focas-aneladas que subsistem em estado selvagem.
Alemanha
Na Alemanha, 91,5% das águas balneares interiores têm qualidade considerada excelente.
As infraestruturas de banho, conhecidas como “Strandbäder” ou lidos, são extremamente populares graças à elevada qualidade da água. Estas praias públicas permitem passar o dia inteiro, com balneários, relvados para apanhar sol, parques infantis e restaurantes.
O lago Griessee é o mais quente da Alemanha. A pouca profundidade faz com que a água aqueça rapidamente, muitas vezes até aos 25 ºC ou mais. O lago Constança, o maior corpo de água do país, situado no extremo sul, oferece vistas deslumbrantes e inúmeras zonas de banho, com margens que se estendem também pela Suíça e pela Áustria.
Já o lago Walchensee, na Baviera, é célebre pelo tom turquesa quase caribenho das suas águas, uma característica atribuída à elevada concentração de carbonato de cálcio dissolvido, ou “farinha de rocha”, presente na água.
Itália
Em Itália, 87,7% das águas balneares interiores foram classificadas como de qualidade excelente em 2025.
Os lagos italianos, graças ao clima mediterrânico, tendem a ser mais quentes do que os situados mais a norte. O lago Kaltern, no Tirol do Sul, frequentemente apontado como um dos lagos de banho mais quentes dos Alpes, pode atingir temperaturas até 28 ºC.
O glamoroso lago Como é reconhecido pelas excecionais condições para natação em águas abertas. Outros lagos de referência incluem o lago Garda e o lago Maggiore, conhecidos pelos muitos lidos.
Para além dos banhos, muitos lagos italianos, sobretudo Garda e Como, são polos para diversas atividades ao ar livre, como windsurf, vela, caiaque e caminhadas nas montanhas envolventes.
Suíça
Na Suíça, 84,4% das águas balneares interiores têm classificação de excelente.
Cidades como Zurique e Genebra são conhecidas pelos seus lagos, alimentando uma cultura de banhos em meio natural, especialmente na primavera e no verão, graças à elevada qualidade da água.
Muito populares na Suíça são as “Badi”, instalações públicas de natação. Muitas destas zonas de banho ao ar livre existem há mais de um século e oferecem balneários, relvados para apanhar sol, pranchas de saltos e nadadores-salvadores. Algumas incluem mesmo históricos balneários de madeira à beira-lago.
O lago Lugano é ideal para natação em águas abertas. É o lago mais quente da Suíça no verão, chegando frequentemente aos 26 ºC em agosto.
França
Em França, 71% das águas balneares interiores têm classificação de excelente.
O lago Aiguebelette, na região da Saboia, nos Alpes franceses, é considerado o lago mais quente de França, com temperaturas de verão que podem chegar aos 28 ºC, devido à pouca profundidade, à localização geográfica e a nascentes de água quente.
O lago Annecy é apreciado pelas águas de um azul-turquesa profundo e pela impressionante moldura montanhosa, com muitas praias públicas, além do pitoresco centro histórico de Annecy. O lago de Sainte-Croix destaca-se pelas falésias dramáticas, enquanto o lago Bourget, o maior lago natural de França, oferece uma combinação de praias de areia, marinas e um ambiente animado.
Suécia
A Suécia registou 82,1% das suas águas balneares interiores com classificação de excelente em 2025.
Com mais de 100 000 lagos, existe uma grande variedade de locais para banhos em ambiente natural, desde mergulhos urbanos até lagos remotos rodeados de natureza. Alguns lagos podem ter uma cor acastanhada, semelhante a chá, devido à matéria orgânica proveniente das florestas próximas, mas isso não indica má qualidade da água.
Na Suécia, o conceito de “Allemansrätten”, ou direito de acesso público, garante a todos a liberdade de explorar e desfrutar da natureza, incluindo nadar em lagos. Isto permite descobrir locais de banho recatados, longe das praias oficiais, desde que não se cause perturbação ao ambiente ou à propriedade privada.
A Suécia oferece inúmeras oportunidades para banhos em plena natureza, mesmo perto da capital. O lago Vänern, o maior lago do país e o terceiro maior da Europa, assemelha-se a um mar, com muitas ilhas, enseadas e praias de areia. Na Lapónia sueca, os visitantes podem ainda experimentar banhos glaciais sob o sol da meia-noite durante o verão.
Hungria
Na Hungria, 64% das águas balneares interiores foram classificadas como excelentes em 2025. Sem costa marítima, o país faz dos seus lagos destinos muito populares para nadar.
Uma das características marcantes dos lagos húngaros são as águas termais e ricas em minerais, às quais são atribuídas propriedades terapêuticas, o que faz destes lagos um destino procurado tanto por quem busca bem-estar como por praticantes de natação em águas abertas.
Embora o lago Frying Pan, na Nova Zelândia, tenha o título de maior lago termal do mundo, as temperaturas elevadas tornam-no impróprio para banhos, o que faz do lago Hévíz, na Hungria, o maior lago termal do mundo onde se pode nadar. Com temperaturas que variam entre 22 ºC no inverno e 36 ºC no verão, o lago Hévíz é aquecido por nascentes termais que emergem de uma gruta sob o leito do lago. A água é também rica em minerais e célebre pelos seus benefícios terapêuticos.
O lago Balaton é o maior lago de água doce da Europa Central e o destino de verão mais popular da Hungria. É também o palco da “Balaton Átúszás”, uma popular prova de natação de 5,2 km que atravessa o lago.
Países Baixos
Nos Países Baixos, 70,4% das águas balneares interiores têm classificação de excelente.
Embora não conte com os grandes lagos alpinos da Suíça ou da Áustria, o país possui numerosos corpos de água naturais e artificiais que proporcionam um excelente refúgio de verão. Os lagos neerlandeses vão de grandes superfícies abertas a pequenos lagos recreativos, muitos originados em antigas pedreiras de areia ou cascalho.
O lago IJssel, um grande lago de água doce, foi em tempos uma baía do mar do Norte. É hoje um local muito procurado para desportos aquáticos, incluindo windsurf e vela, graças às extensas praias de areia. Com temperaturas em julho que chegam aos 24 ºC, oferece uma experiência semelhante à de um mar interior.
Sloterplas é um lago artificial situado em Amesterdão, com zonas de banho delimitadas e uma praia. O lago Henschotermeer é apontado como um dos mais pitorescos do país.
Polónia
Na Polónia, 56,7% das águas balneares interiores foram classificadas como excelentes em 2025.
O lago Śniardwy é o maior lago do país, muitas vezes apelidado de Mar da Masúria. A sua vastidão faz lembrar um mar interior e o local é um polo para a vela e outras atividades aquáticas.
O percurso do rio Krutynia é um destino popular para canoagem, serpenteando por vários lagos de água cristalina e florestas densas.
O lago Licheńskie é o mais quente da Polónia, chegando aos 24 ºC nos meses de verão, o que o torna mais quente do que outros lagos naturais do país, cuja média ronda os 20 ºC.