Da beleza modernista de Brasília à assustadoramente deserta Ciudad de la Paz, está na hora de incluir estas cidades planeadas no seu repertório de perguntas para uma noite de quiz com os amigos.
Algumas das maiores cidades do mundo são habitadas há milhares de anos, sobrepondo camadas de história que fazem com que seja possível encontrar vestígios do Império Romano ao lado de um arranha-céus revestido de vidro.
Embora estes contrastes encantem os visitantes, as ruas históricas nem sempre se adaptam às exigências da vida moderna.
É aqui que entram as cidades planeadas de raiz.
Construídas de raiz, permitem aos urbanistas desenhar ruas em grelha para garantir que os residentes têm fácil acesso a escolas, supermercados e centros de saúde e dimensionar a cidade para o tráfego previsto.
Alguns países foram mais longe e criaram capitais construídas de raiz, sendo a mais recente a Guiné Equatorial, que declarou Ciudad de la Paz como nova capital em janeiro deste ano.
Aqui ficam outras capitais planeadas de raiz, de exemplos bem conhecidos a cidades menos famosas que até podem surgir num quiz de pub…
Brasília, Brasil
Provavelmente a capital planeada mais conhecida do mundo, Brasília tornou-se capital do Brasil em 1960.
A sua localização foi escolhida porque o presidente queria uma capital mais central; Rio de Janeiro, a anterior capital, fica na costa sudeste. Hoje, Brasília é a terceira cidade mais populosa do país.
Paragem obrigatória para os amantes de arquitetura, Brasília é conhecida pelo traço modernista, com destaque para a Catedral Metropolitana e o Congresso Nacional.
Em 1987, a cidade foi mesmo classificada como Património Mundial da UNESCO, com a organização a descrevê-la como um «marco na história do urbanismo».
Camberra, Austrália
As terras onde hoje se situa Camberra e a sua envolvente são habitadas há milhares de anos, sendo os Ngunnawal reconhecidos como os guardiões tradicionais da região.
Os colonizadores britânicos começaram a instalar-se na zona no final da década de 1820, e Camberra acabou por ser escolhida, no início do século XX, como capital da federação, numa solução de compromisso entre Melbourne e Sydney.
O Ministério do Interior australiano promoveu um concurso para o desenho da nova capital, e a construção começou em 1912.
Atualmente, cerca de meio milhão de pessoas vivem em Camberra, apenas um décimo da população de Melbourne, a cidade mais populosa da Austrália.
Apesar de pequena, a cidade é conhecida pelos museus e galerias de arte, pelas vinhas e pela cena gastronómica, concentrada sobretudo no bairro de Braddon.
Wellington, Nova Zelândia
Na curta história como parte do Império Britânico, a Nova Zelândia mudou a capital de Old Russell (hoje Okiato) para Auckland, antes de a fixar, em definitivo, em Wellington.
A zona foi inicialmente explorada pelo navegador maori Kupe, no século X, e, quando começou a colonização europeia, era habitada por vários grupos, entre eles os Te Ātiawa e os Taranaki.
Wellington foi escolhida como capital devido à sua localização junto ao estreito de Cook, que separa a Ilha do Norte da Ilha do Sul.
Embora a capital não tenha sido erguida do zero, o traçado atual foi desenhado em 1840 pelo capitão William Mein Smith como uma série de grelhas interligadas.
Auckland continua a ser a cidade mais populosa do país, com 1,5 milhões de habitantes, enquanto Wellington tem perto de 210 mil residentes.
Além de capital política, Wellington é considerada a capital cultural do país, graças aos muitos museus e por acolher a Orquestra Sinfónica da Nova Zelândia e o Royal New Zealand Ballet.
Islamabad, Paquistão
Construída na década de 1960, Islamabad, cujo nome significa «cidade do Islão», tornou-se capital do Paquistão em 1967.
A localização foi escolhida em detrimento de Carachi, a antiga capital, por estar mais próxima do quartel-general do exército em Rawalpindi.
Atualmente, mais de 1,1 milhões de habitantes vivem na cidade, o que a torna a décima mais populosa do país.
Entre os principais pontos de interesse contam-se o Monumento do Paquistão, a Mesquita Faisal e o lago Rawal.
Naypyidaw, Myanmar
Uma das capitais mais recentes do mundo, Naypyidaw começou a ser construída em 2002 e assumiu o estatuto de capital, em substituição de Yangon, em 2005.
Situada a cerca de 320 km a norte de Yangon, Naypyidaw, que significa «morada dos reis», foi construída para resistir a uma invasão e concentra grande parte dos quartéis-generais militares e administrativos do país.
A cidade é enorme, mas tem uma população muito reduzida, o que resulta em avenidas largas quase sem carros. Foi fortemente atingida pelo terramoto de 2025 e muitos edifícios ainda estão em reconstrução.
O Māravijaya Buddha, a maior estátua de Buda em mármore do mundo, é hoje uma das principais atrações, depois de ter sido inaugurado em 2023.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico desaconselha todas as viagens à maior parte de Myanmar, embora Naypyidaw e Yangon não estejam incluídas neste aviso.
Belmopan, Belize
A capital de Belize foi deslocada para o interior depois de um furacão, em 1961, ter destruído mais de três quartos dos edifícios da Cidade de Belize. As obras começaram em 1967 e Belmopan tornou-se capital oficial em 1970.
O nome junta o do rio mais longo do país, o Belize, e Mopan, o nome de outro rio da região.
Cerca de 20 mil pessoas vivem em Belmopan, contra aproximadamente 64 mil na cidade de Belize.
Uma visita ao próximo parque nacional, St. Herman’s Blue Hole, é um dos principais programas na zona, a par das caminhadas no Parque Nacional de Guanacaste.
Ciudad de la Paz, Guiné Equatorial
A mais recente das novas capitais desta lista, Ciudad de la Paz, substituiu Malabo como capital da Guiné Equatorial em 2 de janeiro.
Criada em 2015, a «cidade da paz» foi implantada num local escolhido pela acessibilidade e pelo clima mais ameno.
Embora tenha sido construída para acolher cerca de 200 mil habitantes, por agora assemelha-se mais a uma cidade fantasma.